Satélites comprovam que Amazonas é o maior rio do mundo Quarta-feira, Jul 2 2008 

RIO - Uma medição com imagens de satélite confirmou que o Amazonas é o rio mais extenso do mundo e que tem 140 quilômetros a mais que o Nilo, anunciou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O estudo foi feito a partir de imagens dos satélites sino-brasileiros CBERS e do satélite americano Lansat.

Segundo a medição, o Amazonas não é apenas o rio mais caudaloso do mundo, mas também o mais extenso, com 6.992,06 quilômetros de extensão, acima dos 6.852,15 quilômetros do Nilo.

As medições foram feitas a partir dos dados coletados por uma expedição realizada no ano passado por cientistas brasileiros e
peruanos, para identificar a verdadeira cabeceira do rio Amazonas.

Os integrantes da 1ª Expedição Científica ao Nascimento do rio Amazonas, entre os quais cientistas do Instituto Geográfico Nacional (IGN) do Peru e do Inpe, viajaram, em maio do ano passado, ao nevado Mismi e a Carhuasanta e Apacheta, na Cordilheira dos Andes, em busca da nascente do Amazonas.

Após colocar marcos geodésicos nas quebradas que se presumiam que eram as nascentes do Amazonas e medir o caudal de cada uma, os expedicionários concluíram que a cabeceira do rio estava a mais de cinco mil metros acima do nível do mar e que a extensão do rio era maior que a do Nilo.

As medições apresentadas hoje pelo Inpe somaram, ao Amazonas, 230 quilômetros.

Índios brasileiros pedem apoio do papa em batalha fundiária Quarta-feira, Jul 2 2008 

CIDADE DO VATICANO (Reuters) – Índios brasileiros afetados pela demarcação de reservas na Amazônia, no estado de Roraima se reuniram nesta quarta-feira com o papa Bento 16 no Vaticano para pedir apoio da Igreja Católica em esforços para defender o seu espaço TI Raposa Serra do Sol, obtido há três anos.

O governo brasileiro criou a reserva Raposa Serra do Sol no norte do Estado de Roraima em 2005, mas os planos de remover os fazendeiros que não são indígenas e habitam a região geraram uma batalha legal e estimularam a violência.

Homens mascarados atiraram e feriram 10 índios em 5 de maio, incluindo um garoto de 12 anos, disseram os indígenas.

“Eu disse (ao papa) que nós estamos pedindo apoio para nossa reserva no Brasil, que nós precisamos do apoio dele”, disse à Reuters Jacir José de Souza, da tribo Makuxi.

Souza afirmou que o pontífice disse a ele que “faria possível para ajudar”, mas o Vaticano não comentou sobre a breve conversa após a audiência geral do papa desta semana.

Pierlangela Nascimento da Cunha, da tribo Wapixana, a outra indígena que se reuniu com o papa, disse que o encontro garantiria à sua comunidade que o mundo está atento à situação.

“O fato é de estarmos aqui hoje vai implicar que outras pessoas saberão sobre nossa situação. Isso nos conforta, não estamos sozinhos”, afirmou.

Cunha disse que 21 índios na região foram mortos na onda de violência e de disputas fundiárias desde a década de 1970.

(Reportagem de Phil Stewart)

Parlamento português receberá índios da reserva Raposa Serra do Sol Quarta-feira, Jul 2 2008 

Líderes indígenas da reserva de Raposa Serra do Sol, em Roraima, chegam na quinta-feira a Portugal para falar sobre a situação da área. Eles serão recebidos pela Comissão de Relações Exteriores do Parlamento português e por grupos políticos.

Os índios Jacir José de Souza e Pierlangela Cunha vão divulgar sua campanha de defesa do direito à terra “Anna Pata, Anna Yan” (Nossa Terra, Nossa Mãe) e denunciar a violência de que dizem ser alvo os povos indígenas da reserva.

No primeiro dia da visita, os líderes “serão recebidos pela Comissão das Relações Exteriores, por representantes dos grupos parlamentares [portugueses] e pelo embaixador do Brasil em Portugal”, afirmou à Agência Lusa o padre Elísio Assunção, diretor da Fátima Missionária, que coordena a visita.

“Também foi pedida uma audiência ao primeiro-ministro, José Sócrates, que ainda não foi confirmada. Há também vários outros encontros marcados com diferentes entidades e organizações, como a Comissão Nacional de Justiça e Paz, a Caritas e a Pro Dignitate”, afirmou Assunção.

Terminando na segunda-feira a viagem pela Europa, os líderes indígenas querem contar com o apoio político de Lisboa para pressionar o governo brasileiro a pôr fim “à invasão das terras indígenas” e manter “o decreto de homologação em área contínua do território da Raposa/Serra do Sol”.

O decreto de 2005, assinado por Lula, demarcou e homologou como território indígena uma área de cerca de 1,67 milhão de hectares nas fronteiras com a Venezuela e a Guiana, mas os fazendeiros de Roraima entraram com ação no STF (Supremo Tribunal Federal) exigindo que a demarcação da reserva fosse em área descontínua.

“Uma decisão contra os índios abriria um precedente gravíssimo na legislação brasileira, fazendo com que as terras indígenas já demarcadas, homologadas e registradas pudessem, então, ser contestadas e revistas”, afirmou o padre.

“Isto seria um grande retrocesso nos direitos indígenas, conquistados e consagrados pela Constituição Federal e pelo direito internacional”, disse Assunção, para quem a luta pela terra indígena da Raposa Serra do Sol “é emblemática para todo o Brasil”.

Segundo Assunção, as comunidades indígenas “não pedem qualquer privilégio”, exigindo apenas que o Supremo ratifique e faça cumprir o decreto de homologação e determine a retirada dos agricultores, que desenvolvem “atividades que têm um impacto ambiental altamente prejudicial”.

Papa recebe indígenas da Raposa Serra do Sol Quarta-feira, Jul 2 2008 


Dois líderes indígenas brasileiros, que passaram as últimas duas semanas percorrendo a Europa em busca de apoio, foram recebidos ontem pelo Papa Bento XVI. Pierlângela Nascimento da Cunha, coordenadora da Organização de Professores Indígenas de Roraima - representante da tribo Wapixana -, e Jacir José de Souza, fundador do Conselho Indígena de Roraima e membro dos Makuxí, receberam do pontífice garantias de apoio para a manutenção de suas reservas em Roraima (TI Raposa Terra do Sol).

“Faremos o possível para ajudar a manter a sua terra”, afirmou o papa. No centro do debate estava a definição das terras na reserva Raposa Serra do Sol. Os indígenas também entregaram uma carta ao Papa pedindo sua intervenção no conflito. “O nosso povo está enfrentando um momento de grande angústia diante da ocupação ilegal de nosso território”, acusam o representantes indígenas.

“Pedimos que Sua Santidade exprima solidariedade com nosso povo”, afirmou a carta. Os indígenas também pedem que o Papa mostre sua solidariedade ao insistir com o governo brasileiro sobre a necessidade de que a demarcação das terras não seja modificada. O tema está no Supremo Tribunal Federal a pedido do governo de Roraima. “Dessa decisão depende a vida de todo o povo indígena no Brasil”, afirmam.