Resumo do livro Virando a própria mesa Segunda-feira, Mai 26 2008 

Introdução

Este trabalho tem como objetivo analisar a experiência vivida pelo autor, Ricardo Semler, em frente a uma empresa familiar fundada por seu pai, a Semco S/A. Onde relata histórias vividas por ex-rockeiro até a grandes negociações com multinacionais.
Tendo sua primeira edição lançada em 1988 o livro “Virando a Própria Mesa” tornou-se rapidamente um best-seller, talvez por sua visão futurista da administração contado por um garoto que transformou uma empresa familiar em uma empresa de renome da época.
Análise

Semler trata do assunto do livro “Virando a própria mesa” como simples e praticáveis a qualquer empresa para qualquer situação, assim levando o leitor a crer que toda a resposta de seus problemas está sobre seus colaboradores e a maximização do desleixo sobre teorias formadas por autores no passado, entre eles Taylor e o pai da produção em massa Henry Ford.
Algumas atitudes de Semler, principalmente sobre paternalismo, são de grande utilidade sobre uma empresa familiar, usar um sistema de exclusão deste problema é o ideal para esse tipo de organização, isto se pode ser percebido em algumas empresas atuais onde existem vários programas, como o plano de cargos e salários e remuneração por competência, para a diminuição deste tipo de obstáculo.
Pode-se achar no mínimo ilusória alguns fatos narrados no livro, como a total liberdade dos colaboradores dentro da empresa, a relação entre empresa e grevistas e algumas outras coisas mais, diz-se isso pelo fato de as empresas serem organizações diferentes, e destas serem formadas por pessoas diferentes, porem o autor passa uma certa euforia em suas experiências que leva o leitor a imaginar o programa descrito em sua empresa, seja ela própria ou apenas o local de trabalho, o fato é que incentivar a simples exclusão de um organograma e autorizar aos funcionários um regime de total “anarquia”, não pode ser a resolução de todos os problemas de qualquer empresa, assim, cabe dizer que, ao referir-se ao “bicho gente”(73), como o Semler mesmo se refere, se tem que pelo menos imaginar duas fases para a total liberação de responsabilidades, a comunicação e a delegação.
Por outro lado, alguns relatos do livro levam a enfrentar a realidade do mercado atual de frente, algumas atitudes tomadas pelo autor em sua experiência na Semco S/A, como as situações em que sua empresa procurou, e conseguiu algumas aquisições, parcerias e contratos por seu puro censo de negócios, deixam à mostra a pura, porem não tão simples, arte de administrar.
Por fim “Virando a Própria Mesa” refere-se muito mais a uma história de sucessos de um administrador, do que uma base de atitudes relativas à administração de empresas familiares, com algumas exceções como o desprendimento necessário entre família e empresa para que esta evolua.

Ricardo Semler recomenda que as empresas brasileiras copiem modelos de administração que já deram certo em empresas estrangeiras. Concorda ou não?

Discordo que Semler tenha dado a intenção de dizer que as empresas brasileiras deviam seguir modelos de administração estrangeiros, pois deixa bem claro que “quem ainda estiver administrando sua empresa com base nos ensinamentos de Alfred Sloan, da General Motors, ou se mira nos gigantes da industria para procurar se modernizar, está fadado a imitar um modelo em extinção”(47).
O autor é contra a implantação destes sistemas principalmente por motivos culturais que ele mesmo afirma: “ Há que se respeitar as diferenças de cultura. Essa mania de exportar técnicas para o Brasil e, pior ainda, esse mania de brasileira de achar que o que vem de fora é melhor, é de lascar.” (145).
Ricardo Semler é a favor sim de um ”modelo próprio de administração neste país o que por sua vez força nova importação de modelos”.(145), a partir daí deixando claro que esse tipo de “transplante” , como ele mesmo se refere, apenas funcionaria se alem da cultura se devia importar também os próprios criadores destes modelos de administração.
Em meu ponto vista, já que a questão de minha opinião sobre o assunto foi levantada, tenho a dizer que concordo com o autor, uma cultura diferente não pode ser implantada em outro pais como se fosse apenas mais um método de administração existente do mercado, como Semler mesmo relata “Empresa também é alta costura?”.(143)
O Brasil como país em desenvolvimento tem de se por em seu lugar e agir como tal, importando tantas técnicas do exterior, que em sua maioria são (ou foram) criadas em países desenvolvidos e com uma realidade econômica bem diferente da nossa, é sucumbir a ditos internacionais que ressaltam novos modelos de administração a cada dia, e determinam a excelência de cada um deles.
Pois bem, relevando a questão de sermos um país em desenvolvimento e com uma economia frágil, assim pensam os mesmos criadores destas tão renomadas “filosofias empresarias”, mesmo assim o choque cultural seria enorme, adaptar essas técnicas é diferente, adaptando-as a nossa realidade, na verdade, não se iria mudar pequenos pontos para que funcione em nosso defasado empresariado, mas sim realmente deformar-se um sistema para que possa se adaptar aos padrões nacionais.

Segundo o autor qual é o desafio da empresa brasileira e por conseqüência do administrador brasileiro? Em que passagem do livro isso se destaca?

O maior desafio principalmente do empresário brasileiro é a questão da visão de administração (Implantação de critérios e padrões de administração para a para sua realização no futuro) relacionada com um diferencial conforme a realidade da empresa e com o ambiente em que esta se encontra, tanto que em algumas passagens de seu livro ele ressalta opiniões e aplicações práticas em sua empresa, a Semco S/A, futuristas em relação à data de lançamento da primeira edição de seu livro, abordando assuntos como marketing e com afirmações como “o estudo de mercado é necessário para definir parâmetros de atuação e para dar uma idéia dos grandes fatos relacionados com o mercado. Porém usá-los como sustentação para lançamento de um produto requer um conhecimento profundo do mercado pelo usuário do estudo” (194), o que não é feita por grandes empresas até hoje, Semler dá a entender, ou a compreender, que o planejamento do futuro é o mais importante para uma empresa, em minha opinião.
A relação do planejamento da administração no futuro com os colaboradores vem à medida que este planejamento vai sendo realmente se transformando em realidade para uma empresa, portanto, para que haja uma possibilidade de que uma organização chegar ao seu objetivo, seja lá qual for, se de interesse financeiro, mercadológico, ou até mesmo social, a base para a evolução desta empresa está principalmente nas mãos de seus colaboradores.

O conteúdo do livro e a abordagem clássica da administração.
Há alguns pontos em comum e outros extremamente diversos na relação da estrutura de administração citada no livro e a Teoria Clássica da Administração de Fayol, Vejamos alguns pontos em comum encontrados:
Tanto a teoria clássica quando o livro de Ricardo Semler concordam em relação a rotatividade de pessoal em relação a motivação e a estabilidade dos funcionários;
A relação do espírito de corpo relacionada ao relacionamento entre o pessoal de mesma hierarquia é citada tanto na teoria clássica, quando na obra de Semler;
A iniciativa é o principal ponto abordado em passagens iniciais, em que Semler relata sobre o início na empresa de sua família.

Pontos diversos:
Fayol se refere à divisão do trabalho extremamente relacionada à especialização dos funcionários, enquanto Semler relata em seu livro “… já tivemos um diretor financeiro com apenas um curso colegial, e um diretor técnico, comandado uma equipe de muitos engenheiros, sem qualquer formação” (222);
A autoridade na visão de Fayol é um dever de cada superior, enquanto o, livro descreve um pensamento bem menos ditatorial e mais democrático, até mesmo em relação a remuneração;
Unidade de comando não é descrita no livro, porem é gritante a relação do funcionário com a delegação de responsabilidades;
Semler deixa que seus colaboradores realizem o layout da empresa, participem de reuniões com participação ativa e não utiliza nem mesmo fluxograma, enquanto na visão de Fayol a hierarquia e um plano de atividades são primordialmente necessários para manter a ordem;
A Teoria Clássica dá ênfase a disciplina, Semler da ênfase a motivação.

Outros pontos têm relações interessantes como, os relacionados aos interesses gerais, que segundo Fayol, devem prevalecer sobre os interesses pessoais os interesses da organização, Semler tanto se preocupa que dá sua opinião sobre a vida de colaboradores fora do horário de expediente.
Quanto a remuneração é difícil de ressaltar as diferenças, pois vejo-as em parte semelhantes, Fayol diz que a remuneração tem que ser satisfatória para o empregador e o empregado, o que nos dá a entender que tem de se entrar em um acordo para a sua estipulação, Semler faz com que seus colaboradores dêem-no uma idéia do salário desejado e diz: “…em muitos casos atribuímos salários maiores do que os determinados pela pessoa”(224), o que no fim dos casos acabou sendo o mesmo processo, mas com pensamentos administrativos diferentes.

Qual as mensagens que o autor pretende transmitir aos leitores do seu livro?

O autor pretende passar através de sua experiência uma forma diferenciada para cada administrador, de cada empresa, de cada ramo de atividade seguido por uma organização, de acordo com sua necessidade e sua realidade para que sua empresa evolua conforme o ambiente que a cerca.
Fala também na relação entre o empresário e empresa, comparando a vida particular com a vida profissional de um administrador, referindo-se ao empresário como: “… é também aquele que começa a olhar da empresa para fora, participa de entidades de classe, dedica mais atenção ao seu lazer, e gasta mais rapidamente o dinheiro que o empreendedor acumulou, mas não teve tempo nem coragem de gastar” (87),
Além disso, fala sobre a empresa e seus colaboradores, dedicando um capítulo todo apenas para ressaltar esta relação, levando em conta assuntos como greve, salários, participação ativa de funcionários dentro da empresa, benefícios e treinamento, Ricardo Semler, diz: “… a área de RH é o misto-quente da organização. Fica presa entre os empregados e a empresa e pretende representar os melhores interesses dos dois”(173), assim dando a entender a importância deste elemento que age diretamente sobre os interesses de ambos os lados, colaborador e empresa.
Como principalmente refere-se ao futuro das organizações no Brasil, Semler tenta passar ao leitor a importância de identidade de uma empresa, assumindo, já no fim dos anos 80, uma posição bem mais “anarquista”, como ele mesmo manifesta em uma passagem do livro, em relação ao padrão de administração usado no Brasil, e admiti em sua própria empresa elementos totalmente diversos, nos quais, em alguns casos molda a empresa ao funcionário e não o contrário.
Conclusão

Concluo que o trabalho aplicado teve com base relacionar o conteúdo do livro com teorias administrativas, assim tendo validade em vários pontos, sendo que alguns destes considerados básicos, entre eles os principais são a constante mudança e a diferença entre as organizações, não são expressos pelo autor, fazendo assim com que seja necessário um embasamento mais abrangente para a compreensão dos tópicos abordados.
Portanto todas as críticas contidas neste trabalho ou têm embasamento teórico, prático ou expressam exatamente o pensamento do aluno sobre assuntos tratados no livro.

Métodos Científicos de Pesquisa Segunda-feira, Mai 26 2008 

Métodos Científicos de Pesquisa
Silvia Antônia Antunes Mazur
Método: é um meio mais eficaz para atingir determinada meta.

Ciência: Investigação racional ou estudo da natureza, direcionado à descoberta da verdade. Tal investigação é normalmente metódica, ou de acordo com o método científico – um processo de avaliar o conhecimento empírico;

Pesquisa: Uma pesquisa é um processo de construção do conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento pré-existente. É basicamente um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual esta se desenvolve. A pesquisa como atividade regular também pode ser definida como o conjunto de atividades orientadas e planejados pela busca de um conhecimento.

Atualmente, também se entende pesquisa como qualquer busca realizada por meio da internet.

Ao profissional da pesquisa (especialmente no campo acadêmico), dá-se o nome de pesquisador.

Métodos Científicos: destacamos o método experimental e o método estatístico.

Método Experimental

Neste tipo de pesquisa o investigador analisa o problema, constrói suas hipóteses e trabalha manipulando os possíveis fatores, as variáveis, que se referem ao fenômeno observado. A manipulação na quantidade e qualidade das variáveis proporciona o estudo da relação entre causas e efeitos de um determinado fenômeno, podendo-se controlar e avaliar os resultados dessas relações.

Consiste em manter constante todas as causas, menos uma, que é sofre variação para se observar seus efeitos, caso existam.

A pesquisa experimental procura entender de que modo ou por que causas o fenômeno é produzido. Para atingir os resultados o pesquisador faz uso de aparelhos e de instrumentos que a técnica moderna coloca ao seu alcance ou de procedimentos apropriados e capazes de tornar perceptíveis as relações existentes entre as variáveis envolvidas no objeto de estudo.

Adota o critério da manipulação de uma ou mais variáveis independentes (causas), sob controle, observando e interpretando as reações e modificações ocorridas no objeto de pesquisa (efeito – variável dependente). O experimento é imprescindível e a interpretação deve ter fundamentação teórica. O experimento deve explicitar os materiais e métodos (para cobaias) ou casuística e métodos (para pessoas).

A pesquisa experimental consiste em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.

Quando os objetos são físicos não há muitas limitações quanto à experimentação, o que não ocorre em experiências com pessoas, grupos ou instituições.

Vantagens e desvantagens: possibilita conhecimento mediante procedimentos experimentais, porém por exigir previsão e controle, torna-se às vezes inviável para os objetos sociais.

A pesquisa experimental exige um plano ou protocolo do experimento com passos bem definidos.

Método Estatístico

A estatística é uma parte da matemática aplicada que fornece métodos para coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões.

A literatura mostra que a estatística é um método que se aplica ao estudo dos fenômenos aleatórios e, praticamente, todos os fenômenos que ocorrem na natureza são aleatórios, como as pessoas, o divórcio, um rebanho de gado, a atividade profissional, um bairro residencial, os produtos eletrodomésticos, a opinião pública etc.

Diante da impossibilidade de manter as causas constantes (nas ciências sociais), admitem todas essas causas presentes variando-as, registrando essas variações e procurando determinar, no resultado final, que influências cabem a cada uma delas. Ex: Quais as causas que definem o preço de uma mercadoria quando a sua oferta diminui? Seria impossível, no momento da pesquisa, manter constantes a uniformidade dos salários, o gosto dos consumidores, nível geral de preços de outros produtos, etc.

Os fenômenos aleatórios se destacam porque eles se repetem e estão associados a uma variabilidade. Após a ocorrência de um fenômeno aleatório, é impossível prever com precisão o resultado de nova ocorrência. Verifica-se também na repetição de um fenômeno aleatório, que os resultados se distribuem com certa regularidade, geralmente acentuada em termos de freqüência.

Esse método se fundamenta nos conjuntos de procedimentos apoiados na teoria da amostragem. E, como tal, é indispensável no estudo de certos aspectos da realidade social, onde quer que se pretendam medir o grau de correlação entre dois ou mais fenômenos.

A primordial função desse método é a representação e explicação sistemática das observações quantitativas numéricas relativas a fatores oriundos das Ciências Sociais, como padrão cultural, comportamental, condições ambientais, físicas, psicológicas, econômicas etc., que ocorrem em determinada sociedade, ou de fenômenos de diversas naturezas pertencentes a outras ciências, como na Física,

Química, Biologia, entre outras. São aqueles fatos que envolvem uma multiplicidade de causas e por fim são representados sob forma analítica, geralmente através de gráficos, tabelas, quadros estatísticos.

Para o emprego desse método, necessariamente, o pesquisador deve ter conhecimento das noções básicas de estatística e saber como aplicá-la.

O método Estatístico fundamenta-se na aplicação da teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação. Porém, as explicações obtidas mediante a utilização do método estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras, mas dotadas de boa probabilidade de serem verdadeiras.

Mediante a utilização de testes estatísticos, torna-se possível determinar, em termos numéricos, a probabilidade de acerto de determinada conclusão, bem como a margem de erro de um valor obtido. Portanto, o método estatístico passa a caracterizar-se por razoável grau de precisão, o que o torna bastante aceito por parte dos pesquisadores com preocupação de ordem quantitativa.

Os procedimentos estatísticos fornecem considerável reforço às conclusões obtidas, sobretudo mediante a experimentação, a observação, análise e prova.

Abrange o universo dos elementos ou uma amostra. Uma boa amostra deve ser pelo menos de 20% do universo. Os métodos e técnicas de amostragem, quando bem empregados, dão condições para se chegar a conclusões válidas e a previsões muito próximas da realidade, com pequena margem de erro.

A coleta, a organização, a descrição dos dados, o cálculo e a interpretação de coeficientes pertencem à ESTATÍSTICA DESCRITIVA, enquanto a análise e a interpretação dos dados, associado a uma margem de incerteza, ficam a cargo da ESTATÍSTICA INDUTIVA ou INFERENCIAL, também chamada como a medida da incerteza ou métodos que se fundamentam na teoria da probabilidade.

Bibliografia

http://hlanglois.vilabol.uol.com.br/metodo.htm

http://www.salesianolins.br/

http://www.ai.com.br/pessoal/indices/2A1.HTM

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesquisa

http://www.coladaweb.com/

Atos e Contratos Administrativos Domingo, Mai 25 2008 

Atos e Contratos Administrativos

1) Conceito de Ato Administrativo:

Ato emanado de órgão competente, no exercício legal de suas funções e em razão destas, é todo aquele que tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria. Já os fatos administrativos não se preordenam à produção de efeitos jurídicos. Quando revestido de todos os seus requisitos formais e materiais, o ato administrativo se diz eficaz; todavia, pode apresentar vícios ou defeitos, cuja gravidade enseja a seguinte classificação para os atos mal formados: inexistência; nulidade; anulabilidade e irregularidade.

Os requisitos dos atos administrativos são: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. Quanto ao ato da administração, é o ato praticado pelos órgãos e entes vinculados à estrutura do poder executivo, o ato administrativo é diferente, em comparação é expressamente diverso. porém existem atos da administração que são atos administrativos, entretanto a diferença entre os dois na grande maioria das vezes é flagrante.

Os elementos do ato administrativo se dividem em: Conteúdo, que é a declaração de que o vínculo empregatício está extinto, é de se observar que aqui não está sendo questionado se o conteúdo é licito ou ilícito. Forma, que por sua vez é a maneira pela qual um ato se revela para o mundo jurídico.Da mesma forma não se discute se o ato é válido ou não, não se está discutindo validade e existência, essa característica é independente.

Pressupostos do ato administrativo se dividem em:Competência, que por sua vez é o conjunto de atribuições normativamente estabelecidas que autorizam a alguém a expedição de um ato jurídico, as competências são atribuídas por território, hierarquia e por matéria.Vontade, o ato administrativo é espécie de ato jurídico, por sua vez o ato jurídico denota a mais clara expressão de vontade humana. Motivo, alguns doutrinadores chamam de motivo de fato. O motivo é o acontecimento da realidade que autoriza ou determina a prática de um ato administrativo, os motivos alegados ficam presos ao ato para fins de determinação de legalidade ou ilegalidade. Se o motivo for falso ou inexistente o ato será considerado inválido.

2) Classificação dos Atos Administrativos:

Quanto à natureza da atividade: atos da administração ativa, atos da administração consultiva, atos da administração controladora, atos da administração verificadora e atos da administração contenciosa.

Quanto à estrutura do ato: atos concretos e atos abstratos.

Quanto aos destinatários dos atos: atos individuais e atos gerais.

Quanto aos efeitos: atos constitutivos e atos declaratórios.

Quanto à posição jurídica da administração: atos de império e atos de gestão.

Quanto ao grau de liberdade da administração em sua prática: atos discricionários e atos vinculados.

Quanto à função da vontade administrativa: atos negociais ou negócios jurídicos e atos puros ou meros atos administrativos.

Quanto aos resultados sobre a esfera jurídica dos administrados: atos ampliativos e atos restritivos.

Quanto à formação do ato: atos unilaterais e atos bilaterais.

3) Espécies de Atos Administrativos:

Admissão: é o ato unilateral pelo qual a administração vinculadamente faculta a alguém a inclusão em estabelecimento governamental para gozo de um serviço público.

Permissão: é o ato unilateral pelo qual a administração faculta precariamente a alguém a prestação de serviço público ou defere a utilização especial de um bem público. (precedidas de licitação – art. 175, CF – portanto atos vinculados).

Concessão: é designação genérica de formula pela qual são expedidos atos ampliativos da esfera jurídica de alguém – art. 175, CF. (Ora caráter unilateral, ora caráter bilateral).

Autorização: é o ato unilateral pelo qual a administração, discricionariamente, faculta o exercício da atividade material.

Aprovação: é o ato unilateral pelo qual a administração, discricionariamente, faculta a prática de ato jurídico ou manifesta sua concordância com o ato jurídico já praticado, a fim de lhe dar eficácia. (Aprecia conveniência e oportunidade relativas ao ato ainda não editado). Dupla modalidade: – aprovação prévia e aprovação a posteriori.

Licença: é o ato vinculado, unilateral, pelo qual a administração faculta a alguém o exercício de uma atividade, uma vez demonstrado pelo interessado o preenchimento dos requisitos legais exigidos.

Homologação: é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com o ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua valida emissão.

4) Tipos de Atos Administrativos e suas respectivas definições:

Decreto: é a formula pela qual o chefe do poder executivo expede atos de sua competência privativa (art. 84, CF).

Portaria: é a fórmula pela qual as autoridades de nível inferior ao chefe do poder executivo, de conteúdo amplo, dirigido a subordinados e transmitindo decisões de efeito interno.

Alvará: é a formula utilizada para expedição de autorizações e licenças.

Instrução: é a formula de expedição de normas gerais de orientação interna das repartições.

Aviso: de utilização restrita, só são utilizados nos ministérios militares.

Circular: é a formula pela qual as autoridades superiores transmitem ordens uniformes a funcionários subordinados. Veicula regras de caráter concreto, ainda que geral, por abranger uma categoria de subalternos encarregados de determinadas atividades.

Ordem de serviço: são veiculadas por via de circular.

Resolução: forma pela qual se exprime a deliberação de órgãos colegiados.

Parecer: opinião técnica de órgão de consulta.

Ofício: são “cartas oficiais”, o meio de comunicação formal para os agentes administrativos.

Despacho: decisões finais ou intermediárias de autoridades, sobre a matéria submetida a sua apreciação.

5) Extinção do Ato Administrativo:

Através do cumprimento do prazo ou cumprimento da finalidade, perecimento do sujeito ou do objeto, renúncia do beneficiário (ato unilateral), ou ainda pela retirada do ato (anulação ou revogação).

6) Conceito de revogação:

Revogação é a forma de desfazimento do ato administrativo por motivo de inoportunidade ou inconveniência, quem pode revogar é somente a administração pública (de ofício ou provocada), através do princípio da isonomia da forma, com a finalidade de atender o interesse da administração.

7) Conceito de Anulação:

Anulação é a forma de desfazimento do ato administrativo por motivo de ilegalidade do ato (invalidade), quem pode anular é a administração pública (de ofício ou provocado) e o Judiciário (provocado), através do princípio da isonomia da forma com a finalidade de restabelecimento da ordem (Princípio da legalidade).

Auditoria Interna Domingo, Mai 25 2008 

Autor:
JORGE LUIZ ROSA DA SILVA e outros

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
2. CONCEITO DE AUDITORIA INTERNA
3. AMBIENTE DE ATUAÇÃO DA AUDITORIA INTERNA
4. EXERCÍCIO PROFISSIONAL DA AUDITORIA INTERNA
5. TIPOS DE AUDITORIA INTERNA
5.1 Auditoria na Área Contábil
5.2 Auditoria na Área Operacional
5.3 Auditoria de Gestão
5.4 Auditoria de Sistemas Informatizados
5.5 Auditoria da Qualidade
5.6 Auditoria Ambiental
6. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO DEPARTAMENTO
6.1 Chefia da Auditoria
6.2 Supervisor de Auditoria
6.3 Auditor Sênior/Pleno
6.4 Auditor Júnior
7. AUTONOMIA PROFISSIONAL
8. POSICIONAMENTO E SUBORDINAÇÃO
9. FRAUDE E ERRO
10. RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA
10.1 Importância
10.2 Tipos de Relatórios
11. RELACIONAMENTO TÉCNICO-PROFISSIONAL COM OS AUDITORES
INDEPENDENTES
12. GARANTIA DE QUALIDADE E EXCELÊNCIA PROFISSIONAL NO TRABALHO DA
AUDITORIA INTERNA
13. ASPECTOS RELATIVOS AO CONTROLE INTERNO E EXTERNO NA ÁREA PÚBLICA
ANEXOS
RESOLUÇÃO CFC Nº 780
NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE NBC T 12 – DA AUDITORIA INTERNA
RESOLUÇÃO CFC Nº 781
NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE NBC P 3–NORMAS ROFISSIONAIS DO
AUDITOR INTERNO

1. INTRODUÇÃO

Buscando preencher lacuna de informação existente na classe contábil, a Comissão de Estudos de Auditoria Interna do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul preparou este material relativo à auditoria interna. A tarefa foi desempenhada pelos Contadores Jorge Luiz Rosa da Silva, José Carlos Colombo Aresi e Zulmir Ivânio Breda. Nosso objetivo é transmitir aos leitores o entendimento do que é auditoria interna, qual seu ambiente de atuação, quais os parâmetros definidos para o exercício profissional, posicionamento, subordinação e independência. Em complemento, quais são os tipos de auditoria interna praticados, os aspectos relativos ao controle interno e externo, bem como a legislação específica aplicável, tanto na empresa privada, como na estatal. Finalizando, tratamos do relatório, da estrutura organizacional, do relacionamento técnico-profissional com os auditores independentes e da garantia de qualidade e excelência profissional do trabalho da Auditoria Interna.
Não temos a pretensão de esgotar o assunto, sendo nossa intenção, isto sim, complementá-lo oportunamente, quer mediante outro livro, quer por meio de treinamento específico na área.

2. CONCEITO DE AUDITORIA INTERNA
Podemos conceituar auditoria interna como um controle gerencial que funciona por meio de medição e avaliação da eficiência e eficácia de outros controles. Deve ser entendida como
uma atividade de assessoramento à administração quanto ao desempenho das atribuições
definidas para cada área da empresa, mediante as diretrizes políticas e objetivos por aquela
determinados.
A auditoria interna cumpre um papel fundamental na empresa: subsidia o administrador
com dados e informações tecnicamente elaborados, relativos às atividades para cujo
acompanhamento e supervisão este não tem condições de realizar; e ela o faz mediante o exame
da:
a) adequação e eficácia dos controles;
b) integridade e confiabilidade das informações e registros;
c) integridade e confiabilidade dos sistemas estabelecidos para assegurar a observância
das políticas, metas, planos, procedimentos, leis, normas e regulamentos, e da sua
efetiva aplicação pela empresa;
d) eficiência, eficácia e economicidade do desempenho e da utilização dos recursos; dos
procedimentos e métodos para salvaguarda dos ativos e a comprovação de sua
existência, assim como a exatidão dos ativos e passivos; e
e) compatibilidade das operações e programas com os objetivos, planos e meios de
execução estabelecidos.

03. AMBIENTE DE ATUAÇÃO DA AUDITORIA INTERNA
Não deve haver limitação, no âmbito da empresa, para atuação da auditoria interna. O
auditor interno deve ter acesso a todas as áreas e informações, terreno no qual e para o qual
desenvolverá seu trabalho. Naquelas áreas cuja tecnologia desconhece, no todo ou em parte,
deve ele assessorar-se de profissionais habilitados, a fim de entender o processo, para poder
avaliá-lo e julgá-lo, possibilitando, assim, que seu relatório seja emitido corretamente. Podemos
exemplificar esta condição com referência a um trabalho desenvolvido numa área de Produção.
Neste caso, o auditor interno se assessorará de um engenheiro, qualificado tecnicamente para,
quando solicitado e autorizado pela Diretoria, julgar determinada operação ou opinar sobre ela.
Deve, ainda, prestar total apoio ao Conselho de Administração e ao Conselho Fiscal da entidade,
bem como, se em empresa estatal, coordenar e controlar o atendimento ao Tribunal de Contas e
aos órgãos de Controle Interno.
Os sistemas de controle não se limitam às áreas contábil e financeira, mas englobam os
planos da organização e todos os métodos usados para proteger seus ativos, verificar a exatidão
e fidedignidade de suas informações contábeis, financeiras, administrativas e operacionais, e
promover a eficiência e eficácia operacional, bem como estimular a observância de normas e
diretrizes da administração, inclusive no âmbito das empresas controladas e coligadas.
A função básica da auditoria interna, de assegurar o sistema de controle interno eficaz,
não desobriga os executivos das responsabilidades de verificação e controle nos seus respectivos
setores.

4.EXERCÍCIO PROFISSIONAL DA AUDITORIA INTERNA
Em 24 de março de 1995, o Conselho Federal de Contabilidade emitiu a Resolução 780,
definindo:
as Normas Brasileiras de Contabilidade Relativas à Auditoria Interna (NBC T 12), divididas em:
a) Conceituação e Disposições Gerais;
b) Normas de Execução dos Trabalhos; e
c) Normas Relativas ao Relatório do Auditor Interno;
e as Normas Profissionais do Auditor Interno (NBC P 3), divididas em:
a) Competência Técnico-Profissional;
b) Autonomia Profissional;
c) Responsabilidade do Auditor Interno na Execução dos Trabalhos;
d) Relacionamento com Profissionais de Outras Áreas;
e) Sigilo; e
f) Cooperação com o Auditor Independente.
As citadas Normas do CFC, que se encontram anexas a este trabalho, são de
cumprimento obrigatório pelos Contadores que exercem a função de auditor interno.

5. TIPOS DE AUDITORIAINTERNA
O Contador, na função de Auditor Interno, classifica seus trabalhos conforme o enfoque
que lhes é definido. Assim, podemos ter sua atuação em vários tipos e abrangências de
trabalhos, com enfoques diferentes, podendo em algumas áreas ter a colaboração de outros
profissionais especializados. Segue–se uma breve descrição de cada uma delas.
5.1 Auditoria na Área Contábil
A auditoria realizada junto a área contábil tem por objetivo identificar a adequação dos
registros e procedimentos levados a efeito na empresa, a qualidade dos controles internos
existentes, a observação das normas e regulamentos traçados pela administração, bem como a avaliação da correta aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas
Brasileiras de Contabilidade. Dentro desta área, cabem as seguintes avaliações e exames:
• exatidão, fidedignidade, justeza, completabilidade, tempestividade da apresentação e da
publicação das Demonstrações Contábeis, de qualquer relatório formal ou institucional, de
natureza orçamentária, financeira, contábil ou tributária;
• fidedignidade, integridade, adequação, confiabilidade e utilidade dos registros
orçamentários, financeiros, econômicos e contábeis;
• correção, eficácia e adequação dos controles da guarda, da divulgação, do arquivo, dos
meios de consulta e da informatização da documentação pertinente à área contábil, bem
como das formas de identificação, classificação, comunicação e divulgação das
respectivas informações;
• adequação e eficácia dos controles, registros e meios de proteção dos ativos e da
comprovação de sua existência real, utilidade, ociosidade e economicidade, bem como a
comprovação da autenticidade e completabilidade dos passivos;
• eficiência, eficácia e economicidade na utilização de recursos e na administração contábil financeira e tributária de fundos e programas;
• cumprimento das políticas, procedimentos, normas legais e regulamentos, metas e
objetivos compreendidos na área auditada;
• exame e avaliação das aplicações de recursos, observando o cumprimento de normas
legais, institucionais e aspectos contratuais pertinentes;
• avaliação do alcance dos objetivos das operações financeiras, investimentos,
imobilizações, obrigações, despesas, receitas, fundos e programas, etc.;
• exame e avaliação das fontes de recursos, observando os aspectos econômicos acerca
da tempestividade de sua aplicação;
• exame e avaliação da rentabilidade das aplicações e sua contribuição na formação do
resultado da empresa;
• transparência, adequação e tempestividade das informações, particularmente em relação
aos Princípios Fundamentais de Contabilidade;
• emissão de opinião sobre as Demonstrações Contábeis, fundos e programas e planos de
natureza financeira, instituídos ou administrados pela empresa;
• assessoramento ao Conselho Fiscal, em matéria compreendida no âmbito de sua
competência específica; e

• acompanhamento dos trabalhos de auditoria independente.
5.2 Auditoria na Área Operacional
O objetivo maior da Auditoria Operacional é assessorar a administração no desempenho
efetivo de suas funções e responsabilidades, avaliando se a organização, departamento,
sistemas, funções, operações e programas auditados estão atingindo os objetivos propostos com
identificação de falhas e irregularidades no sistema operacional.
5.3 Auditoria de Gestão
A Auditoria Interna em nível gestional desempenha suas atividades participando de
reuniões de diretoria, comitês operacional-financeiros, grupos envolvidos com projetos de
qualidade total, etc. Trabalha em nível de planejamento estratégico, tático e no processo decisório
decorrente da aplicação de sistemas, políticas, critérios e procedimentos.
5.4 Auditoria de Sistemas Informatizados
Os sistemas informatizados tiveram sua aplicação tão ampliada com o passar dos anos,
que hoje é quase impossível, imaginarmos uma entidade sem eles. Instituições financeiras,
indústrias, comércio, serviços, tudo está estruturado em nível de controles sobre os sistemas
informatizados.
Dessa forma, o auditor interno não pode furtar-se à possibilidade de examinar e avaliar
esses sistemas. O auditor interno envolve-se no processo de planejamento, desenvolvimento,
testes e aplicação dos sistemas, preocupando-se com a estrutura lógica, física, ambiental,
organizacional de controle, segurança e proteção de dados. Cabe-lhe informar a administração
sobre: adequação, eficácia, eficiência e desempenho dos sistemas e respectivos procedimentos
de segurança em processamento de dados.
5.5 Auditoria da Qualidade
Com o aumento da competitividade em função da globalização da economia e das
exigências de novos mercados, passamos a conviver diariamente com novos conceitos em
produtos e serviços, a que chamamos qualidade. As normas ISO 9000 definem claramente as
exigências que devem ser perseguidas a fim de obtermos a qualidade. O auditor interno mais
uma vez é chamado a dar sua contribuição, assessorando a alta administração.
Podemos dizer que a Auditoria da Qualidade é uma avaliação planejada, programada e
documentada, executada por pessoas independentes da área auditada, visando a verificar a
eficácia de um sistema implantado, no atingimento dos objetivos e padrões preestabelecidos,
servindo como mecanismo de retroalimentação e aperfeiçoamento do próprio sistema.
As Auditorias de Qualidade podem ser classificadas em internas e externas. Por exemplo:
Auditoria Interna da Qualidade – quando ocorre avaliação do plano de desenvolvimento
do produto, para verificar o atendimento dos requisitos do cliente.
Auditoria Externa da Qualidade – avaliação de fornecedores de matérias-primas.
Quanto ao objeto, a Auditoria de Qualidade classifica-se em: Auditoria de Sistemas,
Auditoria de Processos e Auditoria de Produtos.

5.6 Auditoria Ambiental
Talvez o ramo mais recente da Auditoria Interna seja o que chamamos de Auditoria
Ambiental. Prática corrente em países do chamado primeiro mundo, é o ramo da Auditoria Interna
que examina e analisa os prováveis impactos que as empresas possam causar ao meio
ambiente, com reflexo direto sobre a imagem delas no mercado e, consequentemente, sobre a
captação de recursos, sob a forma de financiamentos ou lançamento de ações no mercado
financeiro.
O trabalho da Auditoria Interna deverá caminhar no sentido de formar opiniões
consistentes, não apenas em relação aos custos dos empreendimentos, como também aos riscos
ambientais previstos com sua implantação e às medidas compensatórias e reparadoras a serem
tomadas. Um exame de auditoria em atividades com envolvimento em relação ao meio ambiente
deverá considerar a existência de relatório de impacto ambiental; as políticas traçadas pela alta
administração. É preciso saber como e quanto a utilização predatória dos recursos naturais
degrada a qualidade do meio ambiente, afeta a vida de uma população ou mesmo o valor de uma
propriedade próxima às instalações da empresa.

6. ESTRUTURAORGANIZACIONAL DO DEPARTAMENTO
A estrutura de uma Auditoria Interna está na relação direta com o tamanho da entidade
em que vai atuar e os objetivos definidos pela administração para suas atividades.
As funções de chefia e supervisão de uma Auditoria Interna são privativas do Contador,
bem como as atividades relacionadas à competência profissional dos mesmos (Resolução CFC
nº 560-83). Poderá, todavia, contar com a colaboração de outros profissionais, especialmente
quando se tratar de trabalhos em áreas que requerem especializações e que não podem ser
realizadas pelo Contador.
A seguir estão apresentados alguns exemplos de cargos utilizados em departamentos
de auditoria interna e suas funções.
6.1 Chefia da Auditoria
Características da Função:
Função especializada, a qual está afeto o processo de planejamento, coordenação,
controle e administração do departamento de Auditoria Interna, incumbindo-lhe, genericamente:
• definir a política operacional, bem como as técnicas a serem utilizadas pelas várias áreas
de atuação e sua interação com os demais setores da empresa;
• prestar assessoramento à alta administração no que tange ao campo de atuação da
Auditoria Interna;
• sugerir a simplificação dos procedimentos existentes na empresa, bem como recomendar
alterações que visem à melhoria dos controles internos existentes, com o intuito de evitar
erros ou fraudes que possam determinar a descontinuidade da empresa.
Discriminação das Principais Atividades:
• normatizar, planejar, controlar, coordenar e orientar as atividades da Auditoria Interna na
empresa (entidade) e nas suas controladas e coligadas;
• avaliar a eficiência e a eficácia, a adequação e o grau de qualidade dos controles
contábeis, financeiros, fiscais, tributários, orçamentários, operacionais e administrativos;
• acompanhar as atividades de auditoria e fiscalização realizadas pelos órgãos de controle
interno, Tribunal de Contas, Secretaria de Controle Interno, Banco Central, Conselho
Fiscal, Auditores Independentes e outros órgãos competentes;
• elaborar o Plano Anual de Atividades de Auditoria;
• orientar e acompanhar a realização das auditorias constantes do Plano Anual de Auditoria
Interna, quando necessárias ou determinadas pela alta administração, no âmbito das
empresas controladas;
• encaminhar, periodicamente, à alta administração o relatório das atividades desenvolvidas
durante determinado período;

• informar, de forma imediata, a ocorrência de fatos relevantes verificados na empresa, no
decorrer dos traia-lhos;
• recomendar, quando julgar oportuno, medidas preventivas ou saneadoras de problemas
identificados, em vista à observação de procedimentos, políticas, diretrizes, com o objetivo
de evitar falhas, fraudes e ocorrências que possam abalar a empresa;
• instituir e manter atualizados os manuais de procedimentos de auditoria, o Plano Anual de
Atividades de Auditoria, bem como os Programas de Auditoria;
• efetuar a avaliação do pessoal sob sua responsabilidade;
• coordenar os programas de treinamento de seus subordinados.
6.2 Supervisor de Auditoria
Características da Função:
Função de natureza especializada, com a atribuição genérica de orientar e supervisionar
as atividades relacionadas à Auditoria Interna, bem como manter o relacionamento com os órgãos de controle e auxiliar a administração da empresa.
Discriminação das Principais Atividades:
• participar da preparação do Plano Anual de Atividades da Auditoria;
• consolidar os resultados dos trabalhos desenvolvidos;
• revisar os relatórios de auditoria, atentando para a correção formal ou mesmo de
posicionamentos frente à variedade de situações encontradas;
• acompanhar a revisão dos normativos implantados, inclusive no que diz respeito aos
controles internos existentes;
• assessorar, quando chamado, as várias áreas: contábil, fiscal, orçamentária, financeira,
administrativa e de sistemas informatizados;
• avaliar os resultados obtidos em relação às metas e objetivos previamente traçados;
• orientar e coordenar as atividades de auditoria, prestando assistência à equipe em
formação;
• elaborar relatórios, pareceres, informações ou outros documentos dirigidos à alta
administração;
• acompanhar e auxiliar as Auditorias Externas, quando previsto no plano de trabalho;
• avaliar o desempenho dos auditores sob sua supervisão.
6.3 Auditor Sênior/Pleno
Características da Função:
Função de natureza especializada, com a atribuição genérica de coordenar, acompanhar,
executar e revisar os trabalhos de auditoria, bem como garantir-lhes a conformidade aos padrões
de desempenho.

Discriminação das Principais Atividades:
• colher informações sobre os trabalhos desenvolvidos;
• planejar os trabalhos a serem desenvolvidos em campo, de acordo com as normas
preestabelecidas;
• elaborar e atualizar os Programas de Auditoria para os trabalhos de campo;
• conduzir e executar os trabalhos de campo, determinando os procedimentos de auditoria
aplicáveis e a necessidade de extensão ou integração a outros trabalhos;
• administrar o trabalho de campo quanto a sua extensão, orçamento de horas e custos;
• supervisionar os auditores sob sua coordenação na condução dos trabalhos de campo;
• elaborar relatórios, com a indicação dos fatos, causas, quando relevantes, e
recomendações de ações corretivas, visando à melhoria dos controles e do desempenho
da área;
• discutir, com as áreas auditadas, os assuntos abordados nos relatórios;
• elaborar parecer sobre assuntos relacionados aos controles internos da empresa, quando
solicitado pela administração;
• avaliar o pessoal sob sua responsabilidade;
• cooperar no exame do Processo de Prestação de Contas, no caso de empresas estatais;
• verificar, nas áreas auditadas, a adoção das recomendações feitas.
6.4 Auditor Júnior
Características da Função:
Função de natureza especializada, com a atribuição genérica de executar trabalhos de
auditoria, efetuando avaliações nos controles internos existentes, em todas as áreas, inclusive na
de processamento de dados.
Discriminação das Principais Atividades:
• executar as atividades de auditoria nas unidades da empresa e suas controladas ou
mantidas, de acordo com o programa de auditoria estabelecido;
• examinar bens, valores e a execução orçamentária;
• verificar o acompanhamento e a fiscalização da execução dos contratos, convênios e
acordos;
• examinar os controles e registros das operações e serviços quanto à obediência das
normas e procedimentos estabelecidos, apontando as necessidades e falhas na condução
de qualquer atividade;
• recomendar medidas preventivas, com a finalidade de adequar os procedimentos aos atos
normativos, visando a evitar falhas nos controles internos;
• colaborar na elaboração dos relatórios.

7. AUTONOMIAPROFISSIONAL
O auditor interno, por ser funcionário da empresa, não raras vezes tem sua autonomia
questionada. Somente com um posicionamento profissional diretamente ligado a conceitos éticos,
ele poderá consolidar sua condição de autonomia para executar suas atividades. O auditor
precisa de autonomia e credibilidade para poder revisar e avaliar políticas e planos,
procedimentos, normas, operações e registros, de maneira a contar com a absoluta confiança e
apoio dos auditados, do corpo gerencial e da alta administração.
Faz-se mister que o auditor interno, no desempenho de suas atividades, imprima
qualidade excepcional aos seus relacionamentos profissionais, atuando como consultor, isto é,
esclarecendo dúvidas à medida que elas surgem, identificando a origem dos problemas
detectados e discutindo prontamente a solução com seu auditado, sempre agindo com lisura,
paciência, educação, respeito, criatividade e senso crítico. A adoção deste posicionamento
tornará o auditor interno um profissional mais respeitado, consolidando sua credibilidade junto à
organização.

8. POSICIONAMENTO E SUBORDINAÇÃO
Não raras vezes, encontram-se auditores internos, ou seu departamento, subordinados a
diretores financeiros. Esta é uma deformidade em nível de estrutura organizacional, pois
subordina o auditor interno a uma chefia que comanda uma série de departamentos da empresa,
que serão alvo de seu trabalho. Fatalmente haverá o constrangimento profissional, e a perda da
autonomia, condição indispensável à realização de um trabalho adequado. É recomendável que o auditor interno esteja subordinado ao nível mais elevado possível
dentro da organização, como ao Presidente da entidade. Isso refletirá diretamente sobre a
qualidade do trabalho executado e sobre os resultados que este propiciará à empresa. Outra
razão para esta linha de vinculação é que, estando o auditor vinculado a um diretor, isso poderá
afetar a credibilidade do seu trabalho, na medida em que possa ser visto pelas demais diretorias
como um membro daquela verificando transações das outras. Consequentemente, a vinculação
do auditor interno diretamente ao Presidente ou Conselho de Administração, ou à Diretoria como
Colegiado, passa a ser condição fundamental para a aceitação da Auditoria Interna como um real
instrumento de controle e assessoria útil para a empresa.

9. FRAUDE E ERRO
Ao realizarem seus exames, os auditores internos devem estar conscientes da
possibilidade de existirem fraudes ou erros nos registros que examinam. Devem, portanto,
examinar com acurado zelo profissional os meios usados para proteger o patrimônio contra os
diversos tipos de danos decorrentes de roubo, fraude, atividades ilegais ou atentatórias a esse
patrimônio, assim como sua segurança contra mau uso, intempéries, incêndios e situações
similares.
Os auditores internos devem ter conhecimentos técnicos sobre os sistemas e
procedimentos da organização, bem como sobre os tipos e características básicas de fraude ou
erros possíveis de ocorrerem na área de atividades de seus exames. Devem, ainda, ser capazes
de identificar os indícios de possíveis ocorrências de fraudes ou riscos de atos atentatórios, aqui
incluídos os erros, ao patrimônio da organização.
A NBC T 12, item 12.1.4, conceitua fraude e erro, como segue:
“12.1.4.1 O termo ‘fraude’ aplica-se a atos voluntários de omissão e manipulação de transações e operações, adulteração de documentos, registros, relatórios e demonstrações contábeis, tanto em ter-mos físicos quanto monetários.
12.1.4.2 O termo ‘erro’ aplica-se a atos involuntários de omissão, desatenção, desconhecimento ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e demonstrações contábeis, bem como de transações e operações da Entidade, tanto em termos físicos quanto monetários.”
A prevenção desses riscos compreende as medidas tomadas pela administração por meio
de um sistema contábil adequado e um controle interno eficaz, a fim de desencorajar sua
perpetração e limitar sua possibilidade de ocorrência. A adoção de controles que previnam a
ocorrência de fraudes contra o patrimônio, ou permitam detectá-las quando ocorrem, é
responsabilidade tanto gerencial quanto diretiva. A constatação da existência de fraudes contra o
patrimônio é responsabilidade da administração, mediante a estrutura de controle por ela
determinada.
Os exames da Auditoria Interna tem, entre outros, o escopo de assessorar a
administração na prevenção de fraudes, porquanto são efetuados com bases em testes, de
tamanho e periodicidade apropriados. Se o auditor tivesse a responsabilidade específica de
descobrir todas as fraudes, teria de ampliar seu trabalho a tal ponto que seu custo poderia vir a se
tornar proibitivo. Assim mesmo, ele não poderia garantir que todos os tipos de fraude teriam sido
descobertos, ou que nenhuma outra existisse, porque as transações não-contabilizadas, as
fraudes em custeio e as falsificações não seriam necessariamente descobertas.
O erro decorre de atos involuntários de omissão, desatenção, desconhecimento ou má
interpretação de fatos na elaboração dos registros contábeis e demonstrações contábeis, bem
como da deficiência no cumprimento dos controles inter-nos.

10. RELATÓRIO DE AUDITORIAINTERNA
O Relatório do auditor é o produto final do seu trabalho e, como tal, deve ser apresentado,
visto e entendido pelo auditado, ou mesmo pelo usuário da auditoria. Considerado como veículo
principal de relacionamento entre o auditor e a entidade auditada, o Relatório é documento
técnico e deve obedecer a normas de apresentação, forma e objetivos.
O Relatório é o ponto de ligação entre o trabalho planejado e o efetivamente realizado. É o
instrumento que revela à administração da empresa a qualidade e a contribuição da Auditoria
Interna, suas constatações, opiniões técnicas e recomendações. Serve também como documento
de avaliação do trabalho efetuado pelo auditor, podendo ser enquadrado nas seguintes situações:
• execução de um trabalho incompleto: sem examinar fatos relevantes, não reportando
situações importantes;
• execução de um trabalho com imperícia: exame dos fatos sem a constatação quanto a
ineficiência e desacertos;
• execução de trabalho com negligência: verificaram-se fatos desabonatórios e não foram
relatados, ou o foram com ineficiência, não possibilitando avaliações precisas.
O Relatório deve conter avaliações precisas dos fatos verificados, recomendando
mudanças que visem ao saneamento das irregularidades levantadas, estabelecendo controles e
conferências que possibilitem eliminá-las em definitivo. O Relatório deve, além de objetivo, ser
oportuno, possibilitando a adequada tomada de decisão pela administração da empresa.
10.1 Importância
Para o Auditado:
- funciona como uma avaliação do trabalho do auditado;
- indica a necessidade de ações corretivas.
Para a Administração:
é um indicador de avaliação do desempenho dos seus profissionais, em suas funções.
Para a Auditoria:
objetivamente, é um dos meios pelo qual a alta administração julga e avalia a qualidade da
auditoria.

10.2 Tipos de Relatórios
Relatórios Preliminares:
• relatórios periódicos, emitidos durante o andamento de uma auditoria;
• apresentam maior simplicidade na formulação;
• são ágeis na discussão dos pontos junto ao auditado.
Relatórios Finais:
• são completos e abrangentes;
• incluem informações quanto à natureza dos assuntos, escopo do trabalho e índice de
pontos;
• incluem, além dos fatos e recomendações, uma opinião geral sobre a área auditada.
Relatórios Especiais:
• originários de trabalhos de natureza especial, como por exemplo:
a) compra de uma empresa;
b) avaliação de um projeto específico;
c) acompanhamento da fabricação de equipamento de grande porte adquirido pela
empresa;
• assuntos confidenciais, que não podem ser tratados em relatórios normais;
• trabalhos específicos, como: apreciação da atuação de executivos; suposições de
fraudes; etc.

11. RELACIONAMENTO TÉCNICO- PROFISSIONAL COM OS AUDITORES INDEPENDENTES
Nos dias de hoje, é prática comum nas grandes empresas, que têm suas demonstrações
contábeis examinadas por auditores independentes, a participação significativa da Auditoria
Interna nos trabalhos.
Apesar de não apresentarem o mesmo enfoque quanto à atuação, algumas avaliações são
semelhantes em nível interno como externo, possibilitando a este último um melhor desempenho
e estendendo suas avaliações a rotinas não verificadas anteriormente.
Como resultado deste entrelaçamento de atividades, ocorrerá uma avaliação melhor por
parte dos auditores independentes, na medida em que seu trabalho será direcionado a fatos
específicos de grande relevância para a empresa, evitando a repetição de trabalhos já
minuciosamente examinados pela Auditoria Interna. A constante utilização dos trabalhos da
Auditoria Interna irá influenciar a auditoria independente no sentido de avaliar a atuação daquela.

12. GARANTIADE QUALIDADE E EXCELÊNCIA PROFISSIONAL NO TRABALHO DAAUDITORIAINTERNA
Vivemos um momento, em nível mundial, em que o foco, nas relações comerciais,
industriais, de serviços, enfim, em todas as atividades ou transações realizadas, é o que
chamamos de Qualidade. Agregam-se a este conceito os de Produtividade e Excelência. Os
auditores internos, por estarem totalmente envolvidos, em suas empresas, com esses programas,
têm a obrigação moral de trazerem para o seio de suas atividades os mesmos conceitos. Para
tanto, precisam assegurar-se, continuamente, de que os trabalhos desenvolvidos pela equipe de
Auditoria Interna estão pautados pela qualidade e excelência profissionais.
Dessa forma, a chefia da área de Auditoria Interna deve estabelecer um programa de
garantia de qualidade e excelência nos trabalhos de sua alçada. Assim, estaremos certificandonos
de que os trabalhos do auditor interno estão sendo efetuados de conformidade com as
normas para o exercício da Auditoria Interna, ditadas pelo Conselho Federal de Contabilidade e,
complementarmente, por órgãos de controle a que a entidade esteja subordinada. A supervisão
do trabalho deve ser contínua, a fim de assegurar a conformidade das técnicas utilizadas e dos
programas elaborados com as normas de Auditoria Interna. O trabalho será revisado
periodicamente, procurando sempre manter-se um padrão de qualidade.

13. ASPECTOS RELATIVOS AO CONTROLE INTERNO E EXTERNO NAÁREA PÚBLICA
A Constituição Federal de 1988 aperfeiçoou o Controle da Administração Pública,
distribuindo-o em três etapas, a saber:
- Controle Interno de cada Poder (art. 70);
- Controle Externo (art. 71);
- Controle Interno Integrado (art. 74).
O primeiro deve estar subordinado administrativamente ao respectivo titular do Poder
Legislativo, Executivo ou Judiciário, com a finalidade de:
• proteger e salvaguardar os bens e outros ativos contra fraudes, perdas ou erros nãointencionais;
• assegurar o grau de confiabilidade da informação contábil-financeira, com o objetivo de
auxiliar o processo de tomada de decisões;
• promover a eficiência, a eficácia e a economicidade no desempenho e utilização dos
recursos públicos;
• impulsionar a adesão à política estabelecida pela administração à qual se vincula e servir
de guardião dos princípios de controle interno integrados.
O Controle Externo é de competência do Poder Legislativo, sendo exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas, que teve, na Constituição de 1988, significativa ampliação de suas
atribuições.
O Controle Interno Integrado constitui uma inovação na Carta Magna e objetiva o controle
do Estado, ou seja, do conjunto dos três Poderes, coordenando as atividades de Controle Interno
de cada Poder e atuando de modo independente, para dar pleno sentido à sua função de apoiar o Controle Externo no exercício de sua missão institucional (art. 74, IV).
Como reforço à idéia de que o Controle Interno Integrado constitui o Controle da Entidade, a
própria Constituição estabeleceu que os responsáveis pelo Controle Interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas, sob pena de responsabilidade solidária.
No Estado do Rio Grande do Sul, a Constituição de 1989 estabeleceu que o Controle
Interno terá organização una e integrada, compondo órgão de contabilidade e auditoria-geral do
Estado, com delegações nos três Poderes.
Essa é a estrutura atual do Controle Interno em nosso Estado, que tem como órgão central
a Contadoria e Auditoria-
-Geral do Estado, a qual possui delegações nos diversos órgãos do Poder Executivo, assim como
nos poderes Legislativo e Judiciário e, ainda, junto ao Ministério Público.
Em 1986, mediante o Decreto nº 93.216-86, foi adotado um passo importante para a
consolidação e valorização das auditorias internas nas empresas estatais do Governo Federal:
ficou determinado que todas as empresas deveriam dispor, na sua estrutura organizacional, de
uma unidade de Auditoria Interna, cujo titular somente seria admitido ou dispensado por proposta
da Diretoria, aprovada pelo Conselho de Administração. Esse mesmo decreto estabeleceu que o
plano de trabalho anual das auditorias fosse aprovado pelo Conselho Fiscal e que essas medidas

fossem consolidadas nos estatutos sociais das empresas, o que está vigorando até este
momento.

Em sete de julho de 1989, foram aprovadas, mediante a Instrução Normativa STF/MF nº
010, as Normas do Sistema de Auditoria para a área pública federal, que vieram com o objetivo
de padronizar os trabalhos de auditoria realizados pelo Executivo.
Tal normativa veio definir o Sistema de Auditoria, composto pela Subsecretaria de Auditoria
e pelas Coordenadoras de Auditoria.
Posteriormente, foi editado o Decreto 99.244, de 10 de maio de 1990, tendo por objetivo
reorganizar a Presidência da República, os Ministérios e a competência para o controle das
empresas estatais, cuja responsabilidade, até então, estava afeta à Secretaria de Controle das
Empresas Estatais – SEST, passando a responsabilidade ao Departamento de Orçamento da
União, vinculado à Secretaria Nacional de Planejamento do MEFP.
O Departamento do Tesouro Nacional, mediante a Instrução Normativa nº 016, de 20 de
dezembro de 1991, definiu as diretrizes e estabeleceu normas a serem observadas pelos
Auditores do Sistema de Controle Interno.
A Medida Provisória nº 899, de 16 de fevereiro de 1995, organizou e disciplinou os Sistemas
de Controle Interno do Poder Executivo, deixando as atividades de Auditoria Interna, fiscalização
e avaliação de gestão sob a orientação técnica e normativa da Secretaria Federal de Controle.
O Sistema de Controle Interno do Poder Executivo tem como órgão central o Ministério da
Fazenda e compreende:
a) o Conselho Consultivo do Sistema de Controle Interno;
b) a Secretaria Federal de Controle;
c) a Secretaria do Tesouro Nacional;
d) as Unidades de Controle Interno dos Ministérios.
Ao nível das instituições financeiras, órgãos como o Banco Central do Brasil e a própria
Comissão de Valores Mobiliários efetuam controle financeiro sobre as empresas estatais.
Além dos órgãos acima mencionados, existem a Comissão de Fiscalização e Controle do
Senado e Câmara dos Deputados, Instituições Financeiras Internacionais, BID e BIRD, Auditorias
Independentes, Conselhos Fiscais das Empresas e Controladoras.

ANEXOS
(NBC T 12 e NBC P 3)

RESOLUÇÃO CFC Nº 780
de 24 de março de 1995
Aprova a NBC T 12 – Da Auditoria Interna.
O CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, no exercício de suas atribuições legais e
regimentais,
CONSIDERANDO o que dispõe a Resolução CFC nº 751-93, de 29 de dezembro de
1993;
CONSIDERANDO o estudo desenvolvido pelo Grupo de Estudo instituído pela Portaria
CFC nº 2-95, sob a coordenação do Contador Ynel Alves de Camargo, tendo como participantes
os Contadores Antonio Luiz Sarno, George Sebastião Guerra Leone, Luiz Francisco Serra;
CONSIDERANDO a importância da elaboração de normas reguladoras para o campo do
exercício profissional contábil;
RESOLVE:
Art.1º Aprovar a Norma Brasileira de Contabilidade, assim discriminada: NBC T 12 – Da
Auditoria Interna.
Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua assinatura.
Brasília, 24 de março de 1995.
JOSÉ MARIA MARTINS MENDES
Presidente

NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE
NBC T 12 – DA AUDITORIA INTERNA
12.1 – CONCEITUAÇÃO E DISPOSIÇÕES GERAIS
12.1.1 – Conceituação e Objetivos da Auditoria Interna
12.1.1.1 – A auditoria interna constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por
objetivo examinar a integridade, adequação e eficácia dos controles internos e das
informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais da Entidade.
12.1.1.2 – A auditoria interna é de competência exclusiva de Contador registrado em Conselho
Regional de Contabilidade, nesta norma denominado auditor interno.
12.1.2 – Procedimentos da Auditoria Interna
12.1.2.1 – Os procedimentos de auditoria interna são os exames, incluindo testes de
observância e testes substantivos, que permitem ao auditor interno obter provas
suficientes para fundamentar suas conclusões e recomendações.
12.1.2.2 – Os testes de observância visam a obtenção de uma razoável segurança de que os
controles internos estabelecidos pela administração estão em efetivo funcionamento,
inclusive quanto ao seu cumprimento pelos funcionários da Entidade.
12.1.2.3 – Os testes substantivos visam à obtenção de evidência quanto à suficiência, exatidão
e validade dos dados produzidos pelos sistemas de informações da Entidade.
12.1.2.4 – As informações que fundamentam os resultados da auditoria interna são
denominadas de evidências, que devem ser suficientes, fidedignas, relevantes e úteis, de modo a fornecerem base sólida para as conclusões e recomendações.
12.1.3 – Papéis de Trabalho
12.1.3.1 – Os papéis de trabalho são o conjunto de documentos e apontamentos com
informações e provas coligidas pelo auditor interno que consubstanciam o trabalho
executado.
12.1.4 – Fraude e Erro
12.1.4.1 – O termo fraude aplica-se a atos voluntários de omissão e manipulação de transações
e operações, adulteração de documentos, registros, relatórios e demonstrações
contábeis, tanto em termos físicos quanto monetários.

12.1.4.2 – O termo erro aplica-se a atos involuntários de omissão, desatenção,
desconhecimento ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e
demonstrações contábeis, bem como de transações e operações da Entidade, tanto
em termos físicos quanto monetários.
12.1.4.3 – O auditor interno deve assessorar a administração no trabalho de prevenção de erros
e fraudes, obrigando-se a informá-la, de maneira reservada, sobre quaisquer indícios
ou confirmações de erros ou fraudes detectados no decorrer de seu trabalho.
12.2 – NORMAS DE EXECUÇÃO DOS TRABALHOS
12.2.1 – Planejamento da Auditoria Interna
12.2.1.1. – O planejamento do trabalho de auditoria interna compreende os exames preliminares
da Entidade, para definir a amplitude do trabalho a ser realizado de acordo com as
diretivas estabelecidas pela administração.
12.2.1.2 – O planejamento deve considerar todos os fatores relevantes na execução dos
trabalhos, especialmente os seguintes:
a) o conhecimento detalhado dos sistemas contábil e de controles internos da Entidade
e seu grau de confiabilidade;
b) a natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos de auditoria interna a serem
aplicados;
c) a existência de Entidades associadas, filiais e partes relacionadas que estejam no âmbito dos exames da auditoria interna;
d) o uso do trabalho de especialistas e outros auditores;
e) os ciclos operacionais da Entidade relacionados com volume de transações e
operações;
f) o conhecimento das atividades operacionais da Entidade, como suporte para a análise
eficaz dos procedimentos e sistemas de Contabilidade de Custos que estão sendo
aplicados para acompanhar e controlar o uso e o consumo de recursos, visando
verificar a existência de desvios em relação às rotinas preestabelecidas;
g) o conhecimento da execução orçamentária, tanto operacional como de investimentos,
no sentido de verificar a exatidão de apropriação dos valores, se os desvios estão
sendo controlados e se as conseqüentes ações corretivas estão sendo aplicadas.
12.2.1.3 – O auditor interno deve documentar seu planejamento e preparar, por escrito, o
programa de trabalho, detalhando o que for necessário à compreensão dos
procedimentos que serão aplicados, em termos de natureza, oportunidade e
extensão.
12.2.1.4 – Os programas de trabalho, estruturados de forma a servir como guia e meio de
controle, devem ser revisados e/ou atualizados quando necessário.
12.2.2 – Aplicação dos Procedimentos de Auditoria Interna

12.2.2.1 – O auditor interno deve obter, analisar, interpretar e documentar as informações
físicas, contábeis, financeiras e operacionais para dar suporte aos resultados de seu
trabalho.
12.2.2.2 – O processo de avaliação das informações contábeis compreende:
a) a obtenção de informações sobre todos os assuntos relacionados com os objetivos e
alcance da auditoria interna. As informações devem ser suficientes, adequadas,
relevantes e úteis no fornecimento de evidências às conclusões e recomendações da
auditoria interna:
1. a informação suficiente é factual e convincente, de tal forma que uma pessoa
prudente e informada possa entendê-la da mesma forma que o auditor interno;
2. a informação adequada é aquela que, sendo confiável, propicia a melhor evidência
alcançável através do uso apropriado das técnicas de auditoria interna;
3. a informação relevante é a que dá suporte às conclusões e recomendações da
auditoria interna;
4. a informação útil é a que auxilia a Entidade a atingir suas metas;
b) a aplicação dos procedimentos de auditoria interna, incluindo os testes e técnicas de
amostragem, e, onde praticável, deve ser definida antecipadamente e ampliada ou
alterada se as circunstâncias assim o exigirem.
12.2.2.3 – O processo deve ser supervisionado para alcançar razoável segurança de que o
objetivo do trabalho da auditoria interna está sendo atingido.
12.2.2.4 – O auditor interno deve adotar procedimentos adequados para assegurar-se que todas
as contingências ativas e passivas relevantes, decorrentes de processos judiciais,
reivindicações e reclamações, bem como de lançamentos de tributos e contribuições
em disputa, foram identificadas e são do conhecimento da administração da
Entidade.
12.2.2.5 – O auditor interno deve examinar a observância das legislações tributária, trabalhista e
societária, bem como o cumprimento de normas reguladoras a que estiver sujeita a
Entidade.
12.2.3 – Documentação da Auditoria Interna
12.2.3.1 – O auditor interno deve documentar, através de papéis de trabalho, todos os
elementos significativos dos exames realizados, que evidenciem ter sido a auditoria
interna executada de acordo com as normas aplicáveis.
12.2.3.2 – Os papéis de trabalho devem ter abrangência e grau de detalhe suficientes para
propiciarem a compreensão do planejamento, da natureza, da oportunidade e
extensão dos procedimentos de auditoria interna aplicados, bem como do julgamento
exercido e do suporte das conclusões alcançadas.
12.2.3.3 – Os papéis de trabalho devem ser elaborados, organizados e arquivados de forma
sistemática e racional.

12.2.3.4 – Ao se utilizar de análises, demonstrações ou quaisquer outros documentos, o auditor
interno deve certificar-se de sua exatidão, sempre que integrá-
-los aos seus papéis de trabalho.
12.2.4 – Amostragem Estatística
12.2.4.1 – Ao determinar a extensão de um teste de auditoria interna ou método de seleção dos
itens a serem testados, o auditor interno pode empregar técnicas de amostragem
estatística.
12.2.5 – Processamento Eletrônico de Dados – PED
12.2.5.1 – O auditor interno deve dispor de conhecimento suficiente dos recursos de PED e dos
sistemas de processamento da Entidade, a fim de avaliá-los e planejar
adequadamente seu trabalho.
12.2.5.2 – O uso de técnicas de auditoria interna que demande o emprego de recursos de PED,
requer que o auditor interno as domine completamente, de forma a implementar os
próprios procedimentos ou, se for o caso, orientar, supervisionar e revisar os
trabalhos de especialistas.
12.3 – NORMAS RELATIVAS AO RELATÓRIO DO AUDITOR INTERNO
12.3.1 – O relatório é o instrumento técnico pelo qual o auditor interno comunica os trabalhos
realizados, suas conclusões, recomendações e as providências a serem tomadas
pela administração.
12.3.2 – O relatório deve ser redigido com objetividade e imparcialidade, de forma a expressar
claramente os resultados dos trabalhos realizados.
12.3.3 – O relatório do auditor interno é confidencial e deve ser apresentado ao superior
imediato ou pessoa autorizada que o tenha solicitado.
12.3.4 – O auditor interno deve, no seu relatório, destacar, quando for o caso, as áreas não
examinadas, informando os motivos pelos quais não as contemplou.
(Publicada no DOU de 10-04-95.)
RESOLUÇÃO CFC Nº 781 de 24 de março de 1995
Aprova a NBC P 3 – Normas Profissionais do auditor interno.

O CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, no exercício de suas atribuições legais e
regimentais,
CONSIDERANDO o que a Resolução CFC nº 780-95, de 24 de março de 1995, aprovou a
NBC T 12 – Da Auditoria Interna;
CONSIDERANDO a estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade prevista na
Resolução CFC nº 751-93, de 29 de dezembro de 1993;
CONSIDERANDO os resultados dos estudos e debates promovidos pelo Grupo de
Estudo, instituído pela Portaria CFC nº 2-95;
RESOLVE:
Art. 1º Aprovar a NBC P 3 – Normas Profissionais do Auditor Interno.
Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua assinatura.
Brasília, 24 de março de 1995.
JOSÉ MARIA MARTINS MENDES
Presidente
NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE

NBC P 3 – NORMAS PROFISSIONAIS DO
AUDITOR INTERNO
3.1 – COMPETÊNCIA TÉCNICO-PROFISSIONAL
3.1.1 – O Contador, na função de auditor interno, deve manter o seu nível de competência
profissional pelo conhecimento atualizado das Normas Brasileiras de Contabilidade,
das técnicas contábeis, especialmente na área de auditoria, da legislação inerente à
profissão, dos conceitos e técnicas administrativas e da legislação aplicável à
Entidade.
3.2 – AUTONOMIA PROFISSIONAL
3.2.1 – O auditor interno, não obstante sua posição funcional, deve preservar sua autonomia
profissional.

3.3 – RESPONSABILIDADE DO AUDITOR INTERNO NA
EXECUÇÃO DOS TRABALHOS
3.3.1 – O auditor interno deve ter o máximo de cuidado, imparcialidade e zelo na realização
dos trabalhos e na exposição das conclusões.
3.3.2 – A amplitude do trabalho do auditor interno e sua responsabilidade estão limitadas à
sua área de atuação.
3.3.3 – A utilização da equipe técnica supõe razoável segurança de que o trabalho venha a
ser executado por pessoas com capacitação profissional e treinamento requeridos
nas circunstâncias.
3.3.4 – Cabe também ao auditor interno, quando solicitado, prestar assessoria ao Conselho
Fiscal ou Órgãos equivalentes.
3.4 – RELACIONAMENTO COM PROFISSIONAIS DE
OUTRAS ÁREAS
3.4.1 – O auditor interno pode realizar trabalhos de forma compartilhada com profissionais de
outras áreas, situação em que a equipe fará a divisão de tarefas segundo a
habilitação técnica e legal dos seus participantes.

3.5 – SIGILO
3.5.1 – O auditor interno deve respeitar o sigilo relativamente às informações obtidas durante
o seu trabalho, não as divulgando para terceiros, sob nenhuma circunstância, sem
autorização expressa da Entidade em que atua.
3.5.2 – O dever de manter o sigilo continua depois de terminado o vínculo empregatício ou
contratual.
3.6 – COOPERAÇÃO COM O AUDITOR INDEPENDENTE
3.6.1 – O auditor interno, quando previamente estabelecido com a administração de Entidade
em que atua, e, no âmbito de planejamento conjunto de trabalho a realizar, deve
apresentar os seus papéis de trabalho ao auditor independente e entregar-lhe cópias,
quando este entender necessário.
(Publicada no DOU de 10-04-95.)

GERENCIAMENTO E CONTABILIDADE Domingo, Mai 25 2008 

GERENCIAMENTO E CONTABILIDADE – TUDO A VER!

Júlio César Zanluca – Contabilista e Coordenador do PORTAL DE CONTABILIDADE

A contabilidade é uma ferramenta indispensável para a gestão de negócios. De longa data, contadores, administradores e responsáveis pela gestão de empresas se convenceram que amplitude das informações contábeis vai além do simples cálculo de impostos e atendimento de legislações comerciais, previdenciárias e legais.

Além do mais, o custo de manter uma contabilidade completa (livros diário, razão, inventário, conciliações, etc.) não é justificável para atender somente o fisco. Informações relevantes podem estar sendo desperdiçadas, quando a contabilidade é encarada como mera burocracia para atendimento governamental.

Objetivamente, o custo médio de uma contabilidade de empresa de pequeno porte (faturamento até R$ 120.000/mês) é acima de R$ 500,00. Numa empresa de médio porte (faturamento até R$ 1.000.000/mês) este custo vai a R$ 2.500,00 ou mais. Tais empresas precisam aproveitar as informações geradas, pois obviamente este será um fator de competitividade com seus concorrentes: a tomada de decisões com base em fatos reais e dentro de uma técnica comprovadamente eficaz – o uso da contabilidade.

Na prática, a contabilidade poderá ser útil para várias atividades de gestão empresarial, tais como:

1. Avaliação e projeção de fluxos de caixa
2. Formação dos preços de venda
3. Avaliação de rentabilidade, liquidez e outros indicadores de desempenho
4. Controles internos
5. Análise do ponto de equilíbrio
6. Controle Orçamentário
7. Planejamento tributário, etc.

O primeiro passo para uma contabilidade verdadeiramente gerencial, é que esta seja atualizada, conciliada e mantida com respeito às boas técnicas contábeis.

Desta forma, pressupõe-se, entre outros, que uma contabilidade para uso gerencial deva ter:

1. Contas bancárias devidamente “fechadas” com os respectivos extratos, sendo as diferenças demonstradas e que tais diferenças não afetem o resultado pelo regime de competência. Admite-se, tão somente, as típicas “pendências” bancárias, como cheques não compensados e pequenos valores de débitos e créditos a ajustar. Valores expressivos, como débitos de juros e encargos sobre financiamentos, devem estar contabilizados.
2. Provisões de Férias e 13º Salário feitas mensalmente, com base em relatórios detalhados do departamento de recursos humanos. A falta de provisão mensal distorce as demonstrações contábeis, pois o regime de competência não é atendido.
3. Depreciações, amortizações e exaustões, contabilizadas com base em controles do patrimônio.
4. Registro dos tributos gerados concomitantemente ao fato gerador, efetuando-se também a Provisão do IRPJ e CSLL, conforme regime a que está sujeito a empresa (lucro real, presumido ou arbitrado).
5. Nas empresas que se dedicam às atividades imobiliárias, optar por contabilizar custos orçados das obras. Outras atividades também exigirão técnicas contábeis específicas, como as cooperativas e as instituições financeiras.
6. Receitas, custos e despesas, reconhecidas pelo regime de competência.

Alguns aspectos da legislação fiscal permitem a utilização do regime de caixa, para fins tributários. Porém, de modo algum o regime de competência pode ser substituído pelo regime de caixa numa entidade empresarial, pois se estaria violando um princípio contábil.

A gestão de negócios é algo complexo, mas que pode ser satisfatoriamente executada, com suporte em dados contábeis fidedignos e regulares. Recomenda-se aos gestores que implementem e aperfeiçoem relatórios gerados pela escrituração mercantil, com vistas a ampliar horizontes e conhecimento de seus negócios.

ATRIBUTOS DO ADMINISTRADOR BEM SUCEDIDO Domingo, Mai 25 2008 

ATRIBUTOS DO ADMINISTRADOR BEM SUCEDIDO
Dr Amaury Dabul
O processo da intuição ou o da imaginação fundamenta-se primordialmente na experiência das pessoas acumulada no subconsciente e no inconsciente. E foi das profundezas do cérebro que aflorou na razão um excelente exemplo de pessoa bem sucedida que pudemos acompanhar em sua ascensão na vida profissional. Sempre o consideramos como a pessoa mais bem sucedida que conhecemos, apesar de não ser dotado de muitas das ortodoxas e acadêmicas qualidades que devem ter um bom Administrador.
O excelente desempenho em todos os cargos que ocupou, e que testemunhamos, foi devido ao atributo que possuía em alto grau: sabia escolher os componentes de sua equipe de trabalho. Não possuir as qualidades tradicionais, fato amplamente reconhecido pelos seus pares, em nada prejudicou a alta eficácia sempre demonstrada.
Com este posicionamento, bem fundamentado na razão, em poucos segundos pelo veloz processamento da intuição e imaginação, respondemos à indagação formulada pelo jovem universitário, afirmando que o principal atributo que um Administrador deve ter para ser bem sucedido é:
Talento para formar equipe. Com essa idéia-força, durante cerca de cinco minutos, analisamos com diversos enfoques a pergunta formulada e a resposta objetiva dada. Aparentemente, pelas palmas recebidas, todos gostaram da resposta, menos o conferencista.
Enquanto discorria na resposta e após o término da solenidade, continuando a mentalizar a pergunta, cada vez mais nos convencíamos que, para um Administrador ser bem sucedido, também eram necessários outros atributos. Somente saber formar equipe, por si só, com certeza não garantia
qualquer sucesso na dinâmica da administração.
O sentimento que tivemos era que nosso cérebro processava informações como o gado fica ruminando o capim que já está em seu estômago para poder digeri-lo.
Nossa incômoda insatisfação com a resposta então dada somente se desvaneceu quando nos conscientizamos haver mais três atributos que não poderiam deixar de ser considerados e, ainda, hierarquizados acima do mencionado na resposta ao jovem.
O primeiro atributo é: Mentalidade holística. Nenhum Administrador será bem sucedido tendo sua visão restrita, setorial ou mesmo global. Holística, do grego holos que não tem tradução em português, possui um significado que vai além do global.
Enquanto uma fotografia panorâmica nos dá uma visão global de uma paisagem, uma filmagem da mesma paisagem nos fornece uma visão holística, mostrando, também, a interação das partes, além da visão global.
A mentalidade holística permite ao Administrador ter a capacidade de enfocar sistemicamente a estrutura organizacional sob sua responsabilidade. Isto é fundamental para ser bem sucedido.
Outro atributo é: Visão do futuro.
Lucius Annaeus Seneca (4AC/65DC) nos legou o ensinamento “Não existe vento favorável para quem não sabe para onde vai …”. O Administrador, para ser bem sucedido, tem que bem formular os objetivos a perseguir. É o pressuposto para racionalizar suas atividades no planejamento para o
exercício da administração científica. Sem isto, a mediocridade do seu desempenho é inevitável. Sinteticamente, entenda-se como visão do futuro a “conscientização, pelo ser humano ou por um grupo social, de um cenário prospectivo, onde suas necessidades apresentam-se satisfeitas, necessidades estas existentes ou previsíveis e que consubstanciam seus interesses e aspirações, em dado momento”.
O terceiro atributo que faltava é: Disposição para assumir riscos. Decisão é a função que mais expõe um Administrador.
Não só pelo acerto desejado, mas, principalmente, pela sua oportunidade. Toda decisão importa em assumir riscos. A decisão não oportuna, ou mesmo a simples indecisão, é pior que uma decisão errada oportunamente tomada. Muitos esquecem, ou não se dão conta, que volitivamente não decidir já é uma decisão e encerra os normais riscos que intencionalmente não desejavam assumir. Quem se acovarda quando deve assumir riscos, com certeza nunca será bem sucedido.
Por fim, recolocamos agora como quarto atributo: Talento para formar equipe. Este foi o atributo que detonou todo o processo cognitivo que nos motivou a explorar o assunto.
Continuando a ruminar essas idéias, certamente encontraremos outros atributos tão ou mais importantes que os acima discriminados.
Este tema tem desdobramentos, com certeza!

* Dr Amaury Dabul é Administrador e Profissional de Relações Públicas – Capitão-de-Mar-e-Guerra Reformado – ESG/1973 – Titular da Academia Brasileira de Ciência da Administração

Planeje sua vida! Sábado, Mai 24 2008 

Planeje sua vida!
Paulo Araújo
Prefira a empregabilidade a longo prazo do que a segurança no emprego. Não, não é mais uma destas frases feitas, de impacto e que nos deixam de cabelo em pé. É para refletir e mudar sua postura frente à nova realidade do mercado de trabalho. Não esqueça: você é o dono da sua vida e da sua carreira profissional!
Isso não significa que deve mudar de emprego a todo momento e fazer de cada empresa apenas mais um degrau rumo a sua escalada para o sucesso, porém, carreira e vida pessoal andam de mãos-dadas, juntinhas, praticamente grudadas, portanto, temos de pensar num projeto de vida, e não somente na parte profissional.
Pense naquilo que você faz, já fez ou pretende fazer. Convido você agora a traçar um rumo para seus sonhos e transformá-los em ação:
QUEM SOU EU? – Esta é a perguntinha básica de qualquer projeto de vida. Poucas pessoas pensam em suas atitudes, ponderam sobre seus pontos fortes e aqueles que precisam desenvolver, seu propósito de vida ou realização de sonhos.
Faça uma avaliação honesta sobre você mesmo. Faça-se perguntas como .O que eu gosto de fazer e que faria até de graça?., .O que me deixa impaciente, ansioso e pouco produtivo?., .Tenho medo de quê?. ou .Sou feliz hoje?.. Esta lista de perguntas é pessoal e intransferível, portanto, crie a sua e comece a traçar um perfil de quem você é de quem quer ser.
VISUALIZE O FUTURO! – Faça um pequeno exercício de visualização. Tente imaginar o futuro, sua situação profissional, financeira, amorosa, familiar, física e espiritual. Vá longe! Sonhe com a situação ideal. Imagine um futuro perfeitamente possível. Faça um exercício sério sobre sua vida no futuro e depois escreva no papel o que você visualizou.
CRIE UMA REDE DE RELACIONAMENTOS.
- Os melhores empregos não são preenchidos com anúncios em classificados de jornal – as melhores oportunidades para sua promoção não estão somente na labuta do dia-a-dia. Crie um método para gerenciar seus relacionamentos. Tenha o hábito de se comunicar com seus contatos – pode ser por e-mail, enviando algum artigo interessante, ou promovendo encontros.
Existem diversas maneiras de estar sempre na lembrança de quem pode ajudar na sua carreira e na sua vida. Não seja interesseiro e nem procure amizades somente com pessoas do alto escalão. Este é um erro gravíssimo! E não se esqueça de que esta relação deve de ser de mão dupla, ou seja, você também deve ajudar os outros e ser um importante contato na rede de outra pessoa. Deve ser uma relação .ganha-ganha..
TENHA METAS. – Lembre-se de que temos que ter metas a curto, médio e longo prazo, todas flexíveis. Nada de fechar a mente e ficar .dando murro em ponta de faca., pois as circunstâncias da vida mudam a todo instante – o que não significa que temos de deixar tudo ao acaso.
CUIDE BEM DO SEU DINHEIRO. – Dedique uma atenção especial a este quesito, pois todos temos diferentes fases na vida.
A vida de solteiro é muito diferente da vida de casado, que é diferente com filhos na faculdade, por exemplo. Dedique tempo e estudo para analisar esta questão, afinal, ninguém mais quer ser aposentado do INSS e são muitas as possibilidades de investimento. Poupar nada mais é do que um hábito – mesmo que em pequenos valores -, mas que no futuro pode fazer uma grande diferença. Anote despesas e seja organizado, pois o tempo passa e a hora certa de preparar sua aposentadoria é
quando você inicia a sua carreira.
ESPERE O IMPREVISÍVEL. – Planejar é bom, mas não espere um .céu de brigadeiro . na sua vida, pois as turbulências sempre ocorrerão. Nada é estático: podemos perder o emprego ou ter algum problema de saúde ou financeiro. Somos seres finitos e, sob certos aspectos, muito sensíveis a .chuvas e trovoadas.. Riscos existem e devem ser gerenciados – muitos são previsíveis e podem ser evitados.
A questão é: como você lida com o risco?
Quais são aqueles que valem ou não a pena correr? Somente você tem as respostas…
Viver dá trabalho, não é fácil, mas fica ainda mais difícil sem qualquer tipo de planejamento.
QUE TAL FAZER AGORA O SEU?
Paulo Araújo – é palestrante e escritor -
Catho on-line – Carreira & Sucesso

A INSERÇÃO SOBERANA DO BRASIL NA ECONOMIA MUNDIAL Sábado, Mai 24 2008 

A INSERÇÃO SOBERANA DO BRASIL NA ECONOMIA MUNDIAL, por Marcos Coimbra
No mundo de hoje, encontramos uma superpotência, os EUA, e duas megapotências, a União Européia (UE) e o Japão, constituindo a tríade denominada de Centros de Poder Econômico CPES. Existem ainda as potências ascendentes, constituídas por países que já dispõem, efetivamente ou em potencial, das condições indispensáveis para exercer influência predominante em seu espaço geopolítico atuando como catalisador do Poder Nacional dos Estados compreendidos nesse mesmo espaço geopolítico, como a China, por exemplo. Além disto, visualizamos ainda as pseudo-potências, que compreendem os países que reúnem condições para ser potências ascendentes, mas estão sendo impedidas de assim atuar pela incompatibilidade entre seus interesses econômicos e os dos CPES, como o Brasil.
As características essenciais do panorama internacional no terceiro milênio são: a) a existência de três CPES, com interesses econômicos tendendo à superposição; b) intensificação da superposição de interesse dos EUA e do Japão, enquanto a União Européia avança no processo de efetivação tácita da liderança germânica e absorção das economias circunvizinhas; c) globalização da economia sem o estabelecimento de genuíno sistema mundial de livre comércio, devido à prática do comércio gerenciado e da consolidação dos Blocos Regionais; d) substituição das vantagens “naturais” (recursos naturais, posição geográfica, demografia etc.) pelas vantagens “criadas pelo homem” (tecnologias de alta sofisticação e de ponta).
Já as principais características da terceira revolução industrial podem ser enunciadas como: 1) na produção industrial o insumo básico é a inteligência humana e não mais a matéria-prima; 2) a prioridade para P&D (pesquisa e desenvolvimento) passou de produtos novos para processos produtivos novos; 3) muito maior interação entre os setores secundário e terciário, fazendo também que, para com este último, as tecnologias de ponta sejam indispensáveis; 4) a mão-de-obra será menor em número mas terá maior grau de instrução; 5) os dirigentes de empresas precisarão de maior conhecimento tecnológico para orientar suas atividades no rumo da maior competitividade.
Partindo das premissas, segundo o embaixador Marcos Côrtes, conselheiro da ESG, de que “a Segurança de uma Nação é a capacidade efetiva que tem de implementar , sem entraves inamovíveis, suas políticas e estratégias; de que o Desenvolvimento de uma Nação é a transformação de potencial nacional em poder nacional, empreendida de forma harmônica e continuada, almejando a plenitude; de que a Soberania é o atributo essencial da Nação de decidir, com liberdade plena, sobre a busca e a manutenção dos seus objetivos; de que a Globalização é o processo decorrente do conjunto de políticas e estratégias dos CPES que visam a ampliar e aprofundar sua capacidade de conduzir o relacionamento internacional, em todos os seus aspectos, para satisfação plena de seus Objetivos Nacionais”, podemos concluir qual o melhor caminho a ser seguido pelo Brasil, objetivando tornar-se uma potência ascendente.
OS CPES, através da mídia internacional principalmente, começaram a impor ao mundo as chamadas causas nobres (direitos humanos, direitos das minorias, justiça social, povos indígenas), bem como as novas idéias (promoção da justiça social, através da adoção da “tarifa antidumping social”, penalidades comerciais para proteção ambiental -selo verde, soberania limitada, dever de ingerência, direito de intervenção, interferência humanitária, reformulação do papel das Forças Armadas).

É importante realçar que vários Blocos Econômicos Regionais (BERS) são dirigidos pelos CPES e que os menores tenderão a ser absorvidos pelos maiores, bem como que os organismos internacionais são meros instrumentos auxiliares da política e da estratégia externa dos países atuantes no âmbito internacional e muitas ONGS são empregadas sub-repticiamente como verdadeiros mecanismos auxiliares de política externa pelos CPES. 0s dados do intercâmbio comercial mostram que nossos principais parceiros, em termos de saldo comercial, em US$ milhões, dados de 2006, são UE (10.248), ALADI (10.075), EUA (9.829) e MERCOSUL (4.979). Assim, o saldo maior refere-se à América Latina. Analisando-se a pauta de exportações, de importações, o setor agro-industrial e o setor de manufaturados, percebemos que, numa comparação entre as vantagens e desvantagens de maior integração com a ALCA ou a UE, haverá para o setor agropecuário mais vantagens nas relações com a UE , enquanto será mais vantajoso para o setor industrial a aproximação maior com a ALCA.
E para o Brasil? Num mundo globalizado, só terão participação as nações soberanas. Para ser soberana, a Nação precisa ser próspera. Para que o povo brasileiro participe atualmente do processo de globalização é preciso que o Brasil seja plenamente soberano. Para tanto, o Brasil precisa ser capaz de defender por seus próprios meios o que deseja, pois , caso não o faça, nenhum organismo internacional defenderá, além de traçar seu próprio rumo, pois, se não o fizer, o terá traçado por outro. Segundo declarou, em 2001, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, atual secretário-geral do Itamaraty : ” Está em andamento um processo de desarmamento econômico e jurídico do Estado brasileiro, que teria como obstáculo as eleições. Daí a pressa na implementação das amarras fiscal e monetária expressas não apenas na independência do Banco Central, mas também nas agências reguladoras. Se o Brasil aceitar as regras da ALCA será o fim das políticas adequadas para a Economia”.

Em conclusão, afirmamos que o ideal para o Brasil é procurar incrementar as relações bilaterais com outros países, em especial com os demais componentes dos BRIC`s como a China, a Rússia, a Índia, bem como ampliar o âmbito do MERCOSUL, convidando os países do Bloco Andino, procurando a integração de toda a América do Sul, e não apenas do cone sul. Aumentar o intercâmbio com a África do Sul e com os países de língua portuguesa do resto do mundo. Aproveitar-se também da existência de colônias expressivas em quantidade e qualidade, como a portuguesa e a italiana, para alavancar nosso comércio, com transferência de tecnologia. Negociar com a UE e com a ALCA sim. Incorporar-se de forma submissa, assumindo o papel de colônia, não.

Prof. Marcos CoimbraMembro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (CEBRES), Professor aposentado de Economia na UERJ e Conselheiro da ESG.mcoimbra@antares.com.br http://www.brasilsoberano.com.br/.

A Geopolítica e sua Importância para o Comércio Exterior Brasileiro Sábado, Mai 24 2008 

A Geopolítica e sua Importância para o Comércio Exterior Brasileiro

As relações econômicas internacionais têm sido formuladas e construídas como um conjunto de relações entre países soberanos independentes, com fronteiras geográficas bem definidas e regras próprias de convívio político-social dentro dessas fronteiras. Nestas relações evidenciam-se o comércio exterior, o fluxo de capitais, a transferência de tecnologias e a própria movimentação de pessoas.
Vê-se atualmente, uma tendência de sobreposição da interdependência global à independência nacional, pois cada vez mais os estados nacionais estão transferindo mais espaço no soberano poder de decisão para as regras econômicas internacionais. Com isso, os países buscam estabelecer parâmetros de convivência para evitar guerras tarifárias e reduzir a presença de entraves à expansão do comércio.
O papel atribuído à geografia e a possibilidade de uma intervenção no processo de transformação da sociedade são interdependentes e decorrem da maneira como a disciplina é conceituada e qual o seu principal objeto de estudo.
Nos últimos dez anos vêm ocorrendo as mais variadas mudanças nas relações comerciais entre os países e, o comércio internacional vem crescendo de forma consistente, paralelamente ao aprimoramento das relações comerciais entre países e empresas.
Daí a voltada da Geopolítica numa forma diferente, para muitos como Geoeconomia. Do ponto de vista conceitual, a Geopolítica é o estudo da influência do ambiente (aspectos geográficos, recursos econômicos, forças sociais e culturais) sobre a política de uma nação ou sociedade. A geopolítica ajuda a entender as forças que afetam a política das nações, em especial sua política externa.
A Geopolítica surgiu com a publicação de “O Estado como Organismo”, do sueco Rudolf Kjellen, seguidor do geógrafo alemão Friedrich Ratzel.
As teias da geopolítica se delinearam a partir das teorizações de Ratzel (1844-1904) que caracterizava o território como o elemento primordial de qualquer comunidade política e, com isso, estabeleceu algumas leis, a saber :

- o espaço é o fator primordial na grandeza dos Estados;

- um largo espaço poderá assegurar a vida dos Estados;

- um grande território incita à expansão e ao crescimento de um Estado e atua como força que imprime nova vida ao sentimento nacional;

- um Estado para ter poder mundial se faz necessário representar-se em vários espaços.

Cabe destacar que Ratzel como alemão faz surgir uma geopolítica com um contexto de unificação alemã, definindo um modelo dito científico do ponto de vista da constituição de uma literatura capaz de justificar os interesses alemães de expansão territorial. Vê-se a presença forte de uma ideologia de que o poder do Estado estava no tamanho do território.
Ruy Moreira, no seu Livro “O Que é Geografia”, reforça a tese de que não foi Ratzel o criador do termo geopolítica e sim Rudolf Jjellén, porém este último, ancorado nas bases teóricas de Ratzel. Ruy Moreira, também remete à institucionalização da geopolítica pela Alemanha Nazista, dentro da política oficial do Estado, onde o seu teórico maior foi o geógrafo Karl Haushofer.
Outros teóricos do poder do Estado expresso no território, estabelecem um outro critério de poder, este tendo como base a questão marítima, tendo origem na postura teórica de anglo-saxônicos, especialmente Reino Unido e Estados Unidos. Nesta corrente, cabe destacar o trabalho do almirante norte-americano Alfred Thayer Mahan (1840-1914), denominado de The Influence Of Sea Power Upon History, de 1890, defendendo que quem tivesse uma extensa frente marítima teria uma maior hegemonia marítima e sobrepujariam as potências terrestres. Cabe destacar que os Estados Unidos e o Reino Unido possuem esta característica.
Vê-se que duas correntes teóricas da geopolítica, estabelecem o território como condição básica das questões políticas de poder do Estado, seja o poder terrestre de aspecto continentalista, seja o poder marítimo, caracterizado pela capacidade de expansão. Infelizmente estas correntes foram capazes de desencadear duas destruidoras guerras mundiais.
Para Agudelo, a geopolítica determinou por muito tempo os rumos das relações externas das grandes potências e dos países emergentes, assim como o processo de expansão das empresas multinacionais. E atualmente, na opinião de Agudelo, a geopolítica cedeu lugar para a sua antítese, a geoeconomia, e que esta deverá determinar os novos rumos e estratégias de ação dos estados, que garanta um processo de acumulação em base nacional.
Agudelo também entende que a geopolítica pode ser entendida sob várias formas e, todas elas ligadas ao espaço territorial, e às estratégias de ação dos Estados, como forma de expandir o território nacional ou defender as fronteiras, estando a geopolítica vinculada ao poder e seu uso pelos estados, mas primordialmente ela estando ligada ao solo, ao espaço, ao território, e até ao espaço vital.
Enfim, a definição de Agudelo para geopolítica é a de uma fundamentação geográfica de linhas de ação políticas, que englobam, necessariamente a noção de espaço, o que torna estas ações dependente do espaço físico, do território, ou da região. O Espaço físico, tem sido sempre um dos componentes vitais do espaço econômico, porém ele começa a perder a importância tanto estratégica quanto econômica.
“Do ponto de vista estratégico, o surgimento dos blocos econômicos e suas instituições supranacionais, minimizam o poder e a soberania dos estados nacionais, tornando sem sentido a antiga noção de fronteira. O limite que a fronteira impunha à expansão capitalista, é deslocado, modificando-se tanto a noção de território, quanto as funções do Estado Keynesiano, e as práticas políticas do mesmo. Do ponto de vista econômico, a regionalização ao tornar comum o espaço econômico para todos os agentes, pela livre mobilidade de bens e serviços, trabalhadores e capitais, torna necessária a harmonização e cooperação dos diferentes estados nacionais, o que elimina de vez, os perigos de atitudes expansionistas e esvazia de significado as políticas de segurança nacional.”
Ao concluir a abordagem da Geopolítica, Agudelo, também esboça os resultados do processo de globalização que na opinião dele, retira do Estado, o controle sobre os fluxos de capitais e da política monetária, reduzindo a margem de manobra das políticas macroeconômicas nacionais.
“A globalização também, elimina a parcela geográfica do espaço econômico ao deslocalizar a atividade produtiva, tanto dos centros produtores de insumos quanto dos mercados consumidores devido às novas técnicas de organização e distribuição da produção, aos mecanismos multilaterais da Organização Mundial do Comércio – OMC que permitem eliminar as barreiras tarifárias e não tarifárias das transações de bens e serviços, entre países não pertencentes ao mesmo bloco e à homogeneização dos hábitos de consumo. Ela torna o território cada vez menos importante como elemento fundamental da produção de bens, por causa das novas técnicas de produção, deixando para o espaço geográfico apenas a função preservacionista do meio ambiente e, como lugar de lazer para os citadinos”.

A abordagem de Ribeiro, com relação à geopolítica, aponta para um nível geopolítico mundial, identificado em cinco processos cruciais, envolvendo tendências e incertezas, a saber :

a) Avanço da democratização/crises dos estados – este processo integra difusão e consolidação do modelo político democrático mundial; sendo que a generalização, nos países em desenvolvimento, do modelo de economia de mercado e da opção pela inserção na economia mundial, poderá ser acompanhada pelo reforço de movimentos e partidos que reivindicam uma relação direta com regiões dominantes, como forma de afirmação de identidade dos Estados. Complexidade na evolução política interna de alguns Estados da Ásia/Pacífico, com particular destaque para o caso da China, pelo impacto que a sua evolução terá a nível regional e mundial. Colapso das estruturas do Estado, herdadas do período colonial, e reconstruídas superficialmente no período pós-colonial, em certas áreas do mundo em desenvolvimento, especialmente na África. Possíveis dificuldades de funcionamento das democracias dos países desenvolvidos, em conseqüência da conjugação do reforço do peso dos interesses corporativos, do caráter crescentemente dualista das sociedades.

b) Fragmentação Geopolítica/Deslocação das Principais Áreas de Crise – Através da afirmação mais pronunciada de dinâmicas regionais, nos domínios geopolíticos e de segurança, com emergência de potências regionais com maior liberdade de ação. Crescimento da importância estratégica de um Arco de Crise que engloba : Mediterrâneo Oriental/Turquia/Mar Negro; Cáucaso/Ásia Central; Oriente Médio/Golfo Pérsico; Ásia do Sul; Ásia/Pacífico, com destaque nesta última, para os contenciosos territoriais na fronteira marítima. Desvalorização estratégica da Europa, no contexto mundial, acompanhada dos focos de tensão mais graves para os Balcãs e dificuldades em manter, e ainda muito mais, em construir de novo, num período de globalização econômica, grandes entidades políticas ou estatais, fortemente heterogêneas do ponto de vista nacional, étnico ou econômico.

c) Alteração na Relação de Forças entre Potências – Com traços previsíveis na permanência dos EUA como a única potência ainda com capacidade de projeção de poder à escala mundial; mas num contexto de incertezas, quer quanto à capacidade de mobilização interna duradoura das energias políticas necessárias ao exercício da liderança, quer quanto à solidez futura das alianças estabelecidas durante as várias fases da guerra fria. Manutenção da estrutura geopolítica de base que tem suportado a liderança mundial dos EUA, o fato do Japão, a Alemanha e a Arábia Saudita, grandes atores econômicos, dependerem vitalmente da proteção dos EUA. Declínio do poder externo e da base econômica da Rússia, dividida entre os extremos da opção por uma colaboração estreita com os EUA e seus aliados. Emergência complexa, e possivelmente tumultuosa, de novas Grandes Potências que tenderão a afirmar-se primeiro como atores principais nos complexos regionais de segurança em que se inserem. Incapacidade de afirmação de uma potência regional árabe, liderando um conjunto estável de Estados, o que levará as elites árabes a considerarem que a evolução mundial está a marginalizar o Islã. Existência de Estados párias, incapazes de se afirmarem como potências regionais, mas que tendo acedido ao controle de armas sofisticadas, poderão desempenhar o papel de perturbadores nas áreas de maior tensão. Desenvolvimento de formas não estatais de influência sobre o comportamento das atuais grandes potências, na base de redes de organizações e indivíduos.

d) Mutação Tecnológica Militar – Englobando duas vertentes : Consolidação, sob a liderança dos EUA, de uma Revolução Tecnológica Militar que, entre outros aspectos, tenderá a valorizar as novas armas convencionais de ultra-precisão, podendo servir, entre outras funções, como armas estratégicas; a observação e coordenação da batalha a partir do espaço exterior e com base nas tecnologias da informação e; difusão das armas que foram protagonistas da revolução tecnológica militar anterior – armas de destruição maciça, mísseis balísticos, sistemas de observação por satélite; avaliação militar e meios de detecção radar.

e) Dificuldades de Regulação Estratégica e Geopolítica – Desaparecimento dos fatores de organização e contenção, associados à estrutura bipolar da Guerra Fria e ao seu papel na globalização das tensões e conflitos regionais. Incertezas quanto ao regime nuclear que prevalecerá à escala mundial, pretendendo-se se com questões do ritmo e profundidade do desarmamento nuclear. Incerteza quanto ao modo de contenção das tensões e conflitos latentes, ao longo do Arco da Crise e nas periferias da Europa. Incertezas quanto aos quadros institucionais, mecanismos de intervenção e disponibilidade das grandes potências para intervir nos casos de conflitos étnicos e guerras civis com impacto na estabilidade regional, por mandato de organizações internacionais multilaterias. Incertezas quanto aos quadros institucionais e formas de colaboração internacional para o combate ao terrorismo, ao crime organizado e ao narcotráfico – novos terrenos para a definição de alianças e acordos de longa duração entre potências, e entre estas e outros Estados.

Por fim, RIBEIRO, prospecta três evoluções alternativas da geopolítica mundial, tendo como horizonte o ano de 2015, e como premissa, os cinco processos em curso. As três evoluções, se constituem em três hipóteses contrastantes, a saber :

1ª Hipótese – Um Mundo em Partes – Os principais traços desta hipóteses de evolução geopolítica mundial seriam as seguintes :

- China conflitual, mas incapaz de organizar uma camada protetora em sua volta que a separasse dos EUA; a questão de Taiwan transformar-se-ia num foco de tensão militar com risco evidente de escalada; dificuldades econômicas e tensões internas na China agravar-se-iam, surgindo o nacionalismo como única força unificadora deste país;

- Oriente Médio incendiado de modo permanente, com ascensão dos movimentos fundamentalistas no mundo árabe, e derrube de algumas monarquias petrolíferas; Irã afirmando o seu papel de potência dominante no Golfo e obtendo a neutralização de alguns Estados Árabes vizinhos;

- EUA forçados a concentrar atenções no Pacífico e no Golfo, a reduzir presença na Europa (mas não no Mediterrâneo) e com maior dificuldade em estrutura uma nova coligação duradoura pós-guerra fria;

- União Européia avançando no sentido de manter a integração econômica em extensão e com alguma profundidade, com um dispositivo eficaz de política externa e de defesa que abrangeria apenas partes dos atuais Estados Membros (núcleo duro – França e Alemanha) e que sem levar à quebra dos laços políticos com os EUA, tenderia a reduzir a importância real da OTAN; forte aproximação do núcleo duro à Rússia, em detrimento da Turquia;

- Rússia afastando-se das potências que querem alterar o status-quo na Ásia/Pacífico e no Golfo e aproximando-se de aliados dos EUA, Europa e Japão, mas incapaz de controlar a atuação externa autônoma de marginalidades poderosamente organizadas, que tenderiam a alinhar com as potências em tensão aberta com os EUA;

- Inexistência de passos significativos no sentido do reforço dos elementos de governação mundial sediados no sistema ONU e, simultaneamente, grande instabilidade regional na Ásia, Pacífico e Oriente Médio/Golfo, impedindo a criação de estruturas de segurança regionais;

- Reforço das redes terroristas e de crime organizado, aliadas, em certos momentos, a Estados perturbadores.

2ª Hipótese – Um Mundo Global/Regional –

- China assegurando um forte crescimento e uma integração na economia mundial não geradora de tensões insuportáveis, participação positiva no processo de reunificação e neutralização da Coréia; proposta de um estatuto para Taiwan, no quadro de uma União, mas com larga margem de autonomia e autogoverno (incluindo no que respeita ao comando das Forças Armadas que residiria localmente, como região militar); boas relações com Sudeste Asiático, que seguiria uma política de nítida aproximação à China, mas manifestando interesse na continuada presença dos EUA na equação da segurança regional;

- Irã numa posição conflitual, adquirindo estatuto de potência nuclear, graças à colaboração privada do complexo-militar industrial russo, com cobertura de uma parte da administração em Moscou; perturbação generalizada no mundo árabe, face ao reforço estratégico do Irã, com divisão entre dois campos – os que privilegiaram a consolidação da paz com Israel e as boas relações com os EUA e a Europa, e os que apostariam na nuclearização árabe;

- Agravamento das tensões entre a Índia e Paquistão, que alimentaria uma corrida regional aos armamentos nucleares -– míseis, armas convencionais; foco de tensões no Arco de Crise concentrando sub-regiões do Golfo e da Ásia do Sul;

- Rússia apostando no controle sobre a Ásia Central ex-soviética, obtendo neutralidade do Irã para esse projeto; prosseguindo com a melhoria das relações econômicas com a China; fraca receptividade para prosseguir com o processo de redução de armas nucleares com os EUA; fraca intensidade de relações geopolíticas com a União Européia, mas abertura econômica às relações com empresas multinacionais;

- Redução do papel preponderante dos EUA na Ásia/Pacífico, mas num contexto de uma relação não antagônica com a China, revestindo por vezes aspectos de colaboração; os países da Ásia Marítima manteriam interesse numa relação com EUA para contrabalançar o poder de uma China reunificada; criar-se-iam assim condições para a formação de um sistema multilateral de segurança na Ásia/Pacífico;

- EUA vitalmente interessados no reforço da aliança com a Europa face às evoluções nas zonas Oeste e Sul do Arco da Crise;

- União Européia reforçando o processo de europeização da OTAN, de flexibilização da mesma e de orientação progressiva para intervenções nas áreas perturbadas do “Arco de Crise”; maior entendimento franco-americano e maior envolvimento britânico no reforço militar da cooperação européia, na base desta evolução;

- Reforma limitada e muito demorada do sistema ONU, com alargamento faseado dos membros permanentes do Conselho de Segurança, começando por cinco – Alemanha, Japão, Indonésia, África do Sul e Brasil, e alargando-se ao Egito quando, e se, estivesse consolidada a paz de Israel com a maioria dos países árabes; ONU continuando a não dispor de forças militares permanentes para operações de manutenção de paz; concentração da atividade da ONU nas novas questões – proteção das minorias, terrorismo, narcotráfico, ambiente etc.;

- Reforço das estruturas regionais de segurança, sob formas diferentes conforme as regiões: na Europa reforço e alargamento da OTAN; na Ásia/Pacífico organização multilateral de segurança; criação na África, com o apoio dos EUA, de uma força permanente de manutenção de paz e reorganização da cooperação no continente a partir do ”eixo Leste/Centro/Sul” do continente.

3ª Hipótese – Um Mundo Global

- China, conseguindo gerir o movimento maciço de urbanização e industrialização, sem grandes fraturas internas; chegando a uma solução para Taiwan, que mantendo a formalidade de uma “União”, preservasse margem de manobra militar e “diplomática” para Taipé; unificação coreana gerida em comum pelos EUA e China;

- Médio Oriente com um polo de estabilidade resultante de um acordo Síria/Israel, levando à devolução dos Golã, e com reforço da cooperação Egito/Síria e Arábia Saudita (com ajustamento de opções no interior da casa real saudita); Irã não conseguindo atingir o estatuto de potência nuclear, com boicote russo aos esforços iranianos no sentido de obtenção de capacidade própria na área nuclear e dos mísseis de longo alcance;

- Expansão da influência geopolítica do Paquistão para Ásia Central ex-soviética; resolução da questão Indo/Paquistanesa em torno da Caxemira; “travagem” dos programas nucleares da Índia e Paquistão, que assinariam o Tratado de proibição de experiências nucleares;

- EUA, sem ameaças relevantes no Arco do Pacífico ao Golfo, ganham maior capacidade para se concentrarem na estruturação de uma coligação a nível mundial anti-proliferação, anti-terrorismo, anti-narcotráfico e pela globalização econômica (incluindo Estados tão diferentes como a Indonésia ou a África do Sul);

- Europa sem desenvolvimentos políticos e militares autônomos significativos, reforçando o seu papel numa OTAN flexibilizada e mais “europeizada”; maior importância da afirmação nacional por parte de Estados europeus em instituições internacionais de característica político, mas coordenação européia nos organismos internacionais de natureza econômica;

- Rússia, aproximando-se da China e do polo árabe “estabilizador”; procurando reforçar a sua capacidade de influência face aos EUA, nos organismos internacionais, na base de uma postura privilegiando o “Sul”; mas disposta a prosseguir o processo de desarmamento nuclear com os EUA, e assegurando controle rigoroso sobre o complexo militar-industrial;

- Reforço significativo do sistema das Nações Unidas, alargamento do Conselho de Segurança a mais seis Membros Permanentes (Alemanha, Japão, Brasil, África do Sul, Egito e Índia ); com o sistema ONU orientado para a concretização do programa político global dos EUA, atrás referido.

Abordaremos a seguir as opiniões teóricas da geopolítica na visão de Evangelista. Na opinião de Evangelista, para os geógrafos alemães a palavra Geopolitik tem sabor amargo, tendo em vista que na opinião dos geógrafos alemães foi a geopolítica, a responsável pela catástrofe da Alemanha.
No seu artigo sobre Geopolítica, Evangelista expõe a repulsa existente para o termo geopolítica, e enfoca um redirecionamento nos dias atuais, usando-se mais do que geografia política.

Evangelista realiza uma breve e consistente abordagem sobre a geopolítica brasileira :

“ Percebe-se na literatura nacional uma certa dicotomia entre uma escola militar, para a qual não poucos civis prestaram seus serviços, e uma escola acadêmico-civil, mais recente, que trazem modos distintos na análise da relação entre geopolítica e geografia política .”

A abordagem comparativa da escola militar com a escola acadêmico-civil, aponta as visões correntes da geopolítica. Ao citar a escola militar, Evangelista destaca as contribuições dos militares Mário Travassos, Golbery do Couto e Silva, Meira Mattos e Octávio Tosta e Nelson Werneck Sodré, destacando-se que para a formalização desta corrente, dita militar, contribuíram civis, particularmente, Everardo Backheuser, Delgado de Carvalho e Therezinha de Castro. A rigor, a contribuição destes decorre de uma época na qual o diálogo entre civis e militares era mais fluente.
Assim, não é exclusivamente o paramento militar que configura este coletivo, mas assim o designamos por formar uma unidade que veio a ser mais estimulada pela Escola Superior de Guerra, criada em 1949.
A outra escola analisada por Evangelista, apresentaria uma influência do ambiente acadêmico-universitário, destacando-se : Wanderley Messias da Costa, José William Vesentini, André Martin, Demétrio Magnoli, Manoel Correia de Andrade e Bertha Koiffman Becker.
Para Evangelista, a linha dos militares, aponta a geopolítica como a face dinâmica da própria geografia política, considerando-se que a geopolítica teria a incumbência de inspirar raciocínios que enveredariam em favor da formulação de estratégias de características militares. Com isso, a geografia política teria um papel eminentemente informativo, ficando à geopolítica a incumbência de traçar diretrizes estratégicas para o exercício do poder.
Quando Evangelista, analisa a linha do pensamento civil, aborda a existência de uma diferença interna. Havendo os que entendem ser a geopolítica como algo a ser proscrito enquanto uma versão ideológica (de cunho fascista) que pouco contribuiu para o avanço da geografia. Por esta linha ele (EVANGELISTA), destaca Wanderley Messias da Costa e; em outra concepção há os que entendem ser a geopolítica um cabedal de conhecimento não passível de ser descartado pela comunidade acadêmica; e neste caso, a visão é de Bertha Koiffman Becker.
No artigo de estruturação informativa e conceitual, Evangelista, traça os caracteres que irão diferenciar a Geopolítica e da Geografia política. Para isso irá usar autores das duas linhas anteriormente apresentadas, a militar e a civil.
Na linha militar, ele expõe que o Gen. Meira Mattos, achava que a geografia política ficava no campo das ciências geográficas puras, enquanto que a geopolítica de Kjéllen e de Ratzel adquiriram o sentido dinâmico das ciências políticas, indicadora de soluções governamentais inspiradas na geografia.
Ressalta-se também em Evangelista que o desprestígio da geopolítica como ciência vem de sua apropriação pelos adeptos do Gen. Karl Haushofer que, depois da ascensão de Hitler na Alemanha, transformaram a geopolítica em um pretexto científico para justificar as teses do expansionismo nazista. A teoria do lebensraum – espaço vital – que dominou o espírito geopolítico da Alemanha nazista, foi responsável pelo seu descrédito como ciência.
Ao usar as conceituações do General Golbery do Couto e Silva, Evangelista, destaca o caráter de resgate da importância da geopolítica no campo militar brasileiro, usando para isso, uma citação do mesmo :

“ A geopolítica é sobretudo uma arte – arte que se filia à política e, em particular, à estratégia ou política de segurança nacional, buscando orientá-las à luz da geografia dos espaços politicamente organizados e diferenciados pelo homem. Seus fundamentos se radicam, pois, na geografia política, mas seus propósitos se projetam dinamicamente para o futuro.”

Com isso, para Evangelista, a visão do General Golbery do Couto e Silva sobre geopolítica é a fundamentação geográfica de linhas de ação política, quando não uma proposição de diretrizes políticas formuladas à luz dos fatores geográficos, em particular de uma análise calcada, sobretudo, nos conceitos básicos de espaço e de posição.

Uma lúcida distinção de geografia política e geopolítica é apresentada por Evangelista, na busca da conciliação do usos dos conceitos, com base em Wanderlei Messias da Costa:

“Análises e estudos ditos geopolíticos podem freqüentemente tratar-se de estudos geográficos-políticos, preferindo os autores a utilização da primeira expressão por simples comodismo vocabular ou modismos. Finalmente, e após um processo de “filtragem” por que passou no período do pós-Segunda Guerra, especialmente em suas conotações ideológicas vinculadas ao nazismo, muitos autores, até mesmo os críticos da velha geopolítica, passaram a adotar esse rótulo em seus estudos de geografia política.”

Por fim, a interpretação de Evangelista é a de que a origem histórica dos dois termos, geopolítica e geografia política, está pautada pela situação de que esta última está mais identificada com a formação de diagnósticos, enquanto a primeira com a proposição de medidas que digam respeito à ação do estado. Porém, para ele, esta diferenciação, não se mostra tão decisiva para se compreender a diferença entre os dois campos. A sua discussão, está pautada na questão da legitimidade entre a geopolítica e a geografia política. E ele acaba encarando os dois rótulos como sinônimos, como campos que estão a disputar temas de estudos próximos.

Na abordagem que Evangelista faz da geógrafa Bertha K. Becker , representante da escola civil, observa-se que a busca de novos paradigmas da ciência e o rompimento das barreiras entre as disciplinas – a transdisciplinaridade – parecem hoje tornar-se uma exigência. E o rompimento da barreira entre a geografia e a geopolítica numa perspectiva crítica, integrando a natureza holística e estratégica do espaço, pode representar um passo importante nesse caminho, pois que o poder e o espaço e suas relações são, sem dúvida, problemáticas contemporâneas significativas.

Seguindo-se, Evangelista aponta a distinção existente Becker e Costa. Este último destaca o caráter ideológico que a geopolítica tem; para Becker, no entanto, a geopolítica tem um caráter instrumental que não pode ser desprezado, embora isto não a leve a esquecer da ideologia que permeia a geopolítica, como podemos perceber pelas afirmações adiante.

A análise de BECKER, pode ser percebida na citação abaixo :

“A herança de Ratzel, embora por alguns exacerbada, foi, em geral, negada pelos geógrafos que, ao recusarem sua concepção determinista, negaram também toda a sua riqueza teórica. Sua herança foi por outro apropriada. Permaneceu, assim, a Geografia, à margem de todo um conjunto de técnicas e de um saber que instrumentalizam e pensam o espaço a partir da ótica do Estado (e também da grande empresa) – embora com ele colaborando direta ou indiretamente – o que certamente a esvaziou de seu conteúdo.”

Nesta visão, a opinião de Becker é que negar a prática estratégica, seja a das origens da disciplina, seja a teorizada por Ratzel, seja a da Geopolítica explícita do Estado Maior ou a implícita na prática dos geógrafos, é negar a própria Geografia, que foi, assim, prejudicada no seu desenvolvimento teórico e na sua função social. E repensar a Geografia envolve necessariamente o desvendar da Geopolítica, sua avaliação crítica e seu resgate, e o trazer desse conhecimento para debate na sociedade. Em outras palavras, nesse campo de preocupações, à Geografia caberia a teorização sobre a prática estratégica desenvolvida pela Geopolítica.

Para Becker, a geopolítica a ser resgatada é a do reconhecimento, da potencialidade política e social do espaço, ou seja, a do saber sobre as relações entre espaço e poder. Poder multidimensional, derivado de múltiplas fontes, inerente a todos os atores, relação social presente em todos os níveis espaciais. Espaço, dimensão material, constituinte das relações sociais e, por isso mesmo, sendo, em si, um poder. Becker propõe resgatar a geopolítica :

“Resgatar não significa negar e sim reler criticamente, aceitando o que se considerar uma contribuição e descartando o que se considerar inaceitável. A postura metodológica aqui adotada para tal releitura é a que privilegia a construção do objeto de estudo e não o objeto em si. A Geopolítica não está dada – ela é construída hoje, no atual período histórico, pelo trabalho humano tanto material quanto intelectual e, assim produzida, tem movimento e abertura para o indeterminado, que é essencialmente político. Trata-se, portanto, de reconstruir o processo de sua produção material e intelectual no final do Século XX, detectando as forças que nele atuam.”

É, portanto, no contexto da instrumentalização do espaço – e do tempo – bem como do reconhecimento de sua potencialidade que se pode resgatar a dimensão política da Geografia contida no seu projeto original e posteriormente renegada.”

No seu trabalho, Becker elogia em Ratzel o fato deste ter colocado o Estado dentro das preocupações geográficas. O que cabe, então, é manter este caráter renovador de seu pensamento, ao vislumbrar novos horizontes para a geografia política.

Para Becker, a nova geopolítica, na verdade, resultará da interação entre dois processos, a reestruturação tecnológica e os novos movimentos sociais. No entanto, ela ensina que esses movimentos e os atores políticos só poderão reverter as tendências atuais se forem capazes de se situar no novo domínio histórico resultante da revolução tecnológica e da reorganização do capitalismo.

Um outro autor que também aborda a Geopolítica é Raffestin, com idéias centradas na problemática de uma crítica voltada para a geografia política clássica, relacionando-se “o poder” como elemento principal da geografia política.

“Um verdadeira geografia só pode ser uma geografia do poder ou dos poderes”(RAFFESTIN).

Para Raffestin, a geopolítica é uma ciência do Estado, concebida como um organismo geográfico em constante movimento, ou seja, é a geografia aplicada ao Estado. O Estado aqui tratado por Raffestin é o Estado-nação, mobilizados através de três sinais: a população, o território e a autoridade.

Uma outra discussão que se torna importante nas relações geopolíticas é, a diferenciação existente entre Geopolítica e Geografia Política. O Prof. José Willian Vesentini aponta um quadro de diferenciação bastante elucidativo, a partir de quatro visões distintas:

Comparação entre Geopolítica e Geografia Política

GEOPOLÍTICA

GEOGRAFIA POLÍTICA
Dinâmica (como um filme) Estática (como uma fotografia)
Ideológica (um instrumento do nazi-facismo ou dos Estados totalitários) Ciência
A verdadeira ou fundamental geografia Não existiria
Campo de estudos interdisciplinar

Vesentini, aborda que a diferenciação de Geopolítica e Geografia Política apresentada é a da visão militar de Backheuser, em seu livro “A Geopolítica Geral e do Brasil”, A Geopolítica “tem por ponto de apoio os largos alicerces da Geografia Política e toma por campo de trabalho o exame dos organismos políticos territoriais e suas estruturas”.
Comparação entre Geopolítica e Geografia Política

GEOPOLÍTICA

GEOGRAFIA POLÍTICA
Estuda as relações do Estado com o Território Estuda as relações do homem com o meio físico
Interfere no estabelecimento de políticas e estratégias Descreve o espaço físico do Estado
Estudos dinâmicos Estudos Estáticos
Preocupa-se com o passado, o presente e o futuro Preocupa-se com o presente e o passado

Vesentini, através do seu livro Novas Geopolíticas, busca apresentar um resumo do estudo da geopolítica, confrontando idéia e teorias de diversos autores, a exemplo de: Huntington, Thurow, Kennedy, Brzezinski e muitos outros.
Para Vesentini, a geopolítica surgiu, oficialmente, através do jurista sueco Rudolf Kjellén, que empregou o termo pela primeira vez em um ensaio publicado em uma revista do seu país em 1905 e, intitulado “As grandes potências”. Depois de onze anos as bases da nova disciplina foram reafirmadas, através de um novo livro de Kjellén, “O Estado como forma de vida”, editado em 1916 na Suécia.
Vesentini, citando Luttwak e Thurow, faz a abordagem que será o temática central da discussão nesta tese, a evolução da geopolítica para a geoeconomia. As perspectivas é que o cenário internacional que é ainda ocupado primordialmente por Estados e/ou Blocos de Estados associados, continuem substituindo a geopolítica, determinante das relações internacionais ditadas pelo poderio militar, pela geoeconomia, que tem como cerne o comércio internacional. Assim, as disputas mundiais de poder serão essencialmente econômicas.
No Brasil, a ESG – Escola Superior de Guerra, através das suas publicações, livros e revistas, apresenta desde a sua fundação diversas abordagens sobre a Geopolítica. Em seu livro, A Geopolítica e as Projeções do Poder, o General Meira Mattos, apresenta a fórmula do Prof. Ray S. Cline, diretor do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais da Universidade de Georgetown – Washington, discorrendo sobre uma tentativa de quantificar o poder dos Estados.

A fórmula é a seguinte :

Pp = ( C + E + M ) X ( S + W)
Pp = Poder perceptível
C = Massa Crítica ( População + Território)
E = Capacidade Econômica
M = Capacidade Militar
S = Concepção Estratégica
W = Vontade de realizar a estratégia nacional

Na fórmula, encontram-se os valores físicos do poder – população, território, economia e capacidade militar. No segundo termo, os fatores abstratos do poder – concepção estratégica e vontade, que na visão de Mattos são realmente dois valores determinantes do sucesso de qualquer empreendimento político, administrativo ou militar. O General Mattos, acrescenta a esta fórmula, mais uma variável, o poder de persuadir que ele denomina de P – poder de persuadir, à força de persuasão, ficando a fórmula com a seguinte apresentação :

Pp = ( C + E + M ) X ( S + W + P ).

Para Mattos (1993), A Geopolítca é o estudo da influência da geografia no destino político dos Estados. Para Mattos, o aprofundamento das pesquisas das relações das entidades políticas e a geografia, levaram à verificação de que as condições geográficas podem influir no destino político das nações. Segundo Mattos, o impacto do fenômeno da Globalização sobre a eterna contenda homem X natureza, que em termos políticos modernos se transforma em disputa população X território, que para ele é o objeto principal da Geopolítica. Para Mattos, o espaço geopolítico, em si, pouco mudou, pois a França, os Estados Unidos, a China, o Japão e o Brasil, conservam quase o mesmo território que possuíam no final do Século XIX.

Para que possamos perceber a importância do termo Geopolítica, é interessante reportamos ao Prefácio de Josué de Castro, à 1ª Edição de seu magistral livro, “Geopolítica da fome”, Josué de Castro comenta que escrevera inicialmente o seu livro com o título de Geografia da fome, porém, após receber uma proposta de uma editora norte-americana, a Little Brown & Co., de Boston, para que o Prof. Josué escrevesse o livro com uma abrangência mundial das manifestações da fome, ou seja, ultrapassando as fronteiras do Brasil. Com isso, na perspectiva de ampliar não somente as singularidades do problema no Brasil, bem como, para também ampliar a perspectiva do problema, correlacionando o fenômeno da fome com as contigências políticas, Josué de Castro, avançou de Geografia da Fome para Geopolítica da Fome. Em seu prefácio Josué de Castro, demonstra uma grande preocupação com a mudança do título da sua mais importante obra, face o preconceito existente na época com relação ao uso do termo Geopolítica.

“Outra explicação que desejamos dar diz respeito ao título da edição brasileira, destinada inicialmente ao público norte-americano : Geopolítica da Fome. Usamo-lo porque não encontramos outros que correspondesse ao conteúdo do livro sem trair a intenção do autor e o desejo dos editores, de que este livro fosse realmente uma geopolítica da fome. Esta a razão de figura na capa uma denominação tão perigosa, ainda mais perigosa que a do nosso livro anterior – a Geografia da Fome. Perigo não deriva apenas da palavra tabu fome, mas desta outra palavra tão contaminada e tão execrada – a geopolítica. Contudo, embora degradada pela dialética nazista, a palavra geopolítica continua mantendo sua hierarquia científica e precisa ser reabilitada em seu sentido real. Tal reabilitação merece mesmo o sacrifício do autor, expondo-se ao perigo das interpretações apresadas, à simples leitura do título do livro. O sentido real da palavra Geopolítica é o de uma disciplina científica, que busca estabelecer as correlações existentes entre os fatores geográficos, isto é, destacadas da realidade e das contigências do meio natural e do meio cultural. É claro que a Geopolítica, assim compreendida, nada tem de ver com a Geopolitik germânica, psuedociência de Karl Haushoffer, que não passava de uma nebulosa mistura de princípios contraditórios, concebida com a finalidade única de justificar as aspirações expansionistas do Terceiro Reich. Os leitores deste livro terão a oportunidade de verificar que o que chamamos de Geopolítica não é uma arte de ação política na luta entre os Estados, nem tampouco uma fórmula mágica de predizer a História, como queria Spengler. É apenas um método de intrpretação da dinâmica dos fenômenos políticos em sua realidade espacial, com as suas raízes mergulhadas no solo ambiente. Poucos fenômenos têm interferido tão intensamente na conduta política dos povos, como fenômeno da alimentar, como a trágica necessidade de comer, daí a viva e crua realidade de uma Geopolítica da Fome.“

Mario Garnero, através de artigo publicado no Jornal Correio Braziliense (09/12/2002), também julga que a geopolítica terá uma retomada de importância como balizadora das relações internacionais do Brasil. Para ele, a geopolítica não é mais sinônimo, unicamente, de garantir a segurança e a defesa nacional, como na velha geopolítica. Ela agora assume um outro contorno, o da geoeconomia, pois, o direcionamento da política internacional justifica-se cada vez mais pela ótica da interdependência e da integração econômica. Na sua visão, os objetivos da geoeconomia passam pela identificação e utilização dos recursos disponíveis, tendo como elementos, técnicos e especialistas de economistas a negociadores internacionais, as chamadas forças não-convencionais que deverão atuar no xadrez diplomático jogado pelos grandes estadistas. Em resumo, Mario Garnero, julga que a geoeconomia é a estratégia de inserção internacional de um país ponderada preponderantemente por critérios econômicos.

Na discussão das relações Geopolíticas, que no nosso caso será centrado na agricultura brasileira com os demais países do mundo, um componente fundamental de análise será a análise do poder mundial à luz da gestão política e seus desdobramentos na hegemonia. Nas relações internacionais, poder representa o elemento central da conjuntura externa e é componente associativo entre as organizações transnacionais e o Estado.
Vive-se uma contradição importante neste início de século XXI, no processo de globalização evidencia-se mutações de um mundo que se fragmenta em países e se integra em blocos geoeconômicos. Nessas mutações internacionais, emerge-se o poder, principal variável que alavanca as novas configurações geográficas no comércio internacional de produtos, especialmente os produtos agrícolas.
A questão do poder é muito bem abordada pela história, através de diversos exemplos, onde potências hegemônicas ascendem, depois adquirem estabilidade, estagnação e declínio, implantando em alguns casos algumas estabilidades. O quadro abaixo mostra uma evolução da geopolítica do poder entre os países a partir do século XV, através de três categorias : país hegemônico, país desafiante e provável sucessor hegemônico.
Em um artigo sobre a hegemonia estratificada, Thales Castro, apresenta um quadro muito interessante sobre a dinamicidade evolutiva do cenário mundial do poder no mundo, a partir do século XV.
País Hegemônico Mundial País Desafiante Sucessor Hegemônico
Portugal, 1494-1580 Espanha Holanda
Holanda, 1580-1689 França Grã-Bretanha
Grã-Bretanha, 1689-1799 França Grã-Bretanha
Grã-Bretanha, 1799-1914 Alemanha Estados Unidos
EUA, 1914-1991 URSS Estados Unidos
EUA, 1991 União Européia e China ?

Esta abordagem mesmo que sintética, demonstra a necessidade da volta do estudo da Geopolítica, numa perspectiva crescente do aumento da relações internacionais entre as nações. Veja-se que há uma grande dúvida de quem será o sucessor hegemônico dos EUA.
Para tirar o melhor proveito possível das oportunidades de mercado que se abrirão certamente com a ALCA, o Brasil necessita retomar a Geopolítica, numa perspectiva de análise dos elementos-chave que poderão incrementar a abertura econômica brasileira.
Entender Geopolítica é ter condições de ampliar as perspectivas favoráveis de mercado num mundo globalizado e neste mundo, o Brasil com certeza surgirá como uma Nação de grande importância para a construção de um mundo melhor.

julho/2003

Saumíneo da Silva Nascimento,
Economista, Mestre em Geografia, Doutorando em Geografia, Gerente Executivo do Banco do Nordeste.
saumineo@bnb.gov.br

Esta página é parte integrante do www.guiadelogistica.com.br .

The Geopolitics of Plan Colombia Sábado, Mai 24 2008 

The Geopolitics of Plan Colombia
James Petras

Introduction

Plan Colombia, to be understood properly, should be located in a historical perspective both in relation to Colombia and the recent conflicts in Central America. Plan Colombia is both “new” policy and a continuation of past U.S. involvement. Beginning in the early 1960s, under President Kennedy, Washington launched its counter insurgency program, forming special forces, designed to attack “internal enemies.” The targets were Colombian self-defense communities, particularly in Marquetalia. Subsequently, the Pentagon continued its counter-insurgency presence in Colombia. Thus, Plan Colombia is President Clinton’s extension and deepening of President Kennedy’s internal war. The differences between the earlier version of the internal war doctrine and its current reincarnation are found in the ideological justifications for U.S. intervention, the scale and scope of U.S. involvement and the regional context of the intervention. Under Kennedy counter-insurgency was based on the threat of international communism, today the justification is based on the drug threat. In both instances there is total denial of the historical-sociological basis of the conflict.

The second major difference between Clinton’s Plan Colombia and Kennedy’s counter-insurgency program is the scale and scope of intervention. Plan Colombia is a long-term billion-dollar program involving large-scale modern arms shipments. Kennedy’s counter-insurgency agenda was much smaller. The difference in the scale of military operation is not because of any strategic or political difference; the cause is found in the different political context in Colombia and the world: in the 1960s the guerrillas were a small isolated group, today they are a formidable army operating on a national scale. Kennedy was concentrating militarily on Indo-China, today Washington has a relatively free hand. Plan Colombia is thus both a continuation and an escalation of U.S. politico-military policy-based on similar strategic goals, adapted to new global realities.

Another historical factor that needs to be taken into account in discussing Plan Colombia is the recent growth of regional conflicts, namely the U.S. intervention in Central America. Plan Colombia is heavily influenced by Washington’s successful reassertion of hegemony in Central America following the so-called “peace accords.” Washington’s success was based on the use of state terror, mass displacement of population, large-scale and long-term military spending, military advisors, and the offer of a political settlement involving the reincorporation of the guerrilla commanders into electoral politics. Washington’s Plan Colombia is based on its success in Central America and its belief that it can replicate the same outcome in Colombia. Washington believes it can repeat the terror for peace formula of Central America via Plan Colombia in the Andean country.

What follows is an analysis of the geopolitical interests and ideological concerns that guide Plan Colombia, the consequences of U.S. military escalation and a critique of Washington’s misdiagnosis of the “Colombian question.” The essay will conclude with a discussion of some of the adverse unanticipated consequences that Washington may incur in pursuing its military policy in Colombia.

Plan Colombia and the Radical Triangle

Its critics describe plan Colombia as a U.S. authored and promoted policy directed toward militarily eliminating the guerrilla forces in Colombia and repressing the rural peasant communities that support them. U.S. policymakers describe Plan Colombia as an effort to eradicate drug production and trade by attacking the sources of production that are located in areas of guerrilla influence or control. Since the guerrillas are associated with the coca producing regions, this line of argument proceeds, Washington has directed its military advisory teams and military aid to destroying what they dub the “narco guerrillas.” More recently, particularly with the political and military successes of the two major guerrilla movements-the Revolutionary Armed Forces of Colombia (FARC) and the National Liberation Army (ELN)–Washington has increasingly acknowledged the fact that its war is directed against what is now dubbed the guerrilla insurgency. While the economic stakes are substantial in Colombia, for both Washington and the ruling oligarchy in Bogota, the larger and more important issue is the rapid and massive build-up. U.S. military involvement in Colombia is geopolitical. Strategists in Washington are concerned with several key geopolitical issues that could adversely affect U.S. imperial power in the region and beyond.

The Colombian insurgency question is thus part of a geopolitical matrix that is in the process of challenging and modifying U.S. hegemony in northern South America and in the Panama Canal Zone. Secondly, oil production, supply, and prices are linked to the challenge in the region and beyond (in OPEC, Mexico, etc.). Thirdly, the core conflicts with the empire are found in Colombia, Venezuela, and Ecuador (the radical triangle) but there is growing leftist and nationalist discontent in key adjoining countries, particularly in Brazil and Peru. Fourthly, the example of successful resistance in the radical triangle countries is already resonating with countries further south–Paraguay and Bolivia, on the basis of the successful political struggles by the peasant-Indian movements in the Ecuadorian highlands and the “Bolivarian appeals” of Venezuela’s President Hugo Chaves, along with the ever-present national-populist consciousness in Argentina. Fifthly, the strength of the radical triangle, particularly the oil diplomacy and independent policy of President Chaves, has shattered the U.S. strategy of isolating the Cuban revolution and has further integrated Cuba into the regional economy. Beyond that, President Chaves’ favorable oil deals (trade at subsidized prices) have strengthened the resolve of the Caribbean and Central American regimes to resist Washington’s efforts to turn the Caribbean into an exclusive U.S. lake. While the guerrillas and popular movements represent a serious political and social challenge to U.S. supremacy in the region, Venezuela represents a diplomatic and political economic challenge in the Caribbean basin and beyond, via its leadership in OPEC and its non-aligned foreign policy. In more general terms, the radical triangle can contribute to undermining the mystique surrounding the invincibility of U.S. hegemony and the notion of the inevitability of free market ideology.

In more specific terms the conflict between the radical triangle and U.S. imperial power focuses attention on the fact that much of what is described as “globalism” rests on the foundations of the social relations of production and the balance of class forces in the nation-state. The recognition of this fact has particular relevance to the U.S.-FARC conflict in Colombia. The assumption here is that without solid social, political and military foundations within the nation-state, the imperial enterprise and its accompanying global networks are imperiled. Thus there is a need to look rather closely at the nature of its proxy war in Colombia in which Washington, through its client regime, attempts to destroy the guerrillas and decimate and demoralize their supporters in order to restore the local foundations of imperial power.

The Geography of the Challenge to Washington

In the 1960s and 1970s the challenge to U.S. imperial power was located in the Southern Cone of Latin America–namely Chile, Argentina, Uruguay, and Bolivia. Washington responded by backing military coups and state terror in overthrowing governments and terrorizing the popular opposition into submission. During the 1980s, Central America became the centerpiece of revolutionary challenge to U.S. imperial power. The revolution in Nicaragua and the popular guerrilla movements in El Salvador and Guatemala posed a serious challenge to U.S. client regimes and geopolitical-economic interests. Washington militarized the region by pouring in billions of dollars of arms, and financing a mercenary army in Nicaragua, and state terrorist military activity in El Salvador and Guatemala. The war of attrition waged by Washington eventually imposed a series of peace accords that restored U.S. client regimes and U.S. hegemony at the cost of over 200,000 deaths in Guatemala, 75,000 in El Salvador, and at least 50,000 in Nicaragua. In the late 1990s and into the new millennium, the geography of resistance to the U.S. empire has shifted to northern South America–namely Colombia, the Eastern highlands of Ecuador, and Venezuela. In Colombia, the combined guerrilla forces control or influence a wide swathe of territory south of Bogota toward the Ecuadorian border, northwest toward Panama and in several pockets to the east and west of the capital, in addition to urban militia units. Parallel to the guerrilla movement large-scale peasant mobilizations, and trade union convoked general strikes have increasingly shaken the Pastrana regime. In Venezuela the Chaves leadership has won several elections, reformed state institutions (Congress, the constitution, and the judiciary) and taken an independent position in foreign policy leading OPEC to higher oil prices, developing ties with Iraq, and extending diplomatic and commercial links with Cuba. The Confederation of Indigenous Nationalities of Ecuador (CONAIE), a powerful Indian-peasant movement linked with lower military officials and trade unionists, toppled the Mahuad regime in January 2000. While the military intervened to topple the popular junta, CONAIE and its allies were able to sweep the subsequent legislative elections in the Ecuadorian sierra. As a result, the Pentagon’s military strategy of encircling the Colombian guerrillas by building a military base at Manta, Ecuador, has come under serious attack.

The armed and civilian movements in all three countries, and the Chaves regime, have called into question Washington’s intervention ism and its promotion of the neo-liberal economic agenda. The resistance in these three countries takes place in a region that is oil rich; Venezuela is a major U.S. supplier, Colombia is a producer state and has substantial untapped reserves, as is the case on a lesser scale for Ecuador. Thus the oil issue is a two-edged sword: a stimulus for an aggressively interventionist U.S. policy (like the Colombian plan, and the intervention against the Ecuadorian popular junta) and a lever of power in challenging U.S. domination, as Chaves has demonstrated.

However, Plan Colombia cannot be extrapolated from the geo-economic matrix of the oil rich triangle of northern South America, a strategic resource to fuel the empire as well as an economic resource allowing nationalists to challenge any boycott and to finance potential allies. Plan Colombia is also a wider strategy to contain and undermine the appeal of the Colombian revolutionary advance in other Latin American countries. The existence of the FARC, CONAIE, and the Chaves regime in adjacent territories is mutually supportive. While Venezuela’s nationalist-populist project has its roots in the popular revulsion to corruption, the decay of its political institutions, and the destitution of the majority of its people, the fact of a powerful social-revolutionary movement at its doorstep strengthens Venezuela’s borders from any U.S. inspired destabtabilization policy. Likewise, the Chaves regime’s refusal to allow U.S. reconnaissance planes overflights in Venezuelan air space to search and target guerrilla forces, lessens the military pressure on the guerrillas. The fact that in Ecuador a large-scale peasant-Indian movement opposes U.S. militarization of the Ecuadorian-Colombian border weakens the imperial war effort. The Ecuadorian regime’s embrace of the dollarization of its economy and the construction of a U.S. military base has de-legitimized the regime in the midst of growing impoverishment, and heightened sociopolitical tensions.

The radical triangle and the conflict with the U.S. empire can spill over in neighboring countries. Peru, a staunch U.S. client formerly run by CIA-sponsored secret police chief Vladimir Montesinos, is in a period of instability as popular mass movements compete with neo-liberal politicians for power and influence. In Brazil the reformist left Workers Party won a series of important municipal elections including the mayoralty in Sao Paolo, while President Cardoso’s party continues its downward spiral. More important the Landless Workers Movement (MST) continues to organize and occupy large estates and resist state repression in a tense and conflictual countryside. Further south, major peasant and urban mobilizations have, with increasing frequency, paralyzed the economies of Bolivia and Paraguay, while in Argentina, the provinces are in continual rebellion, cutting highways and attacking municipal political institutions. It is in this context of growing continental mobilization that Plan Colombia has to be seen as an attempt to behead the most advanced radicalized and well-organized opposition to U.S. hemispheric hegemony.

To date, the upsurge of the multi-faceted opposition in the radical triangle has checkmated or reversed U.S. policies at the edge of imperial concerns. Washington’s historical policy of isolating the Cuban Revolution from Latin America and the Caribbean has been effectively shattered. Chaves’ visit and the oil agreement consolidates Cuba’s energy sources. The Ibero-American Conference in Panama in November, 2000, calling for an end of the Helms Burton Act, totally isolated U.S. diplomats. Washington’s carefully calibrated steps to weaken the Chaves’ regime have been repulsed. OPEC elected a Venezuelan, Ali Rodriguez, to head the organization. The Caribbean countries eagerly sought out and signed beneficial oil agreements with Venezuela. The conflict in the Mid-East has strengthened Chaves’ hand in dealing with the U.S.: witness his public attack on Plan Colombia and the favorable diplomatic responses from Brazil, Mexico, and other key countries.

The strategy of Washington follows a “domino approach”: Plan Colombia means first, to defeat the guerrillas, then surround and pressure Venezuela and Ecuador before moving toward escalating internal destabilization. The strategic goal is to reconsolidate power in northern South America, secure unrestricted access to oil, and enforce the “no alternatives to globalization” ideology for the rest of Latin America.

Maintaining the Mystique

Plan Colombia is about maintaining the mystique of the invincibility of empire and the irreversibility of neo-liberal policies. The power elite in Washington knows that the beliefs held by oppressed peoples and their leaders are as effective in retaining U.S. power as the actual exercise of force. As long as Latin American regimes and their opposition continue to believe that there is no alternative to U.S. hegemony they will conform to the major demands emanating from Washington and its representatives in the international financial institutions. The belief that U.S. power is untouchable and that its dictates are beyond the reach of the nation-state (which the rhetoric of globalization reinforces) has been a prime factor in reinforcing U.S. material rule (i.e. economic exploitation, military base construction, etc.). Once U.S. dominance is tested and successfully resisted by popular struggle in one region, the mystique is eroded as people and even regimes elsewhere begin to question the U.S. defined parameters of political action. A new impetus is thus given to opposition forces in challenging the neo-liberal rules and regulations facilitating the pillage of their economies. Where such destabilization occurs, capital, threatened with a revival of nationalist and socialist reforms and redistributive structural adjustments, will flow out. The reversion to more restricted markets and the constraints of risk and declining profit margins within the U.S. empire will threaten the position of the dollar. A flight from the dollar will in turn make it difficult for the U.S. economy to finance its huge cur rent account imbalances.

The fear of this chain reaction is at the root of Washington’s hostility to any challenge anywhere that could set in motion large scale and extended political opposition. Colombia is a case in point. In itself the economic and political stake of the U.S. within Colombia is not overly substantial. Yet the possibility of a successful emancipatory struggle led by the FARC, ELN, and their popular allies could undermine the mystique, and set in motion movements in other countries and perhaps put some backbone in some Latin leaders. Plan Colombia is about preventing Colombia from becoming an example that demonstrates that alternatives are possible and that Washington is vincible.

More significantly, a Cuba-Venezuela-Colombia alliance would provide a powerful political and economic bloc: Cuban social and security know-how, Venezuela’s energy clout, and Colombian oil, labor power, agriculture and industry. The complementary political-economies could become an alternative pole to the U.S. centered empire. Plan Colombia is organized to destroy the potential centerpiece of that political alliance: the Colombian insurgency.

Vacuous Phrases and Concrete Realities

Plan Colombia has the virtue of being a straightforwardly military operation directed by the U.S. to destroy its class adversary in order to consolidate its empire in Latin America. The anti-drug rhetoric is more for domestic consumption than any operational guide to action. The guerrilla leaders and their movements understand this and act accordingly, mobilizing their social basis of support, securing their military supplies, and fashioning an appropriate anti imperial strategy. Faced with this stark political-military polarity, clearly defined by each adversary, many academic and putatively progressive intellectuals retreat to apolitical abstractions divorced from the real power configurations and class struggle into obscurantist and reified concepts. They speak of the “world capitalist sys tem,” “accumulation on a world scale,” “historic defeats,” “the age of extremes”–vacuous phrases written large and repeated as a mantra which explains nothing and obscures the specific class and political basis of the growing anti-imperialist movements and class struggle. Given the strategic importance of the Colombian outcome in the eyes of Washington and the potential this struggle has as the cutting edge for the breakup of U.S. hegemony in Latin America, it is obvious that accumulation of U.S. capital depends critically on the results of political struggles within nation-states. Moreover, recognizing the centrality of oil as the primary source of energy for the United States, a politico-military victory for the United States in Colombia would isolate Chaves and facilitate efforts to undermine his regime. While the FARC/ELN exists as the radical “greater evil” (in the eyes of Washington), U.S. policy planners have to move cautiously against Chaves’ foreign policy for fear he will radicalize domestic policy in line with the Colombian left. For all his nationalist foreign policy pronouncements, Chaves has followed a fairly orthodox fiscal policy, respected and even invited new foreign investors, and has scrupulously met Venezuela’s external (and internal) debt payments. Thus Washington has followed complex policies toward its adversaries in the triangle, maintaining cool but correct relations with the Chaves regime, while sharply escalating its support of the war against the FARC/ELN.

Washington’s Multi-Track Policy

Washington is pursuing a multi-track policy in relation to the different kinds of opposition that it faces in the region. In relation to Colombia where a U.S. client controls the state apparatus and the guerrilla formations represent a systemic challenge, the State Department has declared all-out war, the centralization and expansion of the war machine, and the marginalization of autonomous popular organizations in civil society. While the demilitarized zone where peace negotiations take place is tolerated, Washington is intent on tightening the military encirclement of the region, militarily taking control along the border (particularly the Ecuadorian-Colombian frontier) and preparing for an eventual all-out military assault on guerrilla leadership within the demilitarized zone. U.S. military strategy has increasingly focused on the expansion and operational efficacy of the paramilitary forces. For over a decade the CIA aided in the formation of paramilitary groups ostensibly to combat the drug cartel. Over the past three years, Washington has escalated clandestine support to the paramilitary forces via its military aid to the Colombian Armed Forces and tolerated their drug activities. The paramilitary terrorists play an essential role in Plan Colombia: aggressively “social cleansing” entire regions of peasant activists suspected of guerrilla sympathies. The paramilitary force, estimated to be 10,000 strong, is Washington’s “card” for scuttling the peace negotiations and turning the Colombian conflict into a total war. Washington’s tactic is to push for the presence of the paramilitary forces in the peace negotiations and then allow Pastrana to mediate as a centrist between the two extremes, imposing a settlement that sustains the socioeconomic status quo. Most likely this will cause a breakdown in the negotiations and total war.

Washington combines a two-track policy with the paramilitary forces: “paper criticism” in annual State Department reports, and large-scale material support via U.S. military aid to the Colombian military. While the U.S. follows an almost exclusively military track with Colombia, (accompanied by minor financial incentives to co-opt NGOs to work on alternative crops), in Venezuela Washington seeks to avoid precipitating a major confrontation prematurely. The State Department realizes that the balance of forces within Venezuela is unfavorable to any direct military political action. Chaves has reformed the judiciary, won Congressional elections, appointed constitutional-minded senior officers and secured solid majority support among the populace. Washington’s allies among the business elite, in the traditional parties, and the state apparatus are not in a position at this time to provide effective channels for a Washington funded and directed destabilization effort. The strategy for now is to wage a propaganda war based on creating favorable conditions for future full-scale destabilization and a civilian-military coup.

U.S. tactics in Venezuela are thus the reverse of its policies toward the Colombian regime. In opposition to Chaves, Washington speaks against the authoritarian dangers of his centralization of power, the State Department promotes greater autonomy for its clients’ elites in civil society. Washington’s goal is to fragment power and provide a platform on which to reorganize the discredited traditional parties. While in Colombia the United States supports the IMF-Pastrana austerity programs, in Venezuela Washington focuses on mass poverty and unemployment, hoping to stimulate popular disaffection.

In Ecuador, as in Colombia, Washington strongly backs the centralist leadership of the executive power, the repression of the social movements and the marginalization of the opposition representation in Congress. The dollarization of the economy and the concession of a U.S. military base are the clearest indications of Ecuador’s conversion to U.S.-client status. Hence, the U.S. multi-track policy of military confrontation (Plan Colombia) via the state apparatus and paramilitary forces in Colombia, diplomatic and political pressure via elites in civil society in Venezuela, and political-economic co-optation of the Ecuadorian executive define the complex pattern of intervention.

It is far too early to make a definitive judgment about this multi track policy. In its early stages, Plan Colombia has led to a more aggressive use of paramilitary forces and greater civilian casualties, but no effective “roll-back” of the guerrillas. On the negative side, the further deterioration of the economy has increased urban disaffection and weakened Pastrana’s political position as evidenced by the sharp losses in the municipal elections late in 2000. In Venezuela, the Chaves regime is consolidating institutional power, building support in the trade unions via new free elections while retaining mass support. In Ecuador, the social movements and the Indian-peasant coalition retains the power to mobilize support, even as Washington’s allies have at least temporarily succeeded in pushing through military agreements and the overt subordination of the Ecuadorian economy to the U.S. Treasury (via dollarization).

Consequences of U.S. Military Escalation

Plan Colombia, a typical low intensity war (where large-scale U.S. financing and arms and low level ground troop commitment are combined), has already had a high intensity impact (on peasants and workers) which is internationalizing the conflict. Despite predictable denials, U.S. military and intelligence agencies have been active in directing Colombian paramilitary forces to decimate civilian–largely peasant–supporters of the FARC/ELN in the villages. Dozens of suspected peasants, community activists, schoolteachers, and others have been assassinated, in order to terrorize the rest of the population. Frequent paramilitary sweeps in regions occupied by the U.S. advised Colombian military have led to the displacement of over a million peasants. Paramilitary terror is part of the repertoire of U.S. counter-insurgency tactics designed to empty the countryside and deny the guerrillas logistical support, food, and new recruits.

As Plan Colombia escalates the violence, thousands of peasants are fleeing across the borders into Venezuela, Ecuador, Panama, and Brazil. Inevitably cross border attacks by the paramilitaries on refugees has widened the military conflict. Families and relatives of guerrilla activists put to flight retain their ties and contacts. The frontier and borders have become war zones in which squatter refugees living in squalor are partisans in the conflict and are targets of the Colombian military. Rather than containing the civil conflict, Plan Colombia is extending and internationalizing the war, exacerbating instability in the adjoining regions of neighboring countries. Plan Colombia clearly escalates the degree and visibility of U.S. involvement in Colombia. With an estimated three hundred U.S. military advisors, and additional sub-contracted mercenaries flying helicopters, U.S. involvement has moved down the chain from planning, design, and direction of the war to the operational-tactical level. Moreover, U.S. policymakers have used their financial levers to reward pliant and cooperative Colombian military officials and to punish or humiliate those who do not sufficiently respond to U.S. commands or advice. The perception (and reality) among Colombians is that Plan Colombia is transforming a civil war into a national war. There is absolutely no doubt that the Colombian elite and sectors of the upper middle class are in favor of even greater and more direct U.S. military intervention. Among the peasants however, the greater U.S. presence means greater use of chemical defoliants, increasingly aggressive and destructive military forays to eradicate coca and food plants, and to eliminate persons that stand in the way. Plan Colombia is transforming a civil war into a nation al liberation struggle. This nationalist dimension could provide added urban support to the guerrilla struggle from students, professionals, and trade unionists, while pushing apolitical farmers into the guerrilla camp on the grounds of household survival.

Plan Colombia’s prime emphasis on a military approach to popular insurgency is militarizing Colombian society-increasing the overseas outflow of professionals and others fleeing the growing intimidation of the unleashed paramilitary/military forces in the cities. Putting Colombia on a war footing intimidates the average Colombian, but it also alienates lower-middle class Colombians, subject to arbitrary searches and interrogation. The loss of the limited urban space where Colombians carry on civil discourse will increase underground activity for some while forcing further withdrawal from public life for others. Trade union and civic demands are deemed “subversive to the war effort” by the government; civil oppositions are “fifth columnists acting on behalf of the guerrillas.” The result is an increase in the already record high number of trade unionists and journalists assassinated. Intimidation of some will be accompanied by the radical rejection of the state by others.

Plan Colombia draws $3.5 billion dollars from the Colombian treasury-at a time when the government is imposing austerity measures and cuts in social expenditures that adversely affect wage and salaried groups. By increasing Colombia’s military spending, Plan Colombia increases the public’s opposition to the state, which in turn increases the demand by the military and U.S. policymakers to increase the repressive apparatus. Neoliberal policies and the militarization of the conflict require a bigger centralized state and a shrinking and constricted civil society–at least among the popular classes of civil society. The reinforcement of the state and its commitment to fight a two front war–a war in the countryside with arms, and with neo-liberal austerity policies in the cities — not only deepens the polarization between the regime and the civilian populace, but it increasingly isolates the regime and makes it more dependent on Washington and the burgeoning military and paramilitary organizations in the cities as well as in the countryside. Plan Colombia has many unintended consequences that, far from containing the conflict and building up support for the state, extend and deepen the conflict and isolate the regime. Essentially this is because Washington and its Colombian clients, blinded by the single-minded pursuit of imperial power, have a false reading of the revolutionary challenge.

Washington’s Diagnosis: Foibles and Facts

Essentially Washington’s Plan Colombia operates from three mistaken assumptions: 1) a false analogy extrapolated from its victories in Central America; 2) a series of false equations about the nature of the Colombian guerrillas and their source of strength; and 3) a misplaced emphasis or exaggerated focus on the drug basis of guerrilla political power.

The FARC/ELN challenge to power cannot be compared to the Central American guerrilla struggles in the 1980s. First of all, there is the time factor, the Colombian guerrillas have a longer trajectory, accumulating a vast storehouse of practical experience, particularly about the pitfalls of peace accords that fail to transform the state and make structural reform the center of a settlement. Secondly, the guerrilla leadership of the FARC is made up mostly of peasant leaders or individuals who have developed deep ties to the countryside, unlike the Central American commanders who were mostly middle class professionals eager to return to city life and an electoral political career. Thirdly, the geography is different. Not only is Colombia far larger, the topography favors guerrilla warfare. Moreover the guerrilla political-terrain relationship in Colombia is more favorable. The guerrillas by social origin and experience are much more familiar with the terrain of warfare. Fourthly, the FARC leadership has put socioeconomic reforms in the center of their political negotiations-unlike the Central Americans who prioritized the reinsertion of the ex-commanders into the electoral process. Fifthly, the Colombian guerrillas are totally self-financing and are not subject to the pressures and deals of outside supporters-as was the case in Central America. Sixthly, the FARC has passed through a peace accord–between 1984 and 1990 in which thousands of its supporters and sympathizers were assassinated and no progress was made in reforming the socio-economic system. Finally, the guerrillas have observed the results of the Central American accords and are not impressed by the results; the ascendancy of neo-liberalism, the impunity of the military’s human rights violators, and the enrichment of many of the ex guerrilla commanders, some of whom have joined the chorus sup porting U.S. intervention in Colombia.

Given these differences, Washington’s two-track policy of talking peace and financing alternative crops while escalating the war and promoting crop eradication, is doomed to failure. The carrot of a peace settlement for the commanders, and the war of attrition against the base, will not drive the FARC to settle for a peace accord in which electoral insertion, military institutional continuity, and rampaging neo-liberalism remain in place. The second fallacious assumption of U.S. policymakers is the simplistic analysis they make of the sources of FARC power. Washington’s strategic thinkers equate the FARC with the drug trade, building its strength and recruiting fighters with the millions of dollars they accrue, and to the “terror tactics” they practice to intimidate the populace and gain control of swathes of the countryside. The simple equations are: FARC = drugs; drugs = dollars; dollars = recruits; recruits = terror; terror = growth of territorial control.

This superficial approach lacks any historical, social, and regional dimension, thus completely missing the social dynamics of FARC’s growing influence. First, it overlooks the historical process of FARC formation and growth in particular regions and classes. The FARC has become a formidable guerrilla formation through the accumulation of forces over time, not in a linear fashion, but with setbacks and advances. Family ties, living and working experiences in regions abandoned or harassed by the state have played a big role in recruitment and movement-building over a thirty-five year period. Via trial and error, reflection and study, the FARC has been able to accumulate a vast store of practical understanding of the psychology and material bases of guerrilla warfare and mass recruitment. Throughout its history of championing land reform and peasant rights the FARC has with considerable success been able to create peasant cadres who link villagers and leaders and communicate in both directions. These historical links and experiences, far more than the drug trade tax, are instrumental in the growth of the FARC. In fact, the role of the FARC sales tax is shaped by its historical-political evolution and not vice versa. The decision to tax drug-traffickers and reinvest the funds back into the movement-isolated examples of personal enrichment to the contrary notwithstanding-reveals the political character of the movement. In areas of FARC control, drugs are not sold or consumed. The FARC protects the peasant producers, while the U.S. political and military allies and banks, commercialize drugs and launder the profits.

Socially, the FARC is inserted in the class structure via interlocking with villagers and defending peasant interests. The FARC recruits from the peasants and the urban poor with whom it works, and with which in many cases it has family ties. To the extent that military/paramilitary depredations uproot villagers they make young peasants available and willing recruits for the guerrilla armies. The same goes with coca crop eradication programs: destroying the peasants’ livelihood creates propitious conditions for the guerrilla’s call to arms. The guerrilla strength in the provinces is derived not only from the exploitative and abusive rule of the economic elites but from the concentration of state spending and consumption in Bogota (and to a lesser extent the other major cities). The historical urban-rural polarization has contributed to the formation of rural armies, by regional politicians as well as the guerrillas. But the arbitrary and violent intervention in the countryside by the military at the service of the Bogota political elite and the resident landlords increases the distance between the political class and the peasants, many of whom feel closer to the guerrillas. Finally U.S. policymakers over-emphasize the centrality of drug income in the guerrilla war. No one would deny that the drug tax is an important factor, a necessary source of revenue for financing arms and food purchases. But it is hardly sufficient.

What the ideologists of Plan Colombia ignore or underestimate is the importance of FARC’s struggles on behalf of basic peasant interests (land, credit, roads, etc.), their political education and ideological appeals, the social services, and law and order that they provide. In most of their dealings with the rural population, the FARC represents order, rectitude, and social justice. While drug taxes buy arms, it is this ensemble of social, political, and ideological activities that resonates with the peasantry and attracts the peasants to the call to arms. Drug taxes and arms do not buy class loyalties and village allegiances. Otherwise the military and paramilitary forces would be an unbeatable force! The strength of the FARC is based on the interplay of ideological appeals and the resonance of its analysis and political practices with the everyday reality of peasant life. To undermine the FARC, Washington would have to change the socio-economic reality that Plan Colombia is designed to defend.

Results and Perspectives of a “Misdiagnosis”

Washington’s Plan Colombia is a typical example of an imperial power pouring arms and money to prop up a loyal client (the Pastrana regime) that increasingly relies on coercion (the military and paramilitary forces) and political-economic allies who appropriate land and dispossess peasant families. The military relies on conscripts with no stake in the military outcome and trains military professionals who have no rapport with the people (but loyalty to the hierarchy) and are unfamiliar with the terrain of struggle. The military officials are trained in high-technology weaponry and are mainly concerned with professional promotion. In general the U.S. directed militarization program has not raised the low morale among the conscripts or even the lower ranks of the officers. The military tactics target civilian groups from which many of the conscripts are recruited. The large-scale destruction of crops and villages has little attraction for normal recruits—that is why the military relies on the hired assassins in the paramilitary groups to carry out the “dirty war.” Plan Colombia provokes fear and flight among the peasants and perhaps the paramilitary formations recruit a few of the uprooted young. However, it is doubtful for reasons of history, biography, and social-economic background that the paramilitary forces can match the FARC/ELN in securing new recruits.

The continuing and deepening war and the increasing isolation of the regime is leading to greater U.S. military engagement. Already U.S. military advisors are teaching and directing high-tech warfare, and providing operational leadership in close proximity to the battlefield. Washington is pushing for and extending operational bases to new regions and these garrison bases will become targets of the guerrilla forces. If the Colombian forces are not up to the task of defending the forward bases from which U.S. advisors operate, will that be used as a pretext to send more U.S. troops to protect the bases? This would be the beginning link in a chain leading to greater U.S. ground troop engagement. While serious questions may be raised about the degree and depth of future U.S. military involvement, there is no question that Plan Colombia means deepening the war, and that will surely lead to a further undermining of the Colombian economy. The treasury will be drained to finance the war; the increased air and land war will provoke a massive increase in refugees and destabilize regional (and ultimately national) economies. Refugee camps have frequently become hotbeds for radical politics–the politics of the uprooted. Drug, contraband, and other criminal activity will flourish, straining the capacity of border policing by neighboring countries. History teaches us that the United States will not be able to localize the effects of its war. What goes around has a way of coming around.

The Blowback Consequences

Blowback refers to the unanticipated adverse effects of U.S. involvement in overseas wars. For example, the U.S. training of Cuban exiles and Afghan Islamic fanatics to fight Communism led to highly organized drug gangs who supplied U.S. and European markets and later engaged in terrorist activities, in some cases attacking U.S. targets. The big narco-traffickers in Colombia are not the people described by Washington’s anti-drug boss and propagated by Plan Colombia’s ideological defenders. The so-called narco-guerrillas and peasant coca growers receive less than 10% of the earnings because they only produce and tax the raw materials. The big profits are in the processing and commercialization in the export market and in the laundering of drug profits. The real powers and beneficiaries of the narcotics traffic are all strategic U.S. allies in the counter-revolutionary war.

If we look at the drug routes across the Caribbean and Central America, they pass through important client regimes obviously with official backing. The same is true in South Asia and the Middle East. Drug production, processing, and transport follow a route via past or present U.S. clients. Turkey is the centerpiece of the whole European drug trade with the active protection of the Turkish military and intelligence agencies. They have deep ties, not only with the drug trade in Afghanistan, Burma, and some ex-Soviet Republics, but also with Bosnian, and especially Albanian, gangsters whose activities are facilitated by the strong U.S. military and political backing of Albania/Kosova and Bosnia. With official backing these gangsters have combined drugs, white slavery and gunrunning.

In some cases, Washington’s strategic allies and anticommunist clients have turned against it, in many instances following arms training and supply by the CIA. For example, former CIA clients have organized terrorist cells that have even bombed targets like New York’s World Trade Center. Colombia presents a similar blowback potential. The traffickers who buy the coca leaves, process the paste, and turn out the final product (powder) are either working with, or are themselves, members of paramilitary groups; high military officials; landowners; and not a few bankers and other respectable capitalists-who launder drug money as investments in real estate, construction, etc. Profits from overseas operations are laundered in leading U.S. and European banks as any number of past and present investigations have revealed. Key U.S. political allies in Colombia and influential economic elites in U.S. banking are the major players in the narcotics trade, undermining the fundamental ideological prop of Washington’s Plan Colombia and revealing it’s true, imperial underpinning.

Drug traffickers backed by the United States today are thus active in promoting the drug abuse and crime that continues to plague U.S. cities-especially among minority youth. The violence associated with the drug trade also creates extortionists known to shake down U.S. and European overseas business. By engaging in violent confrontations the narco-paramilitary officials further destabilize the investment climate perpetuating insecurity and inhibiting long-term investments.

As the breach between the U.S. anti-drug ideology and its actual links to the narco-military/paramilitary becomes clearer, this will likely provoke dissent within the United States. There is no prospect of a large-scale opposition movement in the United States at present. Still, in Colombia, Venezuela, Ecuador, and the rest of Latin America-exposed to the full brunt of the war to save the empire-the advance of the revolutionary struggle in Colombia has revealed contradictions that cut right through their societies and extend beyond, into the world economic order, with portentous implications both for their future and U.S. imperial rule.

James Petras has been a frequent contributor to Monthly Review for more than three decades. He teaches sociology at SUNY Binghamton.

COPYRIGHT 2001 Monthly Review Foundation, Inc.
COPYRIGHT 2001 Gale Group

Próxima Página »