Nova ciência política da comunicação

José Paulo Bandeira da Silveira

08-09-2003

C. Wright Mills escreveu páginas indeléveis sobre a América em A elite do poder, na década de 50 do século passado. Ele anunciou o futuro de uma América totalitária: “De quase todos os ângulos em que possamos colocar, quando examinamos o público, compreendemos que já avançamos bastante na direção da sociedade de massas. No fim da estrada está o totalitarismo, como na Alemanha nazista, ou na Rússia comunista. Ainda não chegamos a esse ponto. Nos Estados Unidos de hoje, o mercado dos veículos de comunicação em massa ainda não predomina totalmente sobre os públicos primários. Mas certamente podemos ver que muitos aspectos da vida pública de nossa época são antes características de uma sociedade de massa do que uma comunidade de públicos”(1).

Na década de sessenta, os públicos primários e a comunidade de públicos não são mais categorias políticas da vida americana. Não obstante, intelectuais americanos continuavam a produzir livros importantes sobre economia liberal e democracia. Etapas do desenvolvimento econômico é um livro que compõe o cenário ideológico americano da América sem comunidade de públicos e sem públicos primários. O livro é uma crítica do determinismo econômico de Marx em nome da democracia: ” A declaração de Morison sobre o credo democrático pode ser facilmente traduzida nos termos de outras culturas: ela é, falando de maneira lata, o que a maioria dos seres humanos escolheria, se lhes fosse dado o direito de escolha”. Rostow é o autor destas linhas que glorificam a democracia. Professor do Instituto Tecnológico de Massachusetts, Rostow também trabalhava para a CIA. Este livro parece ter sido encomendado pela famigerada agência de inteligência dos EUA. A política do Departamento de Estado financiou a publicação, em vários continentes, de livros sobre democracia versus comunismo. Financiou também artistas plásticos e outras modalidades de artes. A civilização democrática de Leslie Lipson, eis um livro que se encaixa bem na política cultural do Departamento de Estado americano. A Editora Zahar publicou uma longa lista de livros desta espécie.

Um Prefácio à teoria democrática é um livro de Robert Dahl da década de cinqüenta. Não é um livro da política cultural do governo, é um livro sério. Dahl fala de uma democracia americana poliárquica. Dahl apresenta a distinção entre a poliarquia – a democracia pluralista – e o totalitarismo no capítulo “A democracia poliárquica”. Este livro é claramente uma mercadoria no processo de “fabricação” de uma ideologia política americana. Tal ideologia tinha como objetivo ocultar o caminho totalitário apontado por Wrigt Mills. Durante mais de uma década, os governos dos EUA e as melhores universidades americanas se associaram na fabricação da ideologia democrática americana do pós-guerra. Curiosamente, a categoria poliarquia foi empregada por Tucídides na acepção pejorativa de comando militar exercido por muitas pessoas, criando desordem e confusão. Em Mills, a categoria elite do poder designa a esfera da decisão política em pequenos círculos. Mills fala de uma elite unificada e antidemocrática que comanda a vida americana. Ela não é o lugar da desordem e da confusão e tão pouco do pluralismo democrático; a governabilidade dos pequenos círculos não gera uma elite pluralista. Ao contrário, a elite do poder deve ser observada pela ótica de uma categoria política – oligarquia totalitária.

Alguns fenômenos desenham a estrutura da totalitária da América no pós-guerra: a emergência do “complexo industrial-militar”; a natureza capitalista corporativa internacional da economia americana; o Estado de vigilância policial. No sistema político, o bipartidarismo do capitalismo corporativo completa as ferramentas da farsa democrática americana no plano político. Além desses, o sistema de comunicação capitalista completa o domínio totalitário americano. Todas as teorias democráticas desta era alimentaram a comédia da ideologia democrática americana. Só para ficar na América Latina, enquanto os EUA aplicavam a política totalitária dos golpes de Estado militar neste continente, universidades e intelectuais do sistema de comunicação latino-americanos glorificavam a democracia na América. Na guerra-fria, eles estavam ao lado da democracia Americana contra o Totalitarismo Soviético. A guerra-fria foi a maior farsa vivida pelos povos do terceiro mundo. Na leitura de Mills, a guerra-fria foi o choque entre duas formas de totalitarismo – a soviética e a americana. E elas se apresentavam com paladinos da causa democrática. Este foi apenas o primeiro ato da comédia totalitária.

Nos EUA, os mecanismos da representação política continuam operando no domínio totalitário. Mills fala do controle e do uso da opinião pública pelas forças totalitárias americanas. Neste domínio, há disputa, pelo poder político, entre forças econômicas e políticas. Todavia, esta disputa é parte da construção capitalista e política do domínio totalitário da comunicação. Na comédia política dos últimos cinqüenta anos, a democracia americana é o máscara da política totalitária no domínio da comunicação capitalista. Não se trata mais da passagem da comunidade de públicos para a sociedade de massas. Nesta era, assiste-se a passagem da soberania do domínio político para a soberania do domínio da comunicação na vida americana. De quebra, uma política de educação capitalista substituiu a tradicional educação política em todos os ramos e setores do sistema escolar americano. Neste período, a educação passou a existir, para a sociedade e o Estado, em função do discurso do capitalista. Foi a captura da educação pela razão instrumental!

Houve resistências legítimas ao domínio totalitário, pois este domínio já seguia a lógica do modo de produção flexível. É preciso sublinhar a distinção entre o totalitarismo flexível e o inflexível. Esta é uma característica central na diferença entre o totalitarismo americano e os totalitarismos nazista e stalinista. O americano sempre foi um totalitarismo flexível! Assim, ele acolheu a política do multiculturalismo e a farsa da globalização da economia entre as nações como fatos legítimos da política totalitária. Todavia no final deste ato de resistência democrática, a reação do eleitor-totalitário foi fulminante. Ele elegeu o magnata do petróleo Bush II e pôs um fim no multiculturalismo e na globalização.

Com Bush II, a política totalitária encontrou , no Islã, o inimigo perfeito: o terrorismo. Este inimigo invisível e secreto é a continuação, por outros meios e formas – da política da sociedades secreta americana sem escala. Esta é, no pós-guerra, um esteio central não apenas do Estado de vigilância policial americano. Ela é a materialidade de ideologias, práticas e atos que formam com o terrorismo internacional uma potente e verdadeira sociedade secreta mundial sem escala. Uma sociedade em rede mundial sem escala. Neste aspecto, a globalização foi a passagem em ato da diplomacia política para a guerra contra os povos e as nações e o para o confronto terrorista das sociedades secretas no eixo Ocidente-Oriente. O 11 de Setembro americano emergiu como o primeiro grande sintoma social da sociedade secreta mundial. É precisamente um sintoma social freudiano de um inconsciente político mundial.

O EUA invadiu o Iraque e destruiu o Estado nacional e o exército iraquianos em poucas semanas. Depois da guerra entre as duas nações, a elite da Guarda Republicana não sobreviveu como sociedade secreta? Desta, inúmeros grupos terroristas parecem brotar, e eles são capazes de prolongar, até o fim dos tempos, a guerra terroristas levada secretamente entre os dominadores e os dominados. Na guerra entre nações, os soldados vestem fardas – para se identificarem como alvo do inimigo -, e são comandados por sargentos, tenentes, capitães e generais. O exército tem uma cadeia de comando com um general-comandante no topo dela. A guerra pressupões um campo de batalha com inimigos visíveis e com um comportamento orientado por táticas e estratégias militares da arte da guerra ou da ciência da guerra. A guerra existe com indivíduos, fatos e paisagem militar no campo de um território- consciência. Na luta terrorista, os inimigos são invisíveis e os lutadores não são soldados e militares de carreira; eles não usam farda! O motivo da guerra terrorista é, em geral, político. Não obstante, a política terrorista tem como objetivo – sendo uma política totalitária – deixar um rastro de sangue, ou fabricar um banho de sangue, para o espetáculo da comunicação. Hoje, o terrorismo é uma política do domínio da comunicação. Neste, ela aparece como atos espetaculares de indivíduos , fatos e paisagens macabras da ordem de um inconsciente político.

O domínio totalitário da comunicação é uma invenção, na América, do capitalismo corporativo internacional. Este fenômeno não aniquilou apenas o público primário e a comunidade de públicos. Ele é o fim da própria categoria experiência. Esta categoria foi a base da compreensão da vida guiada pelas relações sociais de “comunicação direta” na família, na vizinhança, na escola e no trabalho. O senso comum e o bom senso são duas formas de percepção da vida produzidas na “cultura da experiência”. Como falsa consciência, a ideologia foi uma categoria da “cultura da experiência”. Assim como foi também a categoria de alienação e tantas outras. Quando a comunicação passou a modelar a vida americana, a cultura da experiência – sustentando uma forma de vida democrática – foi sendo substituída por formas de comunicação abstratas: formas totalitárias de comunicação intersubjetiva. Este fenômeno é, provavelmente, uma das causas da patologia da violência física na vida cotidiana das cidades pequenas, médias e grandes nos EUA. As formas totalitárias alienam a vida como experiência e se apresentam como formas de abstração da experiência do homem comum americano. Com o domínio da comunicação, formas patológicas agressivas inauguram a era do espetáculo da violência abstrata inter-individual como espetáculo da vida civil.

Na América, o espetáculo da violência civil é a condensação estética mais valorizada no domínio totalitário da comunicação. É de tal magnitude a força dessa estética totalitária que ela já contaminou outros povos e nações. Com ela, a velha distinção entre um Ocidente civilizado e um Oriente bárbaro virou fumaça. No domínio da comunicação, a sociedade civil não é mais o lugar da paz, da busca do viver-bem e da felicidade. A sociedade pode ser o lugar do exercício permanente da crueldade. A crueldade é agenciada como um valor e um dispositivo de sedução do domínio da comunicação.

Na vida atual, as ideologias do domínio da comunicação são o relé dos circuitos do “senso comum” e da “opinião geral”. Neste domínio, o indivíduo desaparece como ponto de resistência ao poder dominante. A resistência encontra-se na política, no Estado e nas religiões. Estas resistências formam a matéria de aplicação do poder da comunicação capitalista. Este disputa, sem cessar, a subjetivação do público com a política, os aparelhos de Estado e as religiões. Na era do domínio da comunicação, outros públicos apareceram por causa e por dentro desse domínio. Eles foram produzidos pelo exercício do poder da comunicação sobre a política, o Estado, a religião e outros materiais sociais resistentes. Junto com eles, ideologias emergiram como grandes narrativas da comunicação. Entre elas, destacam-se o feminismo e o ambientalismo. Nem estatal ou privado, o terceiro setor das ONGs é já uma política do domínio da comunicação em escala planetária. Hoje, os ambientalistas e as ONGs. americanas se opões à ALCA na defesa da ideologia ambientalista da segurança alimentar. Defendendo um alto padrão de qualidade para o consumo de alimentos na América, eles formam uma resistência não-econômica para a ALCA; também não são uma resistência da política moderna, e sim uma força política ativa do próprio domínio da comunicação! Como uma força de dentro do domínio da comunicação, eles fazem a pauta ideológica da grande imprensa da comunicação capitalista. Trata-se do ambientalismo como defesa da qualidade de vida dos americanos. Este é precisamente o lugar da inscrição das ONGS ambientalistas como aparelho de reprodução de uma nova ideologia americana. Os ambientalistas representam os interesses alimentares do povo americano na competição econômica entre países.

As transformações da vida política fornecem uma catálogo impressionante de temas para a nova ciência política: a ciência política da comunicação. Na era atual, a soberania popular deixa de ser um fenômeno do domínio político. Para a ciência política clássica, esta formulação é pura heresia. Todavia, os próprios políticos já não olham o mundo através das linhas interpretativas da categoria soberania popular. Os políticos continuam usando uma retórica da soberania popular, mas, na prática, eles sabem que o povo-nação já foi substituído pelo povo-eletrônico da comunicação. Vejamos um problema da nova ciência política. Não existe subdivisão subjetiva no povo. Ele não é um sujeito subdividido em cidadão, espectador, rebanho da igreja, etc. O povo-eletrônico é o lugar de uma subjetivação que produz e reproduz o sujeito-espectro da comunicação. Tal sujeito é conhecido pelo nome de espectador. Trata-se de um único sujeito cercado pelas forças de subjetivação da política, do Estado e das religiões. A subjetivação é o lugar da guerra civil permanente na esfera da comunicação. Na eleição, a política moderna mergulha no domínio da comunicação para conquistar o cidadão-espectro. Mas ela submete-se à técnica de representação da comunicação para conquistar os votos do povo-eletrônico. O sufrágio universal é um mecanismo político da esfera da comunicação, antes de ser um mecanismo da esfera política. Soberania popular, representação e sufrágio universal são categorias políticas do domínio da comunicação.

Todo político de sucesso possui, de algum modo, o saber da materialidade política do domínio da comunicação. Para começar, ele sabe que a política não é mais o Senhor político da sociedade; ele sabe que o Senhor político é o domínio da comunicação. Não obstante na servidão da comunicação capitalista, o político encontra forças para governar o aparelho de Estado e a sociedade; às vezes, ele é capaz de equilibrar a relação de forças entre a esfera política e o domínio da comunicação. Tal espécie de político é capazes de criar uma nova arquitetura de poder e novos modos políticos de governabilidade do Estado e da sociedade por dentro do domínio da comunicação. A política é o lugar de maior resistência ao domínio da comunicação. Isto se deve a vocacional vontade de poder da própria política. Assim é preciso considerar uma nova espécie de político. Aquele que vai governar o domínio da comunicação e com o domínio da comunicação! A nova classe política será a classe política da comunicação. A elite política da comunicação está nascendo!

No século XXI, as “massas”nutrem uma suspeita cega em relação à subjetivação política moderna. Este niilismo político é um efeito do fim do indivíduo na dominação totalitária da comunicação. O Estado nacional é o principal objeto do niilismo das massas da comunicação. Todavia, como elas só conhecem a existência na forma de uma subjetivação totalitária, tornam-se massas disponíveis, por exemplo, para as recentes religiões totalitárias. É a política deslocando-se da esfera pública para a esfera privada. Tais religiões têm clareza da necessidade de inscrição religiosa no domínio eletrônico da comunicação, como modo de expansão e de disputa de hegemonia no campo religioso. Para avançar na esfera privada do campo religiosos, as religiões precisam disputar a subjetivação das massas no domínio político da comunicação. Logo para estas religiões, trata-se de disputar a subjetivação de um rebanho-eletrônico, que está no lugar do povo-nação e da soberania popular. Nas relações de forças com a esfera política e o Estado, a comunicação capitalista usa o niilismo totalitário contra os políticos, os governos e o aparelho de Estado. Mas, curiosamente, ela estabelece as religiões como um lugar sagrado no domínio da comunicação. Ao contrário da política moderna, ela não opera com a dialética laico versus religioso, A servidão da esfera política canaliza as energias de uma autêntica vontade de poder do domínio da comunicação. A nova elite política da comunicação será portadora de um subjetivação anti-Estado nacional ; será também modelada pelo lugar do sagrado religioso na dimensão política do domínio da comunicação. Uma nova era de metafísica política pode renascer das cinzas e dos destroços do domínio político moderno.

REGIMES POLÍTICOS E COMUNICAÇÃO.

A evolução das forças produtivas pode alterar a natureza, a forma e o funcionamento do domínio da comunicação? A internet e a televisão digital vão criar uma nova cartografia de regimes políticos da comunicação? Estas interrogações já não indicam uma problemática( Althusser) sustentando um novo campo epistêmico na ciência política da comunicação?

O domínio da comunicação eletrônica de massa tem um funcionamento( Adorno e Horkeimer) e uma estrutura de linguagem( Marcuse) totalitários. Todavia, W. Mills mostrou que ele possui mais de um regime. A nova ciência política está sendo fundada com os materiais fornecidos por filósofos, cientistas políticos, sociólogos heterodoxos e cientistas e intelectuais do campo específico da comunicação. Retorno ao problema dos regimes da comunicação! Se o sistema é baseado na concorrência mercantil, o regime pode funcionar de um modo liberal. Neste caso, a fragmentação é a realidade ideológica e o meio da transmissão de mensagem, signos, imagens e informação nas mídias eletrônicas de massa. No sentido de Dahl, o regime pode ser até poliárquico. Mas se o sistema é um quase monopólio de capitalismo de Estado ou de capitalismo corporativo da comunicação, um regime totalitário se impõe. Na China (capitalismo de Estado) e nos EUA (capitalismo corporativo mundial), o domínio da comunicação tem um regime totalitário. Entretanto, não se deve ignorar as diferenças no plano da cultura política na China e nos EUA. Nos EUA, uma cultura democrática ainda oferece resistência ao funcionamento do totalitarismo da comunicação. Esta resistência é um aspecto político-ideológico da estrutura e do funcionamento do domínio da comunicação. Na China, o despotismo asiático é a cultura do domínio da comunicação. Para a vida do homem comum, esta diferença pode significar uma verdadeira catástrofe pessoal e familiar.

Na Europa, há uma gama de regimes que vão de um quase monopólio privado da comunicação até a forma de um regime estruturado pelo capitalismo social europeu. Na América Latina, o regime oligárquico parece ter a preferência no capitalismo da comunicação. As lógicas do regime são um objeto estratégico para o analista da conjuntura política. Na era do domínio da comunicação, a tomada do poder e a permanência no poder dependem da lógica do regime do domínio da comunicação. Quando Paul Virilio falou de um golpe de Estado permanente da comunicação, ele ainda não havia percebido o valor de uso desta categoria política da comunicação na análise de conjunturas políticas. O golpe de Estado permanente da comunicação instaura um Estado eletrônico no lugar do Estado nacional; instaura uma política eletrônica no lugar da política moderna. Um Príncipe político da comunicação emerge neste novo estado político das sociedades para além da modernidade.

Com a evolução das forças produtivas, as novas tecnologias podem levar a uma alteração efetiva dos regimes? A tv por assinatura, a internet e a tv digital podem alterar a natureza dos regimes? Um linha de força digital vai se impondo no domínio da comunicação capitalista. Ela pode preparar uma era de democracia no domínio da comunicação? A evolução das forças produtivas da comunicação tem condições de estabelecer uma contradição material irredutível e irreversível entre o domínio da comunicação e o capitalismo corporativo mundial?

Nicos Poulantzas mostrou que o totalitarismo “fabricou” uma gama de regimes políticos – bonapartismo, fascismo, nazismo, ditaduras militares, etc – no mundo moderno. O domínio totalitário da comunicação também já fabricou uma plêiade de regimes políticos. Todavia, a esfera da comunicação não sabe nada, ainda, da experiência de um domínio político democrático. As novas forças produtivas tem o poder de criar um domínio democrático da comunicação na era do capitalismo corporativo mundial? O leitor já pode ter a certeza que a nova ciência política está lidando com problemas, estruturas e fatos que abolem a lógica cultural pós-moderna do capitalismo tardio. Agora, o capitalismo tardio é o capitalismo corporativo mundial.

Na política, o bonapartismo é a forma moderna de emergência do domínio totalitário. Ele aparece, na segunda metade do século XIX francês, na forma do império bonapartista. Como na Antiguidade romana, ele emerge de dentro da república. Marx estudou o bonapartismo também como uma categoria político-estética. O Segundo Império bonapartista é observado, por Marx, como a paródia do império de Napoleão Bonaparte. O Primeiro Império é da ordem estética do sério e da tragédia. Já o Segundo Império é da ordem da comédia e da farsa. Este não é uma categoria política autêntica; é a repetição cômica de uma categoria séria. Ele é uma categoria política do reino da comédia moderna.. O domínio da comunicação é também do reino da comédia, pois ele é uma paródia do domínio político totalitário. Trata-se de um domínio que lança as categorias políticas autênticas e sérias na esfera do riso.

Vamos passar para um outro tipo de problema da nova ciência política da comunicação. O problema do uso da estética na política do domínio da comunicação. A lógica da comédia modela as práticas e o funcionamento da mídia eletrônica-visual de massas. Isto aparece, por exemplo, na fabricação das imagens-objetos. É o caso da construção do povo-eletrônico como imagem-objeto. A fabricação da imagem eletrônica do povo como barbárie é da ordem da paródia. O povo-eletrônico é uma paródia da barbárie. Não se trata da construção de uma percepção séria da barbárie popular, mas de uma construção cômica de um povo-eletrônico bárbaro. O povo-bárbaro é a imagem do povo para todo mundo rir dela. É a imagem para o próprio povo rir de si próprio. Neste plano, a comunicação desloca-se do reino da comédia para o reino do grotesco. Mas se trata, também, da paródia do grotesco autêntico. No domínio da comunicação, não existe um lugar para as categorias respirarem. Nesta estrada da comunicação, as categorias políticas não estabelecem um latifúndio como na política moderna. Não dimensão política da comunicação, não existe a menor possibilidade de territorialização virtual das categorias políticas. O cavaleiro nômade do deserto é a forma mais acabada das categorias políticas do domínio da comunicação. A máquina de guerra do deserto é o sujeito político na paisagem solar da comunicação. E a sociedade secreta é a ausência de sujeito político na paisagem lunar do deserto da comunicação.

No grotesco original, o povo ri de si próprio como um ato da revolução social. Rir de si é um modo de desmontar a subjetivação popular realizada pelos dispositivos do poder político. Outra coisa é o totalitarismo da comunicação fazer o povo rir de si próprio. Esta fórmula estética é uma técnica de reprodução da servidão popular no domínio da comunicação. Rir de si próprio; tudo é cômico; uma nação ri de si própria; a nação é um fenômeno cômico! O povo-eletrônico é uma paródia grotesca do povo-nação! E a associação do povo com imagens do baixo corporal é uma técnica central para a construção da paródia eletrônica da estética do grotesco. O baixo corporal é o tema mais vulgar de todo o humor dirigido para o povo. Com o domínio da comunicação, ele foi alçado a um lugar sagrado. É o poço do cavaleiro nômade do deserto da comunicação. O terrorismo é a forma de uma ideologia macabra no domínio grotesco da comunicação; é a ideologia no lugar do sagrado; ele é a primeira forma de metafísica política do deserto do domínio da comunicação.

Passemos para a inclusão da microfísica do poder no campo da nova ciência política da comunicação. Um exemplo é o uso do poder panóptico no domínio da comunicação. O panoptismo é um dispositivo associado a uma certa arquitetura de vigilância da prisão. Jeremy Bentham(1748-1832) é o autor intelectual desta forma de poder. O vigia vê o prisioneiro sem ser visto. Foucault viu, no panoptismo, um modo de governabilidade da sociedade como um exercício das instituições disciplinares da sociedade moderna. Em Michel Foucault, trata-se de uma categoria séria. Mas na governabilidade da comunicação, o panóptico é um categoria do riso. A nova ciência política vê o uso da microfísica na lógica da paródia. A vigilância policial da comunicação é um paródia de um dispositivo de poder policial foucaultiano. Ela funciona para o espectador rir da vigilância policial da comunicação. Neste sentido, o grotesco eletrônico é a soberania do infame como um regime estético de imagens eletrônicas.

DO PRÍNCIPE INFAME

A pesquisa foucaultiana pode ajudar a integrar o grotesco político no domínio da comunicação? Em Foucault, as técnicas “sociais”(3)são um instrumento útil na análise da dominação do capitalismo eletrônico da comunicação? Na pesquisa sobre as culturas greco-romana, medieval e moderna, Foucault define um campo de análise materialista das relações do poder com os indivíduos. E a partir deste campo materialista, ele elabora um outro modo de abordar o Estado moderno e o Estado, em geral. Trata-se, principalmente, das pesquisas sobre o poder de “polícia”(4) e o biopoder. Aí, o poder funciona através de práticas, de estratégias e de táticas, enfim, de técnicas de saber e de poder como um modo de sujeição do indivíduo ao poder. Em Foucault, a administração estatal é um ponto em um campo de relações de forças: campo de relações de poder. Neste campo diagramático, o poder de polícia e o biopoder são exercícios de poder sobre o corpo e sobre a população.

Na relação entre o “Estado moderno” e o indivíduo, as tecnologias de poder são a base de um funcionamento “administrativo-policial” do individual na sociedade moderna. Neste modo de governar a sociedade moderna, as ciências sociais são, por exemplo, parte de um dispositivo de poder governamental; são um saber da governamentalidade no lugar da tradicional ciência do Estado. Isto faz emergir um novo “Estado de polícia”, um tipo de racionalidade que constitui um dos traços essenciais da racionalidade política moderna. O Estado de polícia é uma figura da razão política antiga, como um modo da sociedade garantir a governabilidade de um regime político normal. Sobre este Estado de polícia ou de vigilância, o leitor pode consultar, particularmente, os livros sete e oito do Política de Aristóteles. Em Aristóteles, a arte da subjetivação política é a lógica da governabilidade da pólis como um Estado de vigilância permanente sobre homens, mulheres e crianças. Uma sociedade de espetáculo grega emerge como modo de governabilidade de vigilância nas páginas imemoriais da escritura política aristotélica. A arte do domínio de si da antiguidade grega deve ser comparada, como categoria política, com as tecnologias do eu da era moderna? Ao contrário do Estado antigo e do Estado medieval, o Estado moderno é um modo de governar que não se ocupa da produção do indivíduo como domínio de si, no sentido da antiguidade, nem do indivíduo como sujeito jurídico. Ele se ocupa do indivíduo como homem: seres vivos que trabalham e comerciam. E o objetivo da administração do homem é a integração dos indivíduos, pela normalização disciplinar, à sociedade moderna. Em ” Vigiar e Punir”, Foucault mostra uma forma de “Estado de polícia” que ( em Foucault, não existe Estado, existe estatização) parece estabelecer um tecnologia de poder, o poder panóptico, capaz de agenciar o capitalismo eletrônico da comunicação como administração da vida cotidiana e como um modo de governar a vida cotidiana. O poder panóptico é a ferramenta mais adequada para a análise materialista do “Estado eletrônico”? Trata-se de uma ferramenta útil na análise materialista das relações materiais de poder entre o “Estado eletrônico” e os homens, as mulheres e as crianças? Aqui, nos confrontamos com os problemas que anunciam o fim da modernidade foucaultina.

A prática panóptica de poder é o modo de governar os indivíduos como homem. Nesta razão governamental, este poder agencia o “conceito” de homem das modernas ciências sociais ou ciências do homem(5). Trata-se dos seres humanos na moderna sociedade capitalista. Ora, não há um limite para o uso da teoria foucaultiana do poder moderno? Na atual fase do capitalismo mundial, o homem não existe mais. E isto é apenas um dos problemas desta teoria foucaultiana do poder moderno. Por outro lado, o método de Foucault permanece como uma das melhores ferramentas intelectuais para a abordagem da situação atual do Estado.

Na era do capitalismo corporativo mundial, o capitalismo eletrônico da comunicação organizou um novo campo de forças. Trata-se de um campo de poder que usa os campos de saberes do século XX – freudiano; estruturalista; pós-estruturalista; pós-modernista; ecologia; biociências, ciência de redes, etc. – para articular um inédita administração eletrônico-virtual da vida cotidiana. Esta não é uma administração do Sujeito Jurídico, e muito menos uma administração do Sujeito Homem. Trata-se simplesmente da administração ” virtual” de homens, mulheres e crianças. Uma administração das relações entre eles, de cada um consigo, deles com a sociedade eletrônica e o Estado e deles com a fauna e a flora.

O domínio da comunicação usa o poder panóptico de Foucault;. Mas usa-o como um simulacro de poder panóptico; usa de um modo cômico, de um modo ridículo, a categoria poder panóptico. Na verdade, ele usa qualquer exercício de poder disponível no mercado. Mas o totalitarismo eletrônico já é uma relação de poder que subverte a representação moderna do poder político, do Estado e da microfísica do poder. Como paródia de qualquer forma de poder, ele é o grotesco eletrônico como soberania do infame. É o Príncipe infame. Este aspecto será esclarecido mais adiante.

Há duas concepções modernas básicas do Estado. Na primeira, Hegel definiu o Estado-sujeito. Tal Estado hegeliano é um Estado ético, educador, um Estado civilizatório. Na versão hegeliana, o Estado detém o poder. Esta concepção foi desenvolvida, no século XX, por Gramsci no marxismo ocidental. É a fórmula do Estado ampliado, do Estado-hegemônico, do Estado dos aparelhos de hegemonia de uma classe social. Em Hegel, a burocracia estatal é um categoria universal; ela está além dos interesses particulares, privados, capitalistas e das práticas políticas particulares e dos aparelhos sociais da sociedade civil. Nesta posição, o Estado universal tem a consistência para assegurar a unidade de um país, de uma nação e de outras formações sociais. Em Gramsci, o Estado- hegemônico é uma estratégia do poder burguês para assegurar a dominação de classe. Nesta estratégia, o Estado articula uma adesão cultural das classes subalternas à civilização moderna. A crítica da civilização moderna é o método de Gramsci para estabelecer a estratégia da revolução socialista no século XX. Mas em Gramsci, o poder de Estado é exercido, por uma classe social, nos aparelhos de hegemonia da classe dominante.

Em Marx, há a concepção do Estado-coisa, Estado- instrumento de uma classe social dominante. Para Marx, o Estado não detém poder. O poder de Estado é sempre o exercício de poder de uma classe social. E para Marx, o Estado liberal é apenas o uso de violência social, isto é, um aparelho de repressão. O Estado liberal só é civilizatório no plano da ideologia. Há uma confluência das concepções de Hegel e Marx em Weber. Para este, o Estado moderno é a probabilidade dele possuir o monopólio legítimo da força física: Estado-coação. Trata-se de um conceito virtual. Além da repressão, o Estado moderno existe como um tipo puro de dominação weberiana.

Para Weber, a dominação racional-legal, dominação burocrático-moderna, pode existir como um mecanismo de integração dos indivíduos à ordem moderna. Uma leitura hegeliana de Weber, já usa esta idéia para caracterizar a burocracia como um discurso social. Nesta leitura, o Estado é o uso da violência mais um discurso social. Neste caso, o Estado não é apenas a soma dos aparelhos de Estado, das instituições, dos grupos que o povoam, das práticas administrativas e dos indivíduos que tomam as decisões. Aqui, a burocracia é matriz simbólica de um determinado discurso social. Este existe no funcionamento dos aparelhos, das instituições, das práticas estatais, das ações individuais dos agentes estatais, dos grupos estatais, das redes de poder e de fluxos econômicos que amealham permanentemente o Estado e sobredeterminam todo o resto: aparelhos, instituições etc. Nesta leitura, o Estado existe em função de uma campo de poder. Trata-se de um campo de relações de forças que funciona através das redes de poder e de fluxos de uma economia geral do excedente econômico.

Na questão do Estado, Foucault segue Marx. Para ele assim como para Marx, o Estado não é o poder. O Estado é uma instituição, e as instituições: ” São práticas, mecanismos operatórios que não explicam o poder, já que supõe as relações e se contentam em fixá-las sob uma função reprodutora e não produtiva”(6). Na era moderna, a forma-estado capturou um número considerável de relações de poder e isto é a “estatização contínua” – na ordem pedagógica, na judiciária, na econômica, na familiar, na sexual – visando uma integração global. uma linha de força geral no campo dos poderes. Para Foucault, o “governo”( o poder de afetar sob todos os aspectos o ” modo de governar” as crianças, as almas, os doentes etc.) ilumina mais o poder do que o Estado. E neste ponto a pesquisa se dirige para um objeto mais consistente no campo do Estado. Trata-se do conceito de biopolítica(7). Tal conceito já é uma prática das tecnologias governamentais. O governo, agora, deve ser olhado não como uma instituição-governo, mas como a atividade que consiste em reger a conduta dos homens em uma conjuntura histórica e com instrumentos estatais. A tecnologia governamental tem como objeto os problemas da população: saúde, natalidade, higiene etc. Trata-se de uma racionalização da prática governamental.

O biopoder é uma fórmula foucaultiana que surge na pesquisa sobre a “questão” da soberania. Se a fórmula do velho poder soberano é o ” direito de causar a morte ou deixar morrer, o biopoder é o “direito de causar a vida ou deixar morrer”. O biopoder já é uma tecnologia associada ao capitalismo(8) como cultura produtivista, e ele não existe sem a normalização da sociedade. Esta é um efeito histórico de uma tecnologia de poder centrada na vida. Neste ponto, por exemplo, o “dispositivo da sexualidade” torna-se um ” fato” da modernidade política. ” Cuidar da população”, eis uma fórmula de poder da era moderna, uma fórmula agenciada pelo capitalismo como lógica do significante. No caso do “sexo”, trata-se do “Sexo” como lógica do significante que prepara uma “linha de força geral” no plano dos cuidados com a população. Esta matriz de “prática governamental” não dá um passo além do dispositivo sexual no capitalismo corporativo mundial?

Com o desenvolvimento da biociência, no campo micro, o biopoder não se torna uma bio-soberania? O poder de causar a vida e deixar morrer não é uma prática governamental que articula o capitalismo corporativo mundial? Deixar as populações da África morrerem de pestes! Isto não é parte da governamentalidade do capitalismo corporativo mundial? Ter o direito de ser a causa da longa vida das populações dos países centrais, eis uma outra prática do CCM! Ou deixar 11000 idosos morrerem de calor no verão francês de 2003. Ora para governar a Terra, o Capitalismo Mundial precisa agenciar todas as fórmulas e poder possíveis e existentes. Uma destas fórmulas é o modo de governar eletrônico. Nesta governabilidade, um regime de imagens traduz os efeitos visíveis do biopoder sobre a população para o campo estético eletrônico. Trata-se do grotesco eletrônico. Aqui já nos encontramos na passagem do domínio político foucaultiano para o domínio da comunicação. A microfísica do poder é um dos agenciamentos possíveis do poder do capitalismo corporativo mundial no campo da nova ciência politica da comunicação.

O grotesco eletrônico é a soberania do infame como um regime estético de imagens eletrônicas. Ele é o modo mais desenvolvido da engrenagem do grotesco na mecânica do poder. Segundo Foucault:

“O terror ubuesco, a soberania grotesca ou, em termos mais austeros, a maximização dos efeitos do poder a partir da desqualificação de quem os produz: isso, creio eu, não é um acidente na história do poder, não é uma falha mecânica. Parece-me que é uma das engrenagens que são parte inerente dos mecanismos do poder. O poder político, pelo menos em certas sociedades, em todo caso na nossa, pode se atribuir , e efetivamente se atribuiu, a possibilidade de transmitir seus efeitos, e muito mais que isso, de encontrar a origem de seus efeitos num canto que é manifestamente, explicitamente, voluntariamente desqualificado pelo odioso, pelo infame, pelo ridículo.”(9)

O Estado eletrônico da comunicação é o exercício permanente de fabricação de uma imagem grotesca do soberano. Trata-se de uma permanente desqualificação do Príncipe. Neste estado, o Príncipe eletrônico não é uma tradução do Príncipe de Maquiavel, e tão pouco é a imagem do partido político moderno no lugar do Príncipe de maquiavélico. Pois trata-se de um Príncipe desqualificado, infame, ridículo:

“essa desqualificação que faz aquele que é o detentor da majesta – desse algo mais de poder em relação a todo poder, qualquer que seja ele – ser ao mesmo tempo, em sua pessoa, em sua personagem, em sua realidade física, em seus trajes, em seu gesto, em seu corpo, em sua sexualidade em sua maneira de ser, um personagem infame, grotesco, ridículo”(10)

A “governabilidade eletrônica” é, de certa maneira, o uso da “cultura de vídeo” como tecnologia política. Trata-se de uma tecnologia dirigida, simultaneamente, para os indivíduos e para a população. Mas trata-se de uma tecnologia que opera com a lógica da pós-modernidade para além dela. No écran, o espaço é o equivalente do trabalho de “compulsão da repetição” da imagem-objeto em uma sucessão espiralada regida pela lógica do significante vídeo. Trata-se de um espaço pouco aderente para o figurativo, o representativo e para qualquer ato do mundo do enunciado. Esta tecnologia exige agentes-simulacros do “ato da fala”, agentes capazes de simular o ato de enunciação. Ela é a continuação do inconsciente freudiano por meios da governabilidade eletrônica, da governabilidade do Príncipe infame. Trata-se de um “dispositivo de poder” do capitalismo eletrônico da comunicação. Na crise do totalitarismo do capitalismo corporativo mundial, o Príncipe infame exerce as funções de estado-maior dos exércitos capitalistas de Napoleão na retirada da Rússia. Mas atenção! O Príncipe infame jamais ensarilhara as armas do grotesco eletrônico.

As novas forças produtivas da comunicação instalam-se em contradição com a natureza totalitária do capitalismo corporativo mundial. Elas são a nova resistência material ao domínio da comunicação. Não obstante, trata-se de organizar tal domínio como uma relação democrática entre o indivíduo e a esfera da comunicação. Existem agentes para transformar as forças produtivas democráticas da comunicação em paradigma do domínio da comunicação. Contar somente com o determinismo tecnológico para alterar o totalitarismo da comunicação, é apenas o começo de uma derrota certa da utopia materialista democrática na era da comunicação! No início do século XXI, o capitalismo corporativo mundial está começando a gerar táticas e estratégias para derrotar a democracia no domínio da comunicação. O futuro será desenhado, primeiro, no terreno deste campo de batalha. O futuro está sendo decidido no espetáculo da comunicação!

1 W. Mills Elite do poder. RJ. Zahar. 1976: 357

2 Rostow. Etapas do desenvolvimento econômico. RJ. Zahar. 1974: 196

3. Michel Foucault. Dits et écrits, v. IV. 1954-1988. Paris. Gallimard. 1994:Les techniques de soi.

4. Sobre o Estado “policial” francês, ver: François Ewald. L`Etat providence. Paris. Grasset. 1986.

5. Foucault. op cit: La technologie politique des individus.

6. Gilles Deleuze. Foucault. SP. Brasiliense. 1988: 83.

7. Sobre este conceito, ver: Foucault. História da sexualidade. A vontade de saber, v. I. RJ. Graal. 1980; Nassance de la biopolitique, in: Foucault. Dits et écrits, v. III. 1994.

8. Foucault. História da sexualidade, v. I, op cit: 132.

9. Michel Foucault. Os anormais. SP. Martisn Fontes. 2001:15.

10. Idem: 15-16.